domingo, maio 08, 2011

Mãe–Ima–Mamá–Mother-Mame-Mère-Madre; em diferentes idiomas, porem representa o mesmo: Amor

Este Poema, me foi enviado por um aluno meu, de muito longe, David Samuel Cassiel Toledano, obrigado!!; Autoria do Poema esta no final.

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Mãe, meu amor...

Mãe meu amor

Naturalidade e beleza.
Aniversariar, vivenciar momentos...
A vida marcada pelas significações.
Minha Mãe, retrato do amor sem limites.
Simplicidade na doação...
Desprendimento no que se refere aos filhos.
Lembranças que vêm à tona quase que instantaneamente.
Ser carregada no colo depois dos nove anos de idade...
Coisas que eu posso contar!
Esforço e dedicação que somente uma mãe pode nos proporcionar.
Viver com você é viver para mim.
Sou substanciada pelo seu amor com renúncias.
Sou alimentada com sua história de vida.
Não sou se a ti não tenho.
Desejar. Verbo de significado primordial nesse momento.
Momento de dedicações, homenagens.
Seu aniversário, dia de alegria.
Oportunidade para fazer um panegírico a ti,
que sempre se “desfez para nos fazer”...
Se hoje conheço o amor a ti agradeço.
Amor é doação e sem previsões de término ele se inicia.
Amor de mãe ilimitado, o círculo natural assim o estabeleceu.
Sem cerimônias, deleito do momento para dizer
o quanto sou por ter você como mãe.
Acrescentar que, acrescento com sua maneira dedicada de viver.
E neste segundo domingo de maio sua vida,
nossa vida seja selada pela certeza que em nós
o amor é substância que faz gerir nossa relação.
Sua vida, minha vida. Relação de amor que irá para a eternidade.

Autoria de Patricia Cardoso

Considerações de Iom Haatsmaut–Dia da Independência de Israel.

Dia da Independência

Iom Haatsmaut

Bandeira_de_Israel_590

A festa nacional do Estado de Israel, que registra a declaração de independência, no dia 5 do mês de Iyar do ano Tashach (5.708) (14.5.1948).

O Rabinato Central de Israel declarou o Dia da Independência (Iom HaAtzmaut) como um feriado religioso, e compôs uma forma de oração especial para as oração vespertina (Tefilat “Maariv”) e matutina (Tefilat “Shacharit”), que fazem parte das muitas edições padronizadas dos livros de orações, em Israel e na Diáspora.

A oração compreende o “Halel” (a parte de “Louvor”) e partes de leitura dos profetas (Isaías, 10:32), que devem ser recitadas sem as bênçãos que as acompanham. O Rabinato também postergou, dentro deste dia, os costumes de luto que são habituais aos dias da “contagem do Omer”.

Segundo uma regulamentação aprovada pela Knesset (Parlamento), antecipa-se o Iom HaAtzmaut à quinta-feira que lhe é anterior, naqueles anos em que o Dia da Independência (5 de Iyar) recái numa sexta-feira ou num sábado, e tudo isto para não causar uma profanação do sábado. E se posterga se Iom Hazicarón (dia da lembrança dos caidos nas diferentes guerras) cai no domingo, então se passa para segunda e terça é Iom Haatsmaut.

Os eventos do Dia da Independência se iniciam com uma cerimônia estatal, no Monte Hertzl, em Jerusalém, perto do túmulo do visionário do Estado de Israel. O país, em suas ruas e casas, é ornamentada com as bandeiras da nação. O povo comemora com cantos e danças nas ruas e em festas organizadas. Dezenas de milhares de famílias excursionam pelos recantos do país, nos parques, nos bosques, que foram plantados e mantidos pelo Kéren Kaiémet Leisrael (Fundo Nacional Judaico).

Nos últimos anos, ganha um valor central nas comemorações do Dia da Independência, o Concurso sobre a Bíblia para Jovens Judeus de Israel e da Diáspora. Ao se encerrar o Dia da Independência são conferidos, sob os auspícios da Presidência do Estado, os Prêmios “Israel” aos que se distinguiram nos diversos ramos científicos e artísticos.

A véspera do Dia da Independência é no dia 4 do mês de Iyar, e foi determinado pelo governo de Israel como o Dia Geral de Recordação por aqueles caídos pelo erguimento de nosso Estado e de nossa Terra, na Guerra de Independência e nas diversas campanhas militares que se seguiram a ela. O Dia de Recordação é aberto na véspera no espaço perante ao Kotel Hamaaravi (O Muro as lamentações), e parentes e familiares daqueles que cairam nas batalhas de Israel afluem aos cemitérios militares e acendem velas de recordação. Em muitas comunidades, recita-se o capítulo 9 dos Salmos, “sobre a morte do filho”.

63 Anos e não foi uma lenda!

Declaração de Independência do Estado de Israel

Declaration_of_State_of_Israel_1948

A terra de Israel é o local de origem do povo judeu. Aqui a sua identidade espiritual, política e religiosa foi moldada. Aqui eles primeiro atingiram a formação de um estado, criaram valores culturais de significância nacional e universal e deram ao mundo o eterno Livro dos Livros. Depois de serem forçosamente exilados de sua terra, o povo conservou consigo sua fé durante sua Dispersão e nunca deixou de rezar e sonhar com o retorno para sua terra e com a restauração, lá, de sua liberdade política.
Impelidos por sua ligação histórica e de tradições, judeus lutaram geração após geração para se reestabelecerem em sua antiga terra natal. Nas décadas recentes, eles voltaram em massa. Pioneiros, desafiadores refugiados e defensores, eles fizeram desertos florescerem, reavivaram a língua hebraica, construíram vilarejos e pequenas cidades, criaram uma próspera comunidade que controla a sua própria economia e cultura, adorando a paz mas sabendo como se defender, trazendo as bênçãos de progresso para todos os habitantes do país e aspirando a um estado independente.
No ano 5657 (1897), nas conferências do pai espiritual do Estado Judeu, Theodore Herzl, o Primeiro Congresso Sionista delineou e proclamou o direito de o povo judeu fazer renascer o seu próprio país.
Este direito foi reconhecido na Declaração Balfour de 2 de novembro de 1917 e reafirmado no Mandato da Liga das Nações que, em particular, deu sanção internacional para a conexão histórica entre o povo judeu e Eretz-Israel e o direito de o povo judeu reconstruir o seu Lar Nacional.
A catástrofe que recentemente caiu sobre o povo judeu - o massacre de milhões de judeus na Europa - foi outra demonstração clara da urgência de resolver o problema da falta de um lar através do reestabelecimento em Eretz-Israel do Estado Judeu, que abriria bem os portões da terra natal para todo judeu e conferiria ao povo judeu o status de membro privilegiado na comudidade de nações.
Sobreviventes do holocausto nazista na Europa, assim como os judeus do resto do mundo, continuaram a migrar para Eretz-Israel, apesar das dificuldades, restrições e perigos e nunca deixaram de assegurar o seu direito a uma vida de dignidade, liberdade e trabalho honesto em seu lar nacional.
Na Segunda Guerra Mundial, a comunidade judaica deste país contribuiu por completo com as nações que amam a paz e a liberdade contra as forças da tirania nazista e, com o sangue de seus soldados e seus esforços de guerra, ganhou o direito de ser reconhecida entre os povos que fundaram as Nações Unidas.
No dia 29 de novembro de 1947, a Assembéia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução do estabelecimento de um Estado Judeu em Eretz-Israel; a Assembéia Geral requereu aos habitantes de Eretz-Israel tomarem as medidas necessárias para a implementação desta resolução. Este reconhecimento das Nações Unidas pelo direito de o povo judeu estabelecer o seu Estado é irrevogável.
Este é o direito natural de o povo judeu ser mestre de seu próprio destino, como todas as outras nações, em seu próprio Estado soberano.
De acordo, nós, membros do Conselho do Povo, representantes da Comunidade Judaica de Eretz-Israel e do M ovimento Sionista, estamos aqui reunidos no dia de término do Mandato Britânico sobre Eretz-Israel e, por virtude de nossos direitos naturais e históricos e pela força da resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas, aqui declaramos o estabelecimento do estado judeu em Eretz-Israel, a ser conhecido como Estado de Israel.
Declaramos que, vigorando a partir do término do Mandato a esta noite, véspera de Shabbath, 6 de Iyar de 5708 (15 de maio de 1948), até o estabelecimento das autoridades eleitas, regulares do Estado em acordo com a Constituição que será adotada pela Assembléia Constituinte Eleita no mais tardar em 1º de outubro de 1948, o Conselho do Povo atuará como Conselho Provisório do Estado, e seu órgão executivo, a Administração do Povo, será o Governo Provisório do Estado Judeu, a ser chamado "Israel."
O Estado de Israel será aberto para imigração judaica e para a o recebimento de exilados; patrocinará o desenvolvimento do país para o benefício de todos os seus habitantes; será baseado na liberdade, justiça e paz como imaginado pelos profetas de Israel; garantirá liberdade de religião, consciência, língua, educação e cultura; respeitará os lugares sagrados de todas as religiões; e será fiel aos princípios da Ata das Nações Unidas.
O Estado de Israel está preparado para cooperar com agências e representantes das Nações Unidas a implementar a resolução da Assembléia Geral de 29 de novembro de 1947 e tomará as medidas necessárias para trazer a unidade econômica de toda Eretz-Israel.
Nós fazemos um apelo às Nações Unidas para assistir o povo judeu a construir o seu Estado e para receber o Estado de Israel na comunidade das nações.
Nós fazemos um apelo - em meio ao duro ataque lançado contra nós há meses - aos habitantes árabes do Estado de Israel para manter a paz e participar da construção do Estado na base de igual e completa cidadania e através de representação em todas as suas instituições provisórias e permanentes.
Nós estendemos nossa mão a todos os estados vizinhos e seus povos numa oferta de paz e boa vizinhança, e apelamos a eles para o estabelecimento de laços de cooperação e ajuda mútua com o soberano povo judeu, estabelecido em sua própria terra. O Estado de Israel está preparado para fazer a sua parte em um esforço comum para o desenvolvimento de todo o Oriente Médio.
Nós apelamos ao povo judeu em toda a Diáspora para ajudar os judeus de Eretz-Israel nas tarefas de imigração e construção e de os apoiarem na grande luta de realização do antigo sonho - a redenção de Israel.
Colocando nossa confiança no Misericordioso, nós afixamos nossas assinaturas a esta proclamação nesta sessão do Conselho de Estado, no solo da Terra Natal, na cidade de Tel-Aviv, nesta véspera de Shabbath, em 5 de Iyar de 5708 (14 de maio de 1948).

Assinam:

David Ben-Gurion Daniel Auster Mordekhai Bentov Yitzchak Ben Zvi Eliyahu Berligne Fritz Bernstein Rabbi Wolf Gold Meir Grabovsky Yitzchak Gruenbaum Dr. Abraham Granovsky Eliyahu Dobkin Meir Wilner-Kovner Zerach Wahrhaftig Herzl Vardi Rachel Cohen Rabbi Kalman Kahana Saadia Kobashi Rabbi Yitzchak Meir Levin Meir David Loewenstein Zvi Luria Golda Myerson Nachum Nir Zvi Segal Rabbi Yehuda Leib Hacohen Fishman David Zvi Pinkas Aharon Zisling Moshe Kolodny Eliezer Kaplan Abraham Katznelson Felix Rosenblueth David Remez Berl Repetur Mordekhai Shattner Ben Zion Sternberg Bekhor Shitreet Moshe Shapira Moshe Shertok

terça-feira, maio 03, 2011

Os meses do calendário judaico

O mês de Iyar

“E será que de mês em mês” (Isaías 66:23)

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O mês de Iyar é o oitavo na contagem da Criação do mundo (a partir de Tishrei), e o segundo na contagem da saída do Egito (a partir de Nissan).

Antigamente, este mês era denominado “Ziv” [brilho, esplendor] (I Reis 6:1), pois nesta época da primavera o brilho do sol atinge seu maior esplendor.

A origem do nome “Iyar”, da mesma forma que todos os outros nomes de meses do calendário hebraico, remonta à Babilônia, possivelmente do idioma ácade, e significa “luz”, sendo assim muito apropriado para o auge da primavera.

No calendário do agricultor hebreu, encontrado nas escavações de Guezer, o mês é denominado “lua da colheita da cevada”.

Nos tempos antigos, os judeus que não tinham tido a possibilidade de festejar Pessach na data certa costumavam celebrar um “segundo Pessach” no dia 14 de Iyar (Tratado Rosh Hashaná, I 3).

Em nossa época, o mês de Iyar recebeu um significado especial, pois no dia 5 de Iyar de 5708 (1948) foi estabelecido o Estado de Israel e no dia 28 de Iyar de 5727 (1967) Jerusalém foi reunificada, durante a Guerra dos Seis Dias.

O signo do mês

O signo de Iyar é “Touro” – pois neste mês os campos estão cobertos de pastagens, e o touro pode comer até se fartar.

Acontecimentos do mês de Iyar

1 de Iyar

Moisés é ordenado a fazer o recenseamento dos Filhos de Israel (Números 1:1).

2 de Iyar

O Rei Salomão inicia a construção do Templo (480 anos após a saída do Egito – I Reis 6:1).

Morre em Tiberíades o Rabino Menachem Mendel de Vitebsk (2 de Iyar de 5548), que estabeleceu o primeiro núcleo de chassidim em Eretz Israel.

3 de Iyar

de 5708 (1948).

Libertação da cidade de Safed (Tsfat) durante a Guerra da Independência de Israel.

4 de Iyar 

de 5708 (1948)

Dia da Recordação dos Soldados Caídos das Forças de Defesa de Israel.

5 de Iyar

de 5708 (1948)

Proclamado o estabelecimento do Estado de Israel. A data passou a ser uma festa nacional, o Dia da Independência.

Rendição da cidade de Jafa na Guerra da Independência.

Gush Etzion é conquistado e destruído (pelos árabes) na Guerra da Independência, sendo o povoado Kfar Etzion incendiado.

6 de Iyar

5680 (1920) – Confirmação da Declaração Balfour e do Mandato Britânico sobre Eretz Israel; o judeu Herbert Samuel é nomeado o primeiro Alto Comissário em Eretz Israel.

5708 (15.5.1948) – Início do ataque dos estados árabes ao Estado de Israel.

7 de Iyar

Inauguração dos reparos da muralha de Jerusalém (após o retorno da Babilônia) por Esdras e Neemias, em 495 a.C. (Tratado Taanit II 1).

O Prof. Chaim Weizmann é eleito primeiro Presidente do Estado de Israel (5708 – 1948).

8 de Iyar

de 5708 (1948)

As FDI libertaram a cidade de Acre.

10 de Iyar

de 5620 (1860)

Nasce o Dr. Theodor Herzl, o “Profeta do Estado Judeu”.

12 de Iyar

de 5709 (1949)

O Estado de Israel é aceito como membro da ONU.

14 de Iyar

Dia dedicado às celebrações (hilulá) junto ao túmulo do Rabi Meir Baal Haness, um dos mais importantes tanaítas posteriores à revolta de Bar Cochbá.

15 de Iyar

Os israelitas chegam ao deserto de Tzin, após a saída do Egito (Êxodo 16:1).

16 de Iyar

O maná começa a cair do céu no deserto (Tratado Kidushin XXXVIII 1).

17 de Iyar

Durante a revolta contra o governador romano Florus, os judeus demoliram a linha de colunas que ligava a fortaleza Antonia ao Templo (ano 66 d.C.).

18 de Iyar

Vitória de Bar Cochbá contra os romanos; por esse motivo, comemora-se até hoje nesta data a festa de Lag BaOmer (33° dia da contagem do Omer), conhecida como a “Hilulá (celebrações) do Rabi Shimon Bar Yochai” em Meron, e acendem-se fogueiras em todo o país.

5332 (1572) – Falecimento do Rabino Moshé Isserles (o Rama), em Cracóvia, Polônia, um dos últimos grandes codificadores rabínicos.

19 de Iyar

5701 (1941) – Criação do Palmach (tropas de choque)

5708 (1948) – A Cidade Velha de Jerusalém é conquistada pela Legião Árabe jordaniana, durante a Guerra da Independência.

26 de Iyar

5507 (1746) – Morre em Acre aos 40 anos de idade o Rabino Moshé Chaim Luzzatto, cabalista, escritor e poeta, sendo seu túmulo em Tiberíades, ao lado do túmulo do Rabi Akiva.

5727 (1967) – Início da Guerra dos Seis Dias

27 de Iyar

de 5708 (1948)

As FDI abrem o “Caminho de Burma”, permitindo o acesso a Jerusalém que estava sob cerco, durante a Guerra da Independência.

28 de Iyar

de 5727 (1967)

A Cidade Velha de Jerusalém é libertada durante a Guerra dos Seis Dias, e o Muro Ocidental (Kotel Hamaaravi) volta a estar sob controle judaico.

29 de Iyar

Falecimento do profeta Samuel.

domingo, maio 01, 2011

Dia do Holocausto - Iom Hashoa Vehagvurá - 27 de Nissan (Data Hebraica)

Victor Frankl Z"L, o pai da Logoterapia escreveu:

O homem é aquele ser que inventou as câmaras de gás de Auschwitz; no entanto, ele é também aquele ser que entrou naquelas câmaras de cabeça erguida, com o Shemá Yisrael (Declaração de Fé, por parte dos Judeus) em seus lábios.”

“Nós que estivemos em campos de concentração podemos lembrar dos homens que passavam pelos barracões confortando outros, dando-lhes seu último pedaço de pão. Talvez eles tenham sido poucos em número, mas foram prova suficiente de que tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: A última das liberdades humanas – escolher a própria atitude em qualquer conjunto de circunstâncias, escolher o próprio caminho.”

É claro que há muitas coisas na vida sobre as quais não temos controle. Porém há uma dimensão do ser humano – a essência da identidade humana – que nada nem ninguém pode controlar. É transcendente pela própria natureza – livre, desinibida, integral e profundamente espiritual, jamais definida pelas circunstâncias da vida e suas limitações, mas sim livre para defini-las, para definir seu significado e mensagem.

Uma pessoa – ensinava ele – não era um filho do seu passado, mas sim o pai de seu futuro.



"Possam suas Almas estar ligadas á corrente da vida Eterna"

O judaismo não morreu em Auschwitz

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A primeira Guerra Mundial estourou em Tish'á Beav. A primeira motivou a segunda, e a segunda trouxe consigo uma série de episódios tristes, marcantes e inesquecíveis de nossa história que ficarão para sempre registrados nos braços de nossos avós e no coração de nossos filhos. Marcas que o tempo jamais apagará, mas certamente terão como resposta a verdadeira teshuváh, de centenas de milhares de judeus, especialmente de jovens, que hoje retornam cada dia mais à D'us e ao cumprimento de Seus preceitos. Ele sempre esteve, sempre está e sempre se encontrará ao nosso lado.

Elie Wiesel, reconhecido universalmente como o escriba ou escritor do Holocausto ( a memória escrita do Holocausto), resumiu nossa singularidade com estas palavras: "Somos a mais amaldiçoada de todas as gerações e somos a mais abençoada de todas as gerações. Somos as gerações de Jô (Iov), mas somos também a geração de Jerusalém."

Os historiadores podem bem registrar o genocídio tentado contra nosso povo e o subseqüente retorno à nossa prometida terra natal como os dois maiores eventos de significado religioso do século XX. Mesmo assim há outra realidade da vida judaica, sustentando-se na esteira do Holocausto e o nascimento do Estado de Israel, o que poderia provar como tendo significado ainda maior. O inenarrável assassinato de seis milhões de inocentes que pereceram apenas por ser judeus levou os sobreviventes a buscar um melhor entendimento de sua tradição e legado, que havia quase sido apagado.

A suprema ironia da era pós-nazista é que a "Solução Final" foi na verdade seguida por um renascimento religioso, um movimento de bahalê teshuváh - pessoas retornando à fé - nunca antes testemunhado em toda a história judaica, tanto em intensidade como em quantidade.

D'us não morreu em Auschwitz. Aquilo que foi declarado claramente a Moshê por meio de uma metáfora no seu primeiro encontro com o Criador, tornou-se milagrosamente manifesto quando contemplamos o fracasso de Hitler, o Haman do nosso século, que buscou a total destruição de nosso povo. Por que D'us apareceu a princípio ao homem selecionado para a liderança numa "sarça ardendo com fogo, e o arbusto não foi consumido"? Claramente, a intenção não era demonstrar que D'us podia realizar um milagre. Qualquer um, de um número infinito de assombrosos feitos mágicos, poderia ter sido escolhido. Mas o seneh - a palavra hebraica para arbusto, e o local mais tarde designado como Sinai, onde a Toráh foi outorgada - era uma planta cuja indestrutibilidade serviria como um paradigma para o poder único do povo judeu através da história.

Contra todas as leis da natureza, indo em sentido contrário aos princípios da história como codificado por Toynbee, bem como o exemplo de todas as outras nações antes ou depois, os judeus foram oferecidos ao fogo dos crematórios e às tochas de inimigos imemoriais e mesmo assim "não foram consumidos". Nosso povo e nossa fé desafiaram toda a lógica para ilustrar o milagre da sobrevivência; Israel e a mensagem do Sinai compartilham com o arbusto, o notável feito da indestrutibilidade.

Sobreviventes contemporâneos poderiam ser perdoados se sua resposta teológica à perda de aproximadamente dois terços de nosso povo fosse uma rejeição ao D'us de seus pais. De fato, alguns escolheram a trilha da negação religiosa. Porém, muitos outros viram aqueles eventos irracionais como um desafio espiritual. Talvez não tenha sido D'us nos céus que tenha falhado com Seus filhos, mas os seres humanos abaixo que provaram quão bárbaro poderia ser seu comportamento quando guiados apenas por padrões e valores seculares. Até mesmo quando homens, mulheres e crianças eram transformados em barras de sabão, e uma auto-proclamada raça superior incorporava uma crueldade demoníaca, uma ânsia despertou nos corações daqueles que aprenderam com estes atos a compreender o propósito de vida da espécie humana, criada "à imagem de D'us."

Os alemães nos deixaram com algumas perguntas - seis milhões no mínimo. Tornou-se a suprema tarefa da geração pós-Holocausto procurar e sondar, perguntar e refletir, tentar compreender uma fé que passou pelo teste do tempo, mas pareceu falhar à confrontação com a razão e uma crença contínua em D'us, tanto onipotente como benevolente.

Milhares de anos atrás, no primeiro Holocausto da história judaica, acontecido no Egito, o grito de batalha foi: "Deixe meu povo ir!" (Let my people Go) Em nosso tempo, na esteira de um período de incompreensibilidade, nasce um novo slogan: "Deixe meu povo conhecer." (Let my people Know).

Conhecimento é mais que poder. Como escreveu Salomão no Livro dos Provérbios: "Se você não tem conhecimento, do que precisa?" Os sobreviventes tiveram que entender o objetivo de sua sobrevivência. E a resposta poderia ser mais que uma referência banal à "tradição" ou a "um violinista no telhado."

"Deixe meu povo conhecer" (Let my people Know) - e dezenas de milhares de judeus procuraram as respostas nas sinagogas, cursos de educação para adultos, programas de estudos judaicos, grupos de estudos de chavruta [método de aprendizado quando dois a três alunos sentam em yeshivot (Seminarios rabínicos) para estudarem e debaterem determina Mishnáh (tradição oral e explicação da Toráh escrita, os cinco livros de Moises), Guemaráh (Talmud a jurisprudencia Judaica), ou outros textos sagrados], e nas centenas de novas escolas que brotaram para prover o sustento para os pesquisadores espirituais de nossa geração.

De onde vêm todos estes bahalê teshuvá? Os místicos sugerem uma resposta fascinante. Seis milhões de pessoas do nosso povo pereceram. Dentre esses, aproximadamente dois milhões de crianças - bebês, crianças e adolescentes - foram impedidos de realizar seu potencial de vida. Seria possível que D'us permitisse a estas almas uma "segunda chance," que de fato a magnitude do movimento de ba'al teshuváh reflita a profusão destas almas reencarnadas, espalhadas pelo mundo todo? Talvez uma sugestão ultrajante, mas não mais artificial que qualquer outra, para explicar a preponderância, bem como o fervor destes "que retornaram", cuja existência não pode ser contabilizada de nenhuma maneira racional.

Mas como alguém poderia acelerar o processo? O que seria feito para todos aqueles que quisessem, como na época de Hilel aprender "tudo num pé só?" Ao pagão que pediu para aprender toda a Toráh de uma só vez, Hilel respondeu: "O que lhe é odioso, não o faça ao seu próximo," e então completou: "e o restante, vá e estude."

Mas o tempo necessário para dominar o assunto é longo demais para nos permitirmos o luxo de refrear uma resposta mínima para o presente. Os judeus hoje ficam "num pé só" e pedem informação suficiente para permitir-lhes funcionar neste ínterim, bem como a serem inspirados a continuar sua pesquisa intelectual no futuro.

O incidente que lembro com mais carinho, entretanto, diz respeito a um cavalheiro obviamente bem mais velho que os outros estudantes, e que recebera permissão da universidade para sentar-se junto aos calouros para um curso que preparei com inúmeras palestras baseadas em perguntas levantadas por centenas de pessoas que passaram por elas e que originaram meu livro "Entendendo o Judaísmo". Como era meu hábito, sempre que notava alguém que não estava assistindo a aula para receber créditos, pedi ao visitante que me encontrasse após a aula, para que eu soubesse mais sobre sua identidade e seu desejo para uma educação judaica mais completa.

Aquilo que ele me disse permanece comigo até hoje. "Sou um médico" - e assim que falou seu nome, o reconheci imediatamente como um cirurgião mundialmente famoso com um consultório extremamente bem-sucedido em Park Avenue. "Permita-lhe que lhe diga porque estou aqui," adicionou ele. "Cheguei a um ponto na minha vida em que percebi conhecer muito sobre o corpo humano, mas muito pouco sobre a alma. Quanto mais velho fico, mais entendo sobre os seres humanos, e reconheço que a alma é bem mais importante que o corpo. Está na hora de reorganizar minhas prioridades. Pretendo arrumar um tempo para descobrir mais sobre mim mesmo, minhas raízes, meu povo e meu D'us. Espero que isto me transforme não apenas num ser humano melhor, mas também num melhor médico."

Por um ano inteiro, este famoso e destacado profissional assistiu às aulas, sem perder uma sequer. Eu pensava freqüentemente de como deve ter sido difícil para ele organizar seus compromissos. Mesmo assim ele o fez, infalivelmente. Senti que havíamos criado um vínculo especial, tanto de amizade como de aluno-professor. Imagine como fiquei surpreso ao ouvir de seus lábios, em nossa última aula juntos, o que pareciam palavras de repreensão:

"Há apenas uma coisa pela qual não posso perdoá-lo, Rabino," disse-me ele. "Aprendi muito consigo. Como ousa privar aqueles que não podem comparecer fisicamente a esta aula de suas palestras? Não o perdoarei até que este curso, que mudou minha vida, torne-se um livro ao alcance de todos."

Posso apenas rezar para que este artigo faça os reparos necessários, que ajeitem nossas falências espirituais. Possam aqueles que ler estas simples palavras ser tão iluminados, inspirados e enriquecidos como o foram os incontáveis estudantes cujos comentários e perguntas ajudaram a criá-lo. Os esforços para recuperar e atrair aos nossos jovens, nunca pode ser limitado, não devemos medir-lo, já que eles são a fonte de inspiração, são o manancial inagotavel que leva a dizer: devemos lembrar, mais também devemos construir a senda que nos leve a Jerusalém.

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“Este texto foi baseado em conceitos do Livro entendendo o Judaísmo, do Rabino Adin Steinsaltz, é de uma palestra realizada em Setembro de 2001, para pais em uma escola judaica, chamada: “Deixa Meu Povo Conhecer”.

quinta-feira, abril 28, 2011

Nem Sempre Freud Explica...

Três Momentos, Três Vidas

Uma historia veridica a respeito de Victor Frankl, o criador da Logoterapia

clip_image002

clip_image003Gostaria de partilhar com vocês uma história sobre uma menina judia que se tornou cantora de ópera, cantando na frente de Adolf Hitler, sobre um mundialmente famoso mestre espiritual judeu e sobre um psiquiatra também mundialmente famoso – e como essas três vidas se tocaram.

Foi um estranho fenômeno. O afamado professor Victor Frankl. autor do eterno campeão de vendas “a Busca do Homem por um Significado” e fundador da Logoterapia, todo ano enviava um cheque para o Chabad de Viena antes das Grandes Festas. Ninguém no Beit Chabad ou na comunidade judaica podia entender por quê. Aqui estava um homem que não era afiliado de maneira alguma com a comunidade judaica de Viena. Ele não comparecia à sinagoga nem sequer em Yom Kipur. Era casado com uma católica muito religiosa. Não foi enterrado no cemitério judeu de Viena. Porém, não deixou sequer um único ano de enviar uma contribuição a Chabad antes de Yom Kipur.
O enigma somente foi esclarecido em 1992.

Eu Sou o Primeiro Emissário

Margareta Chajes entrou no escritório de meu colega, Rabino Jacob Biederman, embaixador de Chabad na Áustria. Rabino Biederman construiu o magnífico “Campus Lauder” em Viena, criando um renascimento judaico na Áustria, o país que deu nascimento ao maior monstro da história, Adolf Hitler (yemach sehmo).

Margareta, uma mulher de 85 anos, estava muito bem vestida, e parecia jovem e enérgica. Ela disse ao rabino Biederman: “Sei que você é o primeiro sheliach, o primeiro emissário, do Rebe de Luavitch a Viena; porém não se trata disso. Atuei como a primeira embaixadora do Rebe na cidade, muitos anos antes de você.”

Na década de 1930 Margareta era uma jovem cantora de ópera em Viena. Ela chegou até a atuar no Festival de Ópera de Salzburgo em 1939, na presença do próprio Hitler. Fugiu para os Estados Unidos, mas perdeu a família no Holocausto. Anos depois, ela fez uma visita ao Rebe que tornou-se uma figura paterna para ela.

Dos Chassidim para a Ópera

Ela começou a relatar sua história. O nome de solteira de Margareta era Hager; era herdeira da famosa família chassídica Hager, que produziu o Rebe e os líderes do grupo chassídico de Vishniz.

Quando jovem, ela saiu de casa. O estilo de vida e as crenças de seus pais não a inspiravam. Viajou ao centro cultural do mundo, Viena, onde Margareta Hager, neta dos Rebes chassídicos Vishnitzer, se tornou cantora de ópera.

Margareta cantou no Festival de Salzburgo dos anos 1930 – um importante festival de música e drama, apresentado todo verão na cidade austríaca de Salzburgo, terra natal de Wolfgang Amadeus Mozart.

Em 12 de março de 1938, tropas germânicas marcharam para Salzburgo. A Anschluss – anexação da Áustria pela Alemanha – agora estava completa, e a ideologia nazista começou imediatamente a afetar o Festival de Salzburgo. Todos os artistas judeus foram banidos, os maestros e compositores judeus foram “deletados”. Porém Margareta Chajes ainda estava se apresentando.

Em agosto de 1939, Hitler compareceu a duas óperas de Mozart. Ele não sabia que uma das jovens cantando tão magnificamente era uma jovem judia, herdeira de uma família chassídica: Margareta Chajes.

Pouco depois, a administração geral fez um anúncio de surpresa dizendo que o Festival terminaria a 31 de agosto – uma semana antes do final programado para 8 de setembro. O motivo era, supostamente, que a Filarmônica de Viena teria de se apresentar na Convenção do Partido em Nuremberg. Porém os alemães eram mentirosos brilhantes. O verdadeiro motivo se tornou aparente em 1º de setembro, quando o exército alemão invadiu a Polônia e desencadeou a Segunda Guerra Mundial – há exatos 70 anos – que exterminou um terço de nosso povo, incluindo grande parte da família de Margareta.

Na própria noite do seu desempenho no Festival de Salzburgo, amigos próximos a contrabandearam para a Itália. Dali ela conseguiu embarcar no último navio para os Estados Unidos antes que a guerra irrompesse dias depois. Margareta estabeleceu-se em Detroit, onde se casou com um jovem judeu de sobrenome Chajes (neto de um dos mais famosos rabinos e comentaristas talmúdicos do século 19, o Maharatz Chayot) e tiveram uma linda filha.

Para encurtar uma longa história... Estamos agora muitos anos depois da guerra. Os judeus estão reconstruindo suas vidas e suas carreiras. Os rabinos estão reconstruindo suas comunidades. Porém um rabino estava pensando não apenas na própria comunidade.

Veja, a filha de Margareta casou-se com um proeminente médico judeu, que foi homenageado com um jantar numa instituição Chabad nos Estados Unidos. Sua sogra, Margareta, conseguiu uma audiência com o Rebe de Lubavitch, Rabi Menachem Mendel Schneerson.

“Entrei na sala do Rebe,” relatou Margareta ao Rabino Biederman, “não posso explicar por quê, mas de repente, pela primeira vez depois do Holocausto, eu senti que podia chorar. Eu – como tantos outros sobreviventes que tinham perdido famílias inteiras – jamais tinha chorado antes. Sabíamos que se começássemos a chorar, talvez não parássemos nunca mais, ou que para sobreviver não poderíamos expressar nossas emoções. Porém naquele momento, foi como se uma represa obstruindo minha catarata de lágrimas fosse retirada. Comecei a soluçar como um bebê. Partilhei com o Rebe toda a minha história: a infância inocente; a saída de casa; tornar-me uma estrela em Viena; cantar na frente de Hitler; escapar para os Estados Unidos; saber da morte dos meus parentes mais próximos.

“O Rebe ouviu. Porém ele não escutou somente com os ouvidos. Ele ouvia também com os olhos, com o coração, com a alma, e ouviu tudo. Compartilhei tudo aquilo e ele absorveu tudo. Senti que o Rebe me adotara como sua filha.”

Dois Pedidos

Ao final da minha conversa com o Rebe, expressei meu forte desejo de voltar a Viena para uma visita. O Rebe pediu que antes que eu fizesse a viagem, fosse visitá-lo novamente.

Pouco tempo depois, a caminho de Viena, visitei o Rebe. Ele pediu-me um favor: visitar duas pessoas durante minha estada na cidade. A primeira era o Rabino Chefe de Viena, Rabino Akiva Eisenberg, para levar-lhe recomendações do Rebe (o Rebe disse que seu secretariado me daria os detalhes e a literatura para dar a Rabino Eisenberg). A segunda pessoa que ele queria que eu visitasse eu teria de procurar por mim mesma. O Rebe disse que era um professor da Universidade de Viena e seu nome era Dr. Victor Frankl.

Você Vai Vencer

“Transmita minhas recomensacões ao Dr. Frankl,” disse o Rebe, “e diga a ele em meu nome que não deve desistir. Ele deve continuar forte e prosseguir sua obra com vigor e paixão. Se ele continuar forte, vai vencer.”

Usando o dialeto alemão, para que Margareta pudesse entender, o Rebe falou durante um longo tempo sobre as mensagens que ele desejava transmitir ao Dr. Frankl. Quase quarenta anos depois ela não lembra todos os detalhes, mas o ponto principal era que o Dr. Frankl jamais deveria desistir e deveria continuar trabalhando para atingir suas metas com coragem e determinação inabaláveis.

“Não entendi uma palavra que o Rebe disse. Quem era Dr. Frankl? Por que o Rebe estava lhe enviando essa mensagem? Por que por meu intermédio? Eu não tinha resposta para nenhuma dessas peguntas, mas obedeci.”

Margareta viajou a Viena. Sua visita a Rabino Eisenberg foi simples. Encontrar Victor Frankl provou ser mais difícil. Quando ela chegou à Universidade, foi informada que o professor não tinha aparecido há duas semanas. Portanto não havia como encontrá-lo. Após algumas tentativas frustradas de localizá-lo na Universidade, Margareta desistiu.

Sentindo-se culpada por não cumprir o pedido do Rebe, ela decidiu desrespeitar os costumes austríacos. Procurou o endereço particular do professor, foi até lá e bateu à porta.

Uma mulher atendeu: “Posso ver o Professor Frankl, por favor?”

“Sim, espere um pouco.”

“Vi uma sala repleta de cruzes,” continua o relato de Margareta. “Obviamente era um lar cristão. Pensei comigo mesma que deveria ser um engano; esta não pode ser a pessoa que o Rebe me encorajou a conhecer.”

Veja, em 1947 Frankl casou-se com sua segunda esposa – uma católica muito devota, Eleonore Katharina Schwindt.

Viktor Frankl apareceu alguns instantes depois. Após certificar-se que ele era o professor da Universidade, ela disse que tinha recomendações para ele. “Ele estava bastante impaciente, e pareceu muito desinteressado. Senti-me pouco à vontade.”

“Trago recomendações de Rabi Schneerson do Brooklyn, em Nova York,” disse-lhe Margareta.

“Rabi Schneerson pediu-me para lhe dizer em nome dele que o senhor não deve desistir. Deve permanecer forte e continuar sua obra com determinação inabalável, e assim vai vencer.”

“Não se entregue ao desespero. Continue marchando com confiança,” disse Rabi Schneerson, “e eu prometo que terá grande sucesso.”

“De repente, o desinteressado professor desmoronou. Ele começou a soluçar como um bebê. Não conseguia se acalmar. Eu não entendia o que estava acontecendo. Apenas o via soluçar incontrolavelmente.

“Uau,” disse o Dr. Frankl. “Este Rabino do Brooklyn sabia exatamente quando mandar você aqui.” Ele não sabia como agradecer a ela o suficiente.

“Então, vê só, Rabino Biederman... ”Margareta completando o seu relato. “Fui emissária do Rebe em Viena muitos anos antes de de o senhor aparecer.”

Grato para Sempre

Rabino Biederman ficou intrigado. Victor Frankl tinha agora 87 anos de idade e era uma celebridade internacional. Escrevera 32 livros que foram traduzidos em 30 idiomas. Seu livro “Man’s Search for Meaning”, “A Busca do Homem por um Significado” foi considerado pela Biblioteca do Congresso como um dos livros mais influentes do Século Vinte. Qual era o segredo por trás da mensagem do Rebe a Victor Frankl?

“Eu o chamei imediatamente,” lembra Biederman.

“Você se lembra de Margareta Chajes?” perguntou Rabino Biederman ao Dr. Frankl.

“Não,” respondeu o professor. Bem, ele pode ser perdoado. Mais de 40 anos tinham se passado.

“Você se lembra de uma recomendação que ela lhe trouxe da parte de Rabi Schneerson do Brooklyn?” perguntou Rabino Biederman ao professor.

De repente houve uma mudança em sua voz. Dr. Frankl derreteu como manteiga numa frigideira quente.

“Claro que me lembro. Jamais esquecerei. Minha gratidão ao Rabi Schneerson é eterna.”

E Victor Frankl começou a desvelar o “resto da história”, que capta um dos mais notáveis debates dos últimos 100 anos, encerra a essência do Judaísmo e nos revela o segredo de Kol Nidrei.

Nos Campos

Victor Frankl nasceu em 1905 – três anos depois do Rebe de Lubavitch – em Viena. O jovem Frankl estudou Neurologia e Psiquiatria e em 1923 tornou-se parte do seleto círculo de um dos judeus mais famosos da época, Dr. Sigmund Freud, o “Pai da Psicanálise”, que morava e trabalhava em Viena.

A “solução Final” não poupou a família Frankl (7). O pai e a mãe de Victor foram mortos em Auschwitz; sua primeira esposa judia, grávida, foi assassinada em Bergen Belsen. Todos os seus irmãos e parentes foram exterminados. Professor Frankl foi o único sobrevivente (ele tinha uma irmã que emigrou para a Austrália antes da guerra.) Ele retornou a Viena onde ensinou Neurologia e Psiquiatria na Universidade de Viena.

O Grande Debate

Já antes da guerra, e ainda mais durante seus três anos nos campos nazistas, Victor Frankl desenvolveu ideias que diferiam radicalmente daquelas de Freud. Porém todo o corpo docente de seu departamento na Universidade era formado por ferrenhos eruditos freudianos. Academicamente, eles diminuíam Victor Frankl, chamando suas ideias de “pseudo-ciência”, e a piada do século.

Veja, amigos, não era um debate pequeno. Esses dois judeus estavam debatendo o significado da identidade humana e Victor Frankl estava advocando uma opinião extremamente diferente da então dominante teoria freudiana. Numa palavra: um ser humano tem uma ALMA, que nós judeus chamamos de neshamá.

Freud, como a maioria das escolas médicas. enfatizava a ideia de que todas as coisas se resumem à fisiologia. A mente e o coração humanos podem ser mais bem entendidos como um “efeito colateral” dos mecanismos cerebrais. Os seres humanos são como máquinas, reagindo a estímulos vindos do interior ou do exterior, uma máquina completamente física, previsível e desprovida de divindade, embora uma máquina muito complicada, criando psicóticos, neuróticos e, claro, psiquiatras.

[A diferença? O neurótico constrói castelos no ar; o psicótico mora dentro deles, e o psiquiatra? –Ele cobra aluguel de ambos.]

Victor Frankl discordava. Ele sentia que Freud e seus simpatizantes reduziam o ser humano a uma mera criatura mecânica, privando-o de sua verdadeira essência. “Se Freud estivesse nos campos de concentração,” escreveu Frankl, “ele teria mudado sua posição.” Além dos impulsos e instintos das pessoas, ele teria encontrado a “capacidade humana de auto-transcendência.” O homem é aquele ser que inventou as câmaras de gás de Auschwitz; no entanto, ele é também aquele ser que entrou naquelas câmaras de cabeça erguida, com o Shemá Yisrael em seus lábios.”

“Nós que estivemos em campos de concentração podemos lembrar dos homens que passavam pelos barracões confortando outros, dando-lhes seu último pedaço de pão. Talvez eles tenham sido poucos em número, mas foram prova suficiente de que tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: A última das liberdades humanas – escolher a própria atitude em qualquer conjunto de circunstâncias, escolher o próprio caminho.”

É claro que há muitas coisas na vida sobre as quais não temos controle. Porém há uma dimensão do ser humano – a essência da identidade humana – que nada nem ninguém pode controlar. É transcendente pela própria natureza – livre, desinibida, integral e profundamente espiritual, jamais definida pelas circunstâncias da vida e suas limitações, mas sim livre para defini-las, para definir seu significado e mensagem.

Uma pessoa – ensinava ele – não era um filho do seu passado, mas sim o pai de seu futuro.

Escárnio

Porém na Universidade, nos anos 40 1 50, eles definiam as ideias de Frankl como sendo de religiosidade fanática, que despertava todas as antigas e não-científicas noções de consciência, religião e culpa. Não era popular para os alunos frequentarem os seus cursos.

“A situação era horrível ,” disse Frankl ao Rabino Biederman. Então acrescentou essas palavras chocantes: “Eu pude sobreviver aos campos da morte alemães, mas não poderia sobreviver à horrível zombaria de meus colegas na Universidade, que não paravam de me provocar e de diminuir cada progresso que eu fazia.”

“A pressão contra mim era tão grave, que decidi desistir. Era simplesmente demais para suportar emocionalmente. Eu estava esgotado, exausto, deprimido. Caí num estado de melancolia. Eu estava assistindo a todo o trabalho da minha vida desmoronar perante meus olhos. Um dia, sentado em casa, comecei a rascunhar meus papéis de desistência do emprego na Universidade. Na batalha entre Freud e Frankl – Freud sairia triunfante. A falta de alma se provaria mais poderosa que a existência da alma.

Esperança

“E então de repente, enquanto estou sentado em minha casa, deprimido, rejeitado, sentindo-me por baixo, eis que entra uma linda mulher. Ela me dá lembranças de um mestre chassídico, Rabi Schneerson do Brooklyn, New York. Sua mensagem? ‘Não ouse desistir. Não ouse se desesperar. Se você continuar sua obra com absoluta determinação, vai vencer.’ Eu não podia acreditar em meus ouvidos. Alguém no Brooklyn, nada menos que um Rebe chassídico, sabia do meu sofrimento? E ainda mais – ele se importava com o meu sofrimento? E o que era ainda mais – ele enviara alguém para me localizar em Viena para dar-me coragem e inspiração?”

“Comecei a chorar. Solucei descontroladamente. Eu estava tão abalado. Senti-me um homem transformado. Era exatamente aquilo que eu precisava ouvir. Alguém acreditava em mim, no meu trabalho, nas minhas contribuições, em minhas ideias sobre a infinita transcendência e potencial da pessoa humana e na minha capacidade de vencer.
“Naquele mesmo instante eu soube que não me renderia. Rasguei meus papéis de demissão. Uma nova vitalidade começou a brotar dentro de mim. Eu estava confiante, seguro e motivado.”

“Na verdade,” continuou Frankl, “as palavras dele se tornaram realidade. Poucos meses depois, recebi uma cadeira na Universidade.”

E pouco tempo depois, a obra magna de Frankl, “A Busca do Homem por um Significado” foi traduzida para o inglês. Tornou-se não apenas um contínuo campeão de vendas até hoje, como tem sido considerado um dos livros mais influentes do Século Vinte.

A carreira do professor começou a decolar. Aquele que já sofrera zombarias tornou-se um dos mais celebrados psiquiatras de uma geração. “A Busca do Homem por um Significado” foi traduzido em 28 idiomas e já vendeu mais de 10 milhões de cópias durante sua vida. Frankl tornou-se um palestrante convidado a 209 universidades em todos os 5 continentes, recebeu 29 doutorados honoríficos de universidades do mundo inteiro, e recebeu 19 prêmios e medalhas nacionais e internacionais pela sua obra em psicoterapia.

Seu tipo de terapia inspirou milhares de outros livros, seminários, workshops, grupos espirituais e new-age, que têm sido todos baseados nas ideias de Frankl sobre a capacidade singular do ser humano de escolher seu caminho e descobrir significado em toda experiência. Desde “A Estrada menos viajada” de Scot Peck até “Sete Hábitos” de Steven Covey, e centenas de outros campeões de vendas nos últimos 30 anos, todos eles foram estudantes das perspectivas de Victor Frankl.

Victor Frankl concluiu sua história ao Rabino Biederman com essas palavras: “Serei para sempre grato a ele,” ao Rebe de Lubavitch. Eu amo Chabad.”

Não sabendo com quem estava falando também, Frankl acrescentou: “Há alguns anos, Chabad estabeleceu-se em Viena. Comecei a dar-lhe apoio. Você também deveria ajudar. Eles são o que há de melhor…”

E finalmente, Rabino Biederman entendeu por que ele recebia um cheque pelo correio antes de cada Yom Kipur.

A conversa deles chegou ao final.

Tefilin todo dia

Porém a história não terminou. Em 2003, Dr. Shimon Cown, um australiano de Lubavitch especialista em Frankl, foi visitar sua viúva não-judia, Elenor, em Viena.

Ela pegou um par de tefilin e mostrou a ele: “Meu falecido marido colocava isto cada dia, todos os dias,” disse ela.

Então tirou um par de tsitsit que ele fizera para si próprio.

À noite na cama, Victor costumava recitar o Livro de Tehilim (Salmos).

Vocês entenderam? Em Yom Kipur ninguém o via na sinagoga, mas ele não perdia um dia de Tehilim.

Quando lhe perguntavam em entrevistas se ele acreditava em D'us, ele geralmente não dava uma resposta direta.

Porém ele não perdia um dia de tefilim!

Oy, que judeu!

O Soldado

Em 1973, um soldado israelense jazia no hospital, deprimido e rejeitado, dizendo que queria cometer suicídio.

Veja, ele tinha perdido as duas pernas na Guerra de Yom Kipur. Sentia que sem as pernas seu futuro não trazia qualquer esperança.

Um dia, entrou um médico no quarto. O soldado estava sentado ereto, e parecia relaxado e feliz. O médico olhou para ele, e viu que seus olhos tinham recuperado aquele olhar ardente.

“O que aconteceu?”, perguntou o médico.

O soldado apontou para sua mesa de cabeceira. Ele tinha acabado de ler “A Busca do Homem por um Significado” e as histórias sobre como certos judeus se comportavam nos campos da morte. Ele aprendeu sobre a capacidade do ser humano de escolher transformar a adversidade em triunfo, descobrindo o significado nas experiências de sua vida. “Isso me transformou,” disse o soldado.

Uma Mensagem

Este, amigos, foi o potencial que o Rebe viu quando decidiu enviar Margareta a uma missão em Viena.

Imagine: uma única mensagem de um homem no Brooklyn que se importava, literalmente transformou dezenas de milhões de vidas!

E qual era a mensagem? Não se desespere. Você vai vencer. Pois o Lubavitcher Rebe estava determinado a espalhar esta mensagem ao mundo: nóspossuímos uma alma, sem sombra de dúvidas; a alma é a parte mais profunda e real de nós mesmos; e que, não viveremos uma vida plena se não acessarmos nossas almas.

O que é uma alma?

Uma alma é nossa identidade interior, nossa razão de ser. A alma da música é a visão do compositor que energiza e dá vida às notas tocadas na composição musical. As verdadeiras notas são como o corpo expressando a visão e o sentimento da alma dentro dele. Cada alma é a expressão da intenção de visão de D'us ao criar aquele ser específico. A alma é o próprio tecido de nosso ser – como foi concebido pela visão de D'us ao querer que nós existíssemos. Cada um de nós é uma nota musical única numa grande composição cósmica. Cabe a nós descobrir nossa alma – nosso chamado mais alto – e tocar sua música única.

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Uma historia relatada pela “primeira embaixadora do Rebe” em Viena, Áustria. Muito antes que exista um sheliach do Rebe. Agradeço de coração por haver recebido esta historia e poder transmitir-lá no Blog, para o conhecimento de muitos a respeito da magnitude e a grandiosidade do Rebe, e seu amor pelo próximo. Que siga nos iluminando e guiando.