terça-feira, julho 26, 2016

O Affaire Dreyfus



“Affaire” – Dreyfus
O inicio do Sionismo Político
(1894-1906)
Há 110 anos de sua reabilitação



O caso (Affaire) Dreyfus foi um escândalo político que dividiu a França por muitos anos, durante os finais do século XIX.
A manifestação Judeofobica que deu lugar a construir as bases ideológicas para a construir do Estado Moderno de Israel, a partir da criação do Movimento Sionista.
Centrava-se na condenação por traição de Alfred Dreyfus em 1894, um oficial de artilharia Judeu no exército francês. Dreyfus era, em verdade, inocente: o condenamento baseava-se em documentos falsos, e quando oficiais de alta-patente franceses se aperceberam disto tentaram ocultar o erro. O escritor Émile Zola expôs o escândalo ao público geral no jornal literário L'Aurore numa famosa carta aberta ao Presidente da República Félix Faure, intitulada J'accuse! (Eu acuso!) em 13 de Janeiro de 1898. Nas palavras da historiadora Barbara W. Tuchman, foi "uma das grandes comoções da história". Enquanto que Bernard Lazare e Scheurer tinham até então defendido Dreyfus, Zola partiu para o ataque, denunciando os culpados pela farsa.
O caso Dreyfus dividiu a França entre os dreyfusards (os apoiantes de Alfred Dreyfus) e os antidreyfusards (contra ele). A disputa foi particularmente violenta, uma vez que envolvia vários assuntos no clima controverso e agitado de então. De certa forma, estas divisões seguiam a linha de demarcação entre uma direita apoiando frequentemente o retorno à monarquia e clericalismo - ou seja, o envolvimento da Igreja Católica Romana na política pública - e uma ala esquerda apoiando a República, muitas vezes com sentimentos anti-clericais. A virulência das paixões levantadas pelo caso deveu-se ao anti-Semitismo em França. Em 1886 havia sido publicado o livro anti-semita de Edouard Drumont, "La France Juive". Intelectuais - professores, estudantes, artistas, escritores - assinaram pedidos intercedendo por Dreyfus.
Em suas demonstrações gritavam "Vive Dreyfus! Vive Zola!". Do outro lado da barricada, os gritos eram de "Vive l'Armée! Conspuez Zola! Mort aux Juifs!" Dreyfus era apresentado como o bandido que vende os seus irmãos como Judas (supostamente) vendera o seu "Deus". Houve pilhagens de lojas de judeus, numa premonição da Kristallnacht da vizinha Alemanha. Houve verdadeiros pogromas na Argélia em Boufarik, Mostaganem, Blida, Médéa, Bab el-Oued. Houve violações, mortos e feridos.
Dreyfus morreu em 1935, aos 75 anos, como tenente-coronel, mas nada apagou os seus longos anos de privação de liberdade e sofrimento.

Origem do caso

Tudo começou quando em 1894 Madame Bastian, empregada da limpeza na Embaixada Alemã em Paris descobriu uma carta suspeita no cesto do lixo do adido militar alemão, o tenente-coronel Schwarzkoppen. Madame Bastian entregou os papéis aos serviços secretos franceses, que logo concluíram que existia um traidor entre os oficiais franceses, que fazia espionagem para os alemães. Quando o caso se tornou conhecido, a carta passou a ser conhecida como "le bordereau" (o memorandum).

Tabela cronológica dos acontecimentos

  • Finais de Setembro de 1894 - O bordereau chega à posse do ministério da guerra.
  • 15 de Outubro de 1894 - Dreyfus é preso
  • De 19 a 22 de Dezembro de 1894 - Dreyfus é julgado e condenado por um tribunal militar. É condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo.
  • 5 de Janeiro de 1895 - são-lhe retirados os galões de oficial numa cerimônia humilhante
  • 21 de Fevereiro de 1895 - Dreyfus embarca para a prisão na ilha
  • Finais de Outubro de 1896 - o jovem jornalista Bernard Lazare publica uma brochura chamada "O erro judiciário - A verdade sobre o caso Dreyfus"
  • 10 de Novembro de 1896 - o jornal "Le Matin" publica o bordereau, onde se pode ver a assinatura
  • 11 de Novembro de 1897 - Mathieu Dreyfus, o irmão de Alfred, descobre que Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy foi o verdadeiro culpado (um senhor Castro reconheceu no bordereau a assinatura de um seu cliente).
  • 13 de Janeiro de 1898 - é publicado o "J'accuse" no "L'Aurore (tiragem de 300.000 cópias)
  • Finais de Janeiro de 1898 - Violência anti-semita na Argélia
  • 23 de Fevereiro de 1898 - após processo, Zola é condenado a um ano de prisão e 3.000 francos de multa. Perrenx, dono do "Aurore" foi condenado a 4 meses de prisão e 3.000 francos de multa
  • 3 de Junho de 1899 - o tribunal de cassação anula o julgamento de 1894 e reabre o processo, re-enviando Dreyfus a um novo conselho de Guerra. Zola é autorizado a regressar do exílio de Inglaterra.
  • 7 de Agosto a 9 de Agosto de 1899 - conselho de Guerra em Rennes- Dreyfus permanece um traidor e é condenado a 10 anos de prisão.
  • 19 de Setembro de 1899 - Dreyfus é amnistiado e deixa a prisão, apesar de continuar a ser considerado culpado
  • 29 de Setembro de 1902 - Émile Zola não veria o fim do processo - é encontrado morto por asfixia em circunstâncias misteriosas e não esclarecidas até hoje.
  • Julho de 1906 - Dreyfus é finalmente reabilitado
  • 4 de Junho de 1908 - Cerimônia da transferência das cinzas de Zola para o Panthéon. Tentativa de homicídio a Alfred Dreyfus, que é ferido num braço.
Imagem: Capa do Petit Journal de 23 de dezembro de 1894, data do primeiro julgamento de Dreyfus. Fonte: Biblioteca Nacional, Paris.

“(...) Que folhas de tolerância, tirando alguns milhares de exemplares, ululem e mintam para forçar a tiragem, compreende-se: o mal que fazem é restrito. Mas que o Petit Journal, tirando mais de um milhão de exemplares, dirigindo-se aos humildes, penetrando em toda parte, semeie o erro, desvaire a opinião, eis o que assume excepcional gravidade. Quem tem um tal encargo de almas, quem é pastor de um povo inteiro, deve ser de uma probidade intelectual escrupulosa, sob pena de incorrer em crime cívico.

“Aí está, França, o que encontro em primeiro lugar, na demência que te arrebata: as mentiras da imprensa, o regime de contos ineptos, de baixas injúrias, de perversões morais, em que ela te lança todas as manhãs. Como poderias querer a verdade e a justiça, quando enxovalham a tal ponto todas as tuas virtudes lendárias, a claridade de tua inteligência, a solidez de tua razão?” (ZOLA, É. Acuso, Cartas à França, págs. 62-63).


sexta-feira, julho 22, 2016

CARREGANDO BATATAS



CARREGANDO BATATAS

        De volta das férias, todos os alunos estavam descansados e alegres. Aproveitando o “alto-astral’’ da turma, o professor resolveu ensinar algo importante aos jovens: pediu a todos que trouxessem, no dia seguinte, uma sacola de plástico e dez batatas.
Na manhã seguinte, lá estavam todos, muito curiosos, com suas sacolas e as dez batatas. O professor, então, pediu para que cada um dos alunos separasse uma batata para cada colega com quem tivesse discutido ou brigado no ano anterior. Os alunos deveriam escrever o nome dos desafetos nas batatas e colocá-las dentro da sacola
Depois, ordenou a todos que, durante uma semana, andassem com aquela sacola de batatas seja lá para onde fossem.
Alguns alunos reclamaram que suas sacolas estavam muito pesadas. Porém, o mais interessante veio com o passar dos dias: as batatas começaram a deteriorar-se e o cheiro a aparecer.
Ao final dos sete dias, com um cheiro terrível no ar e com os alunos de braços cansados, o professor falou:
Caros alunos! Eu quis que vocês aprendessem duas importantes lições:
Por precisarem carregar a sacola de batatas para todos os lugares aonde iam, vocês tiveram de se concentrar nisto e, automaticamente, deixaram de notar outras coisas mais importantes ao seu redor.
Mesmo que, inicialmente, as batatas pareciam belas e gostosas, com o passar dos dias, o mau cheiro acabou com este pensamento inicial!
As batatas nas quais vocês escreveram o nome de colegas com quem discutiram no ano passado, a princípio pareciam bonitas e saborosas. Uma discussão, inicialmente, também parece ser importante e interessante, a ponto de valer a pena guardar as magoas que dela resultam.
Porém, com o passar dos dias, o mau cheiro vai aumentando, e o custo de carregar as mágoas das discussões para todos os lados acaba sendo muito alto.
Agora, caros alunos, vocês entenderam que não vale a pena carregar essas “batatas”: discussões, broncas, mágoas e fofocas.
Perdoar o colega e abandonar a má vontade em relação aos demais é a única maneira de livrar-se dessas batatas!
Esta é uma grande lição para nós, à medida que o início da segunda parte do ano letivo se aproxima, as três semanas de aflição - Ben Hametsarim, estão aí para que aprendamos a cursar o resto do ano, é não ter que ir à recuperação. Vale a pena jogar fora as batatas, trabalhar nosso interior e prepararmos para iniciar o ano com o pé direito, com união e amizade entre todos!
Não deixemos que as “Batatas da vida” entorpeçam nosso crescimento. Aprendamos a usar nosso potencial para crescer e finalmente ao final do ano letivo, dizer aprendi e cresci. Tsom Kal, um Jejum liviano, tranquilo e Shabat Shalom
Rav Mg. Ruben Najmanovich


Balak: À escolha de ser



Balak  
(Números 22:2-25:9)
 
Está na Porção da Torá desta Semana:
É agradável ser inteligente e talentoso. Mas há algo que é mais importante ser - bom. Na Porção da Torá desta Semana, nós conhecemos Bilam. Ele era um super gênio, muito poderoso e carismático e extremamente talentoso. Mas, foi o pior entre os seres humanos que já viveram. Por quê? Porque ele usou todos seus talentos egoistamente para ferir os outros. A Torá ensina que a verdadeira medida do valor de uma pessoa não é o seu talento, mas a bondade de seu coração.
Para Bilam, um profeta não-judeu, foi concedido um nível de profecia perto do nível de profecia de Moisés. O Todo-Poderoso deu à Bilam estes poderes de forma que as nações do mundo não podem dizer em algum ponto no futuro, "Se nós tivéssemos um profeta como Moisés, nós teríamos aceitado a Toráh também e teríamos vivido de acordo com o que ela diz." Bilam é um personagem intrigante – que se deixa dirigir, arrogante e egoísta. Infelizmente, não muito diferente de muita gente entre o gênero humano.