quinta-feira, abril 01, 2010

SHIR HASHIRIM

O CANTICO DOS CANTICOS

Shir Hashirim - O conteúdo deste magnífico canto composto pelo Rei Salomão, foi explicado pelos cabalistas hebreus como um diálogo entre o povo de Israel e seu Criador, sendo Salomão (Shelomó - She - Hashalom - Lo - Líder da paz entre ambos) o intérprete de dito diálogo, por meio de alegorias.

O Rei Salomão, havendo previsto que no futuro um exílio longo e amargo entre todas as nações do mundo iria sobreviver ao Povo de Israel, escreveu, através de uma inspiração Divina, o “Cantar dos Cantares”. O Talmud explica este feito com a seguinte parábola:

“Um rei que havia ficado muito bravo com sua esposa, o tirou do palácio e ela andava errante por todas as partes do mundo. Esta rainha havia tido um filho do rei, o qual era muito inteligente e de bom coração. Naturalmente o jovem sofria vendo a sua mãe nesta lamentável situação, afastado de seu pai, longe de seu país, perseguida e maltratada por estranhos, sem que ninguém tivesse piedade dela. Pensando de que maneira poderia reconciliar seus pais, notou que o rei, apesar de haver expulsado a rainha, a levava em seu coração e não podia esquecer o amor e a devoção que ela lhe tinha na mocidade.

Por outra parte, o filho também viu que sua mãe, apesar dos sofrimentos e humilhações do exílio, nunca deixava de pensar em seu esposo, o rei, nem abandonou suas virtudes e tradições reais.

Havendo-se assim assegurado que existia amor de ambas as partes, o jovem pensou que a sua missão de paz seria fácil, e com esta finalidade escreveu um poema de amor, em forma de diálogo: uma parte em nome de rainha e a outra em nome do rei. Ela, descrevendo com todos os detalhes a grandeza e formosura do rei e suas antigas promessas para com ela; e outra, em nome do rei, detalhando a beleza excepcional da rainha e elogiando suas virtudes, castidade e felicidade, apesar de seus erros do passado”.

De acordo com os rabinos do Talmud, esta foi a intenção com que Salomão, o filho sábio e fiel do povo de Israel, escreveu o “Cantar dos Cantares”.

A rainha, logicamente, representa a congregação de Israel, expressando seu amor puro a D’us e a Toráh, e santificando o nome do criador por todas as partes, apesar de sofrer as calamidades do exílio; e o monarca, representa o rei dos reis, o Senhor de Israel, exaltando a Assembléia de Israel tal como o descreve o profeta Jeremias (capítulo II, 2): “Assim disse o Senhor: lembro-me do carinho que me tinhas na tua juventude, do amor de teus desposórios, quando me seguistes pelo deserto em uma terra não semeado. Israel é santidade do Senhor, as primícias de seus frutos, todos os que devoram serão culpáveis, o mal virá sobre eles, disse o Senhor”.

Eis aqui algumas frases entre o Rei (D’us) e a Rainha (Assembléia de Israel): Ele lhe disse (I, 15): É linda, minha companheira, és linda; teus olhos são como os de pombas! E ela lhe responde (I, 16): És lindo, oh meu amado, agradável também! E o nosso leito é de flores”. Em outra parte (II, 2) Ele lhe diz: “como o lírio entre os espinhos (perseguidores), assim és minha amiga entre o povo”; e ela lhe responde (II, 3): “como a macieira entre as árvores da floresta, assim é meu amado entre os mancebos; a sua sombra desejo sentar-me e o seu fruto é doce ao meu paladar”.

Apesar das expressões de amor e nostalgia contidas no “Cantar dos Cantares” parecem referir-se ao amor humano e a beleza física do homem e da mulher, seu objetivo principal não é mais que descrever alegoricamente as virtudes do povo de Israel e sua fidelidade ao Criador e a seus preceitos, como também o amor a D’us até seu povo predileto.

O Milagre do "Lechá Dodi"

O Milagre do "Lechá Dodi"



Em 01/09/1941, na França, um decreto obrigou os judeus a usarem a estrela de David. Mas foi antes, em 1940, vários meses após a França ter sido invadida pelos nazistas, que ocorreu um verdadeiro milagre em Lyon.

Uma pequena congregação de judeus preparava-se para receber o Shabat.

Apesar da nuvem negra que dominava toda a Europa na época, eles se preparavam para os serviços religiosos, em sua sinagoga.

A população da cidade, judeus e não judeus, estava como que adormecida pelos acontecimentos, como a derrota da França e o desespero geral que começara a permear toda Europa.

Em Lyon refugiou-se o Rabino Chefe da França, Rabi Jacob Kaplan, que tinha abandonado Paris. E uma das primeiras coisas que fez foi organizar uma nova congregação. A vida para todos os judeus da cidade naqueles dias sombrios da escalada nazista, era muito amarga. Com o coração repleto de gratidão, os judeus se reuniam, uma vez por semana, em uma modesta casa de oração em Lyon, durante algumas horas de oração e estudo no Shabat e, esqueciam por uns momentos o flagelo aterrador do nazismo, cada vez mais próximo.

Em Lyon, como em outras partes da França de Vichy e da França ocupada, havia vários grupos pró-nazistas. Eram franceses fascistas que compartilhavam a atitude nazista em relação aos judeus e estavam sempre prontos a apoiar os planos dos nazistas de acabar com o povo judeu.

Naquela noite de sexta-feira em Lyon, a pequena congregação de refugiados do norte da França estava reunida para dar as boas vindas ao Shabat. O serviço religioso chegava ao fim e os congregantes cantavam a oração "Lechá Dodi", que fala sobre "a chegada das notícias sobre o Dia da Redenção”.

Como é costume em muitas sinagogas, na conclusão dessa parte do serviço religioso, todos os presentes voltam-se, dando as costas ao santuário, para "receber a noiva - o Shabat".

Os fiéis tinham acabado de se voltar para a porta de entrada quando as últimas frases do canto, como que congelaram, repentinamente. De pé, à porta, estava um grupo de simpatizantes nazistas, mascarados, com granadas nas mãos prontas para serem detonadas - sem deixar dúvidas do massacre que estava por se iniciar.

Mas os prováveis assassinos ficaram petrificados, pois não contavam encontrar os judeus de frente, encarando-os clara e diretamente. Haviam planejado infiltrar-se sorrateiramente vindos de trás, atirar as granadas e escapar pelas sombras da noite como haviam chegado. Mas os judeus também permaneceram, imóveis, incrédulos, petrificados, e os nazistas rapidamente mudaram de idéia. Com as granadas ainda nas mãos, retiraram-se, excetuando-se um homem que atirou sua bomba que explodiu ao chocar-se contra a parede da sinagoga sem causar vítimas.

E tudo não passou de um momento. Apavorados, ainda estarrecidos com o que se passara, os membros da congregação viraram-se de volta, desta vez com o olhar dirigido para a Arca Santa, e sentaram. Alguns soluçavam, outros suavam frio e outros estavam imóveis como estátuas. O Rabino Kaplan voltou ao púlpito. Sua voz, na qual se percebia ligeiro tremor, disse:

"Meus irmãos, acabamos de presenciar um milagre. Estamos salvos, pois no momento do perigo estávamos voltados à porta de entrada, para receber a chegada do Shabat, a Noiva de Israel. Os homens maus se foram, mas a Noiva permanece conosco. Saudêmo-la!" Conseguindo recuperar a voz e o fôlego, a congregação entoou o verso final da oração: "Vem, ó Noiva, juntos damos as boas vindas ao Shabat”.

Nunca saberemos ao certo o que se passou na cabeça dos quase-assassinos naquela fração de segundo em que a pequena congregação de judeus franceses os encarava como um grupo, ao ponto de os assustar e demover de seus intentos malignos. Em Lyon, hoje em dia, judeus mais idosos ainda comentam o milagre do "Lechá Dodi". Revivamos em cada Shabat, “o milagre”.



quinta-feira, março 25, 2010

Ishmael e as circunstancias da  prova existencial  do Povo Judeu


                 “A re-ocupação (O porque não falar de Liberação) da nossa terra não pode ser chamada de roubo por ninguém que apóie o direito à existência judia como um povo separado e diferente, mais com obrigações, direitos e sentido de respeito pela humanidade”.

A história judia é dramaticamente diferente a história de outros povos. Tem um aspecto de inevitabilidade. Enquanto a história de outras nações só pode ser escrita com o decorrer dos acontecimentos, de fato o significado da história mundial é o estudo do passado-a história judia tem a distinção única de ter sido escrita pela Toráh antes de ter acontecido.

Assim como está estabelecido na Toráh, o período que atualmente estamos vivendo é conhecido como o de ”as dores do parto”, associados com o nascimento do Messias. O choro do profeta não judeu Bilam - “Alas! Quem pode sobreviver à devastação divina” (números 24:23), era uma referência específica a nossa era. Os judeus nunca experimentaram um século tão cheio de sofrimento.

O Zohar (Livro principal da Cabaláh, significa esplendor) expunha (1:119) que esta era tão devastadora da história judia está relacionada especificamente com a luta por Jerusalém com as nações guiadas pelos descendentes de Ishmael (os árabes).

Qual é a associação entre as dores do parto do Messias, a devastação e o relacionamento com os descendentes de Ishmael?

A chave está em compreender o motivo do Exílio.

O Exílio

O Rabino Dessler explica que o exílio deve ser visto como uma prova existencial cuja sobrevivência automaticamente corrige um buraco no sentido da identidade e consciência pessoal.

Se não tivesse esse erro no caráter, ou se fosse corrigida pelos mesmos judeus internamente, o exílio não teria sentido. Dessa forma, cada exílio está relacionado com um pecado.

Mas o objetivo do exílio é positivo e representa uma ferramenta corretiva muita poderosa. E, precisamente, pela relação entre exílio e caráter judeu que a Toráh pode escrever a história judia por antecipadamente.

Cada exílio exerce uma poderosa pressão para assimilar o povo judeu-e é aqui onde se encontra a prova.

Objetivamente, não têm justificativa para perseguir aos judeus. Fisicamente, são iguais às demais pessoas; e, é geralmente, o grupo social mais produtivo em relação a sua quantidade. Só devemos pensar no número desproporcional de ganhadores do Prêmio Nobel, autores, doutores, etc.... posto que o judeu acha que seus problemas se originam no fato de que é percebido como alguém diferente, a assimilação é sempre a solução lógica para o problema do exílio.

Se o judeu de qualquer maneira se nega à tentação de assimilar-se, é só pelo fato de decidir que sua judeidade é fundamental para sua pessoa. Se a solução para o problema da perseguição é render-se voluntariamente a seu Judaísmo, esse é um preço muito elevado a pagar. A resistência à tentação de assimilar-se que se apresenta com o exílio reforça seu compromisso com o judaísmo.

Vamos tentar aplicar a teoria do exílio do Rabino Dessler à nossa era particular. Para fazê-lo, devemos nos familiarizar-nos com Ishmael e compreender qual o tipo de tentação para com a assimilação está associada com o exílio que nos impõe.

Ishmael

Abraham e Sarah eram um casal sem filhos. Sarah tinha uma empregada egípcia chamada Hagar, quem passou a ser concubina de Abraham para que tivesse um bom filho para poder criar.

Quando Hagar concebeu, compreendeu isto como uma elevação de seu status e não estava mais disposta a ser a empregada de Sarah. Esta reafirmou sua autoridade sobre Hagar destratando-a. Então Hagar resolve fugir.

D’us mandou um anjo persuadir Hagar para que regressasse. O anjo lhe diz que terá um filho- Ishmael- que será um grande homem no mundo. Descrevendo sua grandeza o anjo diz:

“Será um homem selvagem. Sua mão estará contra todos, e a mão de todos estará contra ele. Igualmente, viverá sem ser molestado entre seus irmãos” (Gênesis 16:12).

Rashi (celebre comentarista da Toráh, Tanach - Biblia e Talmud a tradição oral) explica que este conceito de “sua mão estará contra todos” é uma referência de roubo - Ishmael teria uma tendência a roubar. (Midrash Tanchuma* - Êxodo 1).

A associação de Ishmael com o roubo aparece outra vez: “D’us chegou desde o Sinai, tendo ficado em Seir, tendo aparecido ante eles no Monte de Paran” (Deuteronômio 33:2). Antes de ser entregue a Toráh ao povo judeu, D’us aproximou-se dos povos para oferecer-lhes a Toráh e esperou que alguém a aceitasse. Dentre esses povos estava o povo de Ishmael (cujo lar era o Monte de Paran referido no versículo). D’us lhe diz: «Estão interessados em receber a Toráh? Eles perguntaram: E o que está escrito nela? D’us replicou: “Entre outras coisas está escrito não roubar”. Eles replicaram: Mas esta é a benção que nossos antepassados nos deram, como está escrito: “Será um homem selvagem”. Sua mão estará contra todos, e a mão de todos estará contra ele». Se a Toráh proíbe o roubo então, como podemos aceitá-la? (Yalkut Ytro** 286).

Como podemos entender tudo isto? Seguramente a lei de Ishmael proíbe o roubo como parte do Código Penal de toda nação civilizada. De fato, a lei religiosa muçulmana trata os ladrões com uma severidade excepcional. Então por que o mandamento de roubo foi o que impediu que Ishmael aceitasse receber a Toráh? Como pode ser o roubo ser uma fonte de “benção”?

Para responder estas perguntas, devemos entender o conceito de roubo num contexto mais amplo, não relacionado ao ato de roubar materialmente.

O significado da benevolência

Ishmael era o filho de Abraham. A maior virtude de Abraham foi a benevolência (Salmos 83:3)

Certo, existe a outra face desse ensinamento. Abraham diz que a essência desse bem que D’us da sem razão nenhuma é o fato de que ele nos oferece uma oportunidade. D’us outorga ao homem a oportunidade de obter o bem verdadeiro ao se aperfeiçoar espiritualmente por meio de seus esforços e assim chegar a elevar -se até o ponto de ganhar o direito de conectar -se com D’us.

Quando alguém internaliza a mensagem completa que Abraham deu ao mundo, se dá conta que a incrível bondade divina nos coloca ante um desafio: tomar vantagens da oportunidade que nos prove uma infinita bondade.de D’us para ganharmos a recompensa por meio de nossos merecimentos. O mundo pode ter sido fundado com pura benevolência, mas estava planejado para acabar em justiça.

Ishmael internalizou só a primeira metade da MENSAGEM DE ABRAHAM... Estava mais que pronto para receber a infinita bondade divina, mas não estava pronto para pegar o desafio que a acompanhava. Desde o ponto de vista de Ishmael, o homem habita um mundo onde D’us dá tudo sem a expectativa de receber nada. Num mundo assim, onde D’us dá tudo por pura benevolência, inclusive quando não seja ganha a relação entre o trabalho e a possessão simplesmente se rompe. Quando se outorga aos seres humanos tudo o que tem por benevolência, o roubo não é visto como um grande mal moral. Depois de tudo, como ninguém têm que ganhar nada, ninguém merece nada. A necessidade e não o direito se converte no standard moral central. Os ladrões, geralmente, precisam mais que suas vítimas. Sua necessidade lhe prove esse “direito moral para roubar”.

O objetivo árabe

Em todas as guerras que Israel teve com Ishmael desde o re-estabelecimento do estado judeu, o medo de perder nunca foi um motivo de ansiedade pelo lado árabe. Os árabes nunca poderão ser seriamente derrotados, porque sempre terão a proteção da comunidade internacional, pois quando começassem a perder muito no campo de batalha, a comunidade internacional lhes ajudaria e pediria um cessar de fogo.

A guerra para as nações árabes sempre foi uma posição de ganhar ou ganhar. Se ganharem, tudo; e, se perderem, igual puderam enfraquecer a determinação e compromisso de Israel ficar com o território ao infligir mortes sem grande perigo para eles. Dó ponto de vista árabe, provavelmente o objetivo maior dessas guerras foi mostrar ao povo judeu que ligar-se a Israel, sempre trará um preço alto de derramamento de sangue judia.

Os árabes que estão envolvidos no terrorismo o fazem com impunidade pela mesma razão. Depois de tudo, nunca há medo de uma represália massiva. Sabem muito bem que os judeus não saem deliberadamente a matar pessoas inocentes. Podem continuar e tentar derramar sangue judeu, sem medo de uma ameaça de represálias contra sua população civil.

A habilidade de magoar aos outros sem a necessidade de considerar as conseqüências lógicas dos atos é a essência do roubo.

Cada ladrão aplica um standard de comportamento para com outros que nunca deixaria que aplicassem nele. Mas acredita que não será pego. Por tanto o comportamento do ladrão está baseado em dois axiomas:

a) Tem o direito moral de causar dano pela sua necessidade,

b) E, é suficientemente inteligente como para fugir da retribuição.

A política árabe para com Israel está baseada nos mesmos dois axiomas. Precisam da terra e sentem que moralmente estão justificados para realizar qualquer mal. Nunca vão ter que confrontar as conseqüências de infligir algum dano.

Esta é a benção que os árabes legaram de Ishmael. Eles têm êxito sem a necessidade de se esforçarem. Não requer muito esforço começar guerras sem se preocupar em perdê-las, ou usar o terrorismo contra indefesos e inocentes. Pela falta desse esforço, colhem a recompensa da aprovação mundial, inclusive estando respaldados em comportamentos detestáveis pelo mundo. Outros sujeitos que quiseram usar essas táticas não chegariam a nenhum lugar. Os descendentes de Ishmael tomam sol.

Inclusive a importância estratégica para o mundo surge do petróleo que está sob sua terra - não há nada que produzam pelo suor de sua testa ou a genialidade de suas idéias. Resumindo, o êxito dos descendentes de Ishmael não se deve a nenhum tipo de tipo de feito realizados por eles. Realmente, eles vivem num mundo de benevolência.

A prova existencial

Mas, qual é a prova existencial dos judeus que comprove esta situação, este exílio?

O primeiro comentário de Rashi em Gênesis dá a chave para a resposta:

Rabi Itzchak diz: “Se a Toráh é um livro de leis devia ter começado com: “Este mês será para ti o primeiro dos meses” (Êxodo 12:2), pois esse é o primeiro mandamento que se da aos judeus como povo. Então, porque começou com o relato da criação? Para estabelecer a soberania divina sobre a terra. Ele declarou a seu povo o poder de Seu trabalho para dar-lhes a herança das nações. (Salmos 111:6). Se as nações acusam a Israel de vandalismo por se apoderar das sete nações cananitas, Israel lhes dirá: “O Universo inteiro pertence à D’us. Ele o criou e o concedeu a quem era adequado a Seus olhos. Foi Seu desejo dar-lhe para eles e foi Seu desejo tirar-lhe e entrega-lhe a nós”.

É algo por demais assombroso a profecia de Rashi. Escrevendo no período mais escuro da Idade Média, onde a idéia de uma soberania judia sobre o Estado de Israel era um sonho impossível, viu o dilema ardente do povo judeu no século vinte e um.

Este é nosso problema: o fato de que o mundo nos toma como intrusos em nosso próprio país é algo esperado, enxergando o tratamento dispensado pelas nações no decorrer da história.

O fenômeno chocante de nossa era é que uma grande parte do povo judeu esta de acordo com esta visão.

O direito de ser

O problema existencial que enfrentamos é precisamente este: temos o direito de estar aqui em Israel, ou somos ladrões que roubamos a terra de alguém e justificamos nosso roubo com base em nossa necessidade?

Sim, temos tal direito e é nossa terra, então devemos resolver nosso problema. Temos suficiente força militar e econômica para suprimir a oposição palestina sob nossa presença aqui. O que não temos é a crença interna na justiça de nossa causa.

Muitos de nós compramos a mensagem árabe que roubamos sua terra e não temos direito de ficar aqui. Carecendo da razão de ter o direito, estamos prontos para dar grandes partes de nosso pequeno território por nada em troca. Assim como não nos sentimos confortáveis sobre a posição de nossa terra nossa postura é muito defensiva. Só quando trata-se do resgate de vidas judias é que requeremos da aplicação da força e inclusive em quantidades limitadas. A incerteza do direito moral de ficar em nossa própria terra é a verdadeira FONTE DE ANGUSTIA e é um ponto focal desse exílio em particular.

A prova existencial do exílio que estamos vivendo está dirigida a todo povo judeu. Para enfrentar com êxito esta prova devemos ter a informação que demonstre nosso direito de estar aqui. Que informação existe que possa nos ajudar a saber que o povo judeu não roubou a terra de Israel dos árabes?

Não há dúvidas de que Israel foi a Terra natal no tempo da destruição do Segundo Templo. Não há dúvidas de que fomos tirados pela força. Flavio Josefo*** e outros historiadores romanos e gregos cujos escritos formam a base de tudo o que sabemos sobre o mundo antigo, testemunham a verdade destes fatos. Os usurpadores que se assentaram aqui o fizeram sob seu risco. Sempre dizemos que voltaríamos. Não somos ladrões.

Mas nosso direito de ficar em Israel não está baseado só em fatores locais. Vejamos a imagem mais ampla presenteada pela história judia nesse contexto.

Por dois mil anos andamos pelo mundo e nenhuma nação estava disposta a nos dar mais que um lar temporal. Fomos repetidamente expulsos de quase todos os países “civilizados” onde estivemos. Fomos torturados, oprimidos e perseguidos. Quando o mundo parecia finalmente mudar em 1948 - quando obtivemos nossa emancipação - essa liberdade também provou ser muito curta. Em menos de cem anos fomos aniquilados mais uma vez. Aqueles que puderam fugir das mandíbulas dos assassinos foram – lhes negada a entrada a todas as nações”civilizadas do mundo”. Ninguém queria se responsabilizar com a inundação de refugiados judeus em grande quantidade.

Sem direito a vida?

Portanto, se não temos direito de viver em Israel, então os judeus não têm direito de viver em nenhum lugar como judeus. A história amplamente demonstra que não temos aonde ir.

Nosso direito a Israel é equivalente a nosso direito a sobreviver. A ocupação de nossa própria terra não pode ser chamada de roubo por qualquer um que apóie o direito judeu de existir como um grupo de pessoas separadas e diferentes. Sim, a pesar de tudo, muitos judeus ainda duvidam de seu direito a Israel. Isso significa que têm dúvida de seu direito a uma existência como um grupo diferente. A única opção a um país judeu é desaparecer como judeus totalmente no redemoinho das demais nações.

Esta é a essência da prova existencial que enfrentarmos. Devemos lutar pelo direito de sobreviver como judeus. Para querer lutar, devemos querer sobreviver. Para desejar sobreviver devemos acreditar em nossa unicidade até o ponto de fazer um sacrifício pessoal necessário para sobreviver. Mas muitos de nós somos tentados a dizer que não vale o preço.

Para poder passar com êxito essa prova devemos enfrentá-la adequadamente sem falsas ilusões. Devemos saber que o poder contrário é Ishmael. Não é uma pessoa que se sentará conosco a dialogar sobre a paz que obterá com seu trabalho e ganhar seu direito a um país independente. Essa pessoa está esperando que Israel lhe seja outorgado pela comunidade internacional numa travessa de prata.

A força de Ishmael

Ishmael se enfrenta com a ameaça de atingir a mudança mais incrível na história da humanidade. O ladrão está tentando persuadir a sua vítima de que está moralmente mal por não lhe dar voluntariamente os fundos que quer lhe roubar. Logrou fazer sentir a um número considerável de judeus que é um ato de roubo se apegar àquilo que realmente lhe pertence.

A força de Ishmael parte de sua habilidade de pensar bem sobre si mesmo diante dos poucos logros. O merecem, e D’us e as nações devem prover-lhes suas necessidades por pura benevolência. Não há fraqueza onde a dúvida interna não existe.

Quando Ishmael vê perto aos judeus se encontra ante uma nação que se encontra insegura de seu direito a existir. Enxerga a grande força militar israelense e a genialidade de sua tecnologia. Os logros só dão força as pessoas que têm orgulho do que são. Não são substitutos de um sentido de ser.

Ishmael não está impressionado dos logros judeus. Só a confiança própria lhes surpreende. A única forma de ganhar-lhes é esperando orgulhosos do que somos e segurando nosso principio básico a resistir ao roubo e proteger nossa propriedade ganha pelo nosso trabalho. Nós, o Povo Judeu não devemos nos desculpar com ninguém.

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* Midrash Tanchuma – conceitos alegóricos do talmud, entre eles temos Midrash Rabáh, Tanchuma, Yalkut Shimoní. Estes conceitos permitem que possamos compreender melhor um texto ou uma passagem bíblico.

** Yalkut Itro: É uma explicação alegórica a porção semanal – perasháh Itro – Itro, que vem do Talmud, a Tradição Oral.

*** Flavio Josefo: Historiador de origem Judeu, o qual convirtiou-se e passou a ser membro do império Romano, e um fiel observador dos fatos ocorridos ao povo Judeu, durante o primeiro século.

PÊSSACH E A CABALÁH:


UM SALTO PARA A LIBERDADE

Há séculos, os cabalistas têm entendido que para atingir um nível de iluminação e conhecimento, temos que abandonar as explicações tradicionais dos adeptos da assim chamada corrente principal e retornar ao significado e propósito do feriado. Os sábios confiaram nas leis de causa e efeito para quebrar os muros de idéias erradas que têm prevenido tantas pessoas de tirar proveito da riqueza e positividade que a festa de Pêssach tem para oferecer. A significação de Pêssach é resultado e efeito do mês hebraico de Nissan, que é a causa primária da liberdade que é tão freqüentemente associada com esta festa especial. Portanto, não há razão para celebrar tradicionalmente Pêssach como a ocasião que marca a libertação do Povo Judeu.

Não consideramos Pêssach como um dia similar ao Quatro de Julho Americano ou o Sete de Setembro do Brasil, dois eventos que as gerações posteriores comemoram e relembram, mas que não fornecem energia para o presente além do fato de oferecerem um dia fora do atropelo usual de um dia de trabalho. Pêssach nos proporciona uma oportunidade de perceber que podemos e devemos hoje alcançar liberdade irrevogável em nossas vidas individuais. A servidão à qual estamos sujeitos vem de várias formas: uma pessoa ou um país podem estar sobrecarregados pelo peso de dívidas. Um casamento pode ser uma fortaleza que alguns tentam deixar e na qual outros querem entrar. Podemos nos livrar da servidão da insegurança, da carência, do medo, dos litígios. As muitas faces da servidão enchem nossa vida, não reconhecidas como tal. Estamos cegos para o fato de que estes aspectos não precisam ser necessariamente partes do quebra-cabeças de nossas vidas. Estivemos cegos por 2000 anos. E continuaremos cegos se não seguirmos a ordem específica, o seder, que o antiga sabedoria da Cabala proporcionou mesmo antes que a raiz do problema tivesse um começo.

A chave que destranca as portas da cadeia mesma que nos prende longe da libertação que teve lugar no Egito há tantos anos atrás pode ser encontrada no livro do Êxodo, na Bíblia. "Esse mês será para vós princípio dos meses, seja ele para vós o primeiro dos meses do ano" (Êxodo, 12:2). Esta é a primeira menção Bíblica do signo do zodíaco de Áries como o Rosh HaChodashim, o primeiro, a cabeça, ou a fonte de todos os meses, e a cabeça da roda do zodíaco. As palavras chaves no versículo do Êxodo citado são "para vós". Com esta frase, o controle cósmico mudou na época do Êxodo, do Egito, deixando os filhos de Israel, e com eles toda a humanidade, em controle.

Sem este controle, os mandamentos dados mais tarde a Moshe no Monte Sinai - não matar ou roubar - estariam além da compreensão da humanidade, que estava acostumada a matar e roubar com tanta naturalidade quanto a respirar. Ao passar o controle "para vós", significando "para a humanidade", o Criador conferiu sobre Suas criaturas uma ética e responsabilidade através das quais eles iriam controlar essa energia cósmica negativa de assassinato e roubo, ou qualquer desejo só para si mesmo.

Este mês de Nissan foi estabelecido no Cosmos como o mês conhecido por Aviv, que quer dizer primavera [em inglês, "spring"]. Tomando-se literalmente, a idéia é exatamente o que o conceito implica, dar uma salto para a frente ["spring forth"] . A expressão "ele foi ejetado ["sprung"] da cadeia" também reflete a mesma idéia apresentada por Nissan: a oportunidade universal para a humanidade saltar para fora de qualquer situação ou condição em que nos encontramos confinados ou aprisionados.

A sistemática quebra das grades é conhecida como o seder de Pêssach. Utilizando as ferramentas listadas na ordem da Hagadáh, a narração da história do exílio judeu do Egito, podemos alterar o ano vindouro em termos de confrontos físicos e metafísicos. Marte, o planeta regente sobre o mês de Nissan, nos ajuda nessa alteração, injetando sua energia inata de fragmentação; assim como Marte é o deus grego da guerra, também o planeta Marte é a causa celestial para a fragmentação que leva à guerra. As guerras que podem ser instigadas durante o mês de Nissan podem ser guerras entre nações, organizações, conhecidos, ou pessoas queridas, tanto quanto guerras pessoais de nossos egos, medos e esperanças. Podemos prevenir todos os tipos de guerra durante todos os momentos do seder durante a semana de Pêssach.

Compartilhando dos outros remédios prescritos para esta guerra, como a remoção dos cinco grãos de nosso meio durante a semana de Pêssach , podemos remover a força que nos propele a resistir à paz e à harmonia por todo o ano. Assim como o pão tende a subir e inchar, também estamos inclinados a inchar nosso ego em certas ocasiões, nem sempre nas circunstâncias mais pro ativas. Remover este chamets , e participar do seder de Pêssach, nos fornece esta chance de fazer guerra contra nosso próprio caos pessoal, assim como o caos global que está se tornando tão prevalecente em nossos dias.

Rabino Prof. Ruben Najmanovich

Pêssach

PÊSSACH


Sua idéia Central

Fora de contar a saída do Egito, a semana de Pêssach tem uma idéia central, que se você absorver, entendeu todo o esquema e vai sentir muito mais prazer em cumprir as leis e mitsvot de Pêssach, que são muitas poucas e tem seu propósito.

Toda a idéia do Pêssach é a não fermentação da matsá.

Seja quadrada ou redonda, feita a mão ou a máquina, a matsá não pode ter fermento e não pode assar mais de 18 minutos seguidos, senão cresce.

As palavras "mitsvot" e "matsot" estão escritas iguais na Toráh.

Se olharmos para dentro da nossa alma, constataremos que o orgulho, a vaidade, o ódio, a inveja, a cobiça e a fofoca são produtos da fermentação dos nossos egos.

A matsáh, chatinha e que não cresce, nos ensina como tem de ser nossa postura perante as mitsvot, sejam elas do homem para D'us (como Shabat, cashrut, tefilin) ou do homem para com o seu próximo (como não roubar, não mentir, não fofocar).

O homem verdadeiramente livre é aquele que consegue dominar a fermentação do próprio ego. O escravo está aferrado a seu egocentrismo e não vê que quem esta à sua frente é uma criatura feita por HaShem.

Por isso celebramos o Seder juntinhos, cada um contando a saga da saída do Egito em sua própria língua e linguagem, as crianças participam, a Toráh fala dos quatro filhos em volta da mesa e não exclui ninguém e temos a mitzváh de convidar um pobre ou alguém que esteja sozinho, tudo isso para celebrarmos a libertação da nossa bondade.

Essa é a idéia central de Pêssach.

Se você a captou, vai se sentir um homem Livre!






quarta-feira, janeiro 14, 2009

O que você faz quando cai uma mosca e sua xícara de café?

O inglês: Joga o café fora e vai embora.

O americano: Tira a mosca e toma o café.

O chinês: Come a mosca e joga o café fora.

O japonês: Bebe o café com a mosca para não envergonhá-la.

O israelense: Vende o café para o americano, a mosca para o chinês e compra um café novo para si.

O palestino: Acusa o israelense de haver programado a mosca para se jogar em seu café. Pede ajuda às Nações Unidas e contrai um empréstimo com a União Européia. Usa o dinheiro da UE para comprar dinamite e misieis e explode o café onde estavam o inglês, o americano, o chinês, o japonês e o israelense, culpando o último por sua extrema agressividade.

terça-feira, outubro 28, 2008

JUDAÍSMO E AIDS, UM COMPROMISSO MORAL


IMPACTOS DA ÉTICA JUDAICA NO SÉCULO XXI


Conta-se dentro da tradição judaica, que na Europa do século XVIII, um Rabino de uma linha religiosa do judaísmo, chamada Chassidismo, entrou em uma taberna e enxergou e escutou a conversa de dois bêbados, um deles diz para outro: “Eu te amo”, e outro responde: “Você me ama? Como você me pode amar, se não sabe o que eu necessito?"
O judaísmo, enxerga hoje em dia o desafio da AIDS, suas circunstâncias, seus alcances, suas causas e conseqüências, em primeira instância como um desafio de compromisso e atitude de respeito e amor ao próximo. Temos uma Ética Judaica da qual devemos absorver para que isto não seja problema de alguns, senão um desafio de muitos. No Judaísmo existe um ditado: cada um é responsável pelo outro. E isto que primordialmente o judaísmo observa como premissa para qualquer ação, não o problema do outro, senão a solução e esforço de todos.
Vivemos em um mundo extraordinário. Os acelerados avanços tecnológicos têm multiplicado a capacidade da humanidade de produzir bens e serviços.
As revoluções na informática, robótica, micro-eletrônica, biotecnologia, genética, comunicações e outros campos têm criado possibilidades econômicas inéditas.

Ao mesmo tempo, 30 mil crianças morrem diariamente devido à miséria, 800 milhões de pessoas estão desnutridas, 3 bilhões são pobres.

A polarização social tem alcançado índices absurdos. As três pessoas mais ricas do mundo têm um patrimônio maior que o produto bruto dos 49 países mais pobres. A América Latina, região de excepcional potencial econômico, rica em matérias-primas estratégicas, fontes de energia baratas e terras muito férteis, é vista hoje como a terra da pobreza e desigualdade. Sessenta por cento das crianças são pobres, 36% dos menores de 2 anos estão desnutridos, 1/3 da população não tem água potável.

Junto a estes paradoxos extremamente impactantes, a sensação que o grande filósofo canadense, Charles Taylor, denomina de “o desencanto do mundo” se espalha entre as novas gerações. A atual sociedade consumista, voltada aos bens materiais, à concorrência feroz para alcançar melhores posições, à luta pelo dinheiro e poder, gera uma sensação de solidão, que Victor Frankl chamou de um dramático “vácuo dos sentidos”.

As respostas a estes graves problemas não parecem claras. Cresce o ceticismo sobre até onde pode chegar uma globalização repleta de oportunidades tecnológicas, mas totalmente carente de um código ético que a oriente.

Neste contexto, as propostas da ética judaica estão tendo valor crescente como referência e orientação. Muitas delas estão sendo retomadas com vigor por organismos internacionais, ONG´s e movimentos que visam um mundo melhor. Vejamos resumidamente o atual impacto de algumas destas propostas:

Um princípio básico da mensagem moral transmitido por D’us ao povo judeu é o de que somos responsáveis uns pelos outros. Para a ética judaica é proibida a indiferença ao sofrimento de outros. Diz-se no Levítico: “Não desconsideres o sangue de teu próximo” (19:16). Nossa época carateriza-se por altas doses de egoísmo, daqueles que têm face aos que não têm, e de insensibilidade. O ex-secretário geral da ONU, Kofi Anan, ao exigir, pouco tempo atrás, que o mundo supere a indiferença diante da morte de 22 milhões de pessoas nos últimos anos por AIDS, determinou que fosse imprescindível voltarmos a ser responsáveis uns pelos outros. Lembremos, que dias atrás os Estados Unidos da America, gastou 700 bilhões de dólares para a salvatagem das instituições financeiras, e por sua vez, Europa gastou um pouco mais de 1 trilhão de Euros, para o mesmo fim. Quando no instituto Weitzman de Rechovot, Israel, tem um programa de um custo aproximando de 75 milhões de dólares para por um freio ao avanço do AIDS na África, e começar obter resultados positivos com um retrocesso gradual porem significativo da doença.

• Para a ética judaica, a pobreza não é um problema apenas dos pobres, mas de todos. Leibowitz observa que os profetas dizem “Não haverá pobres entre vós”. Não estão dizendo o que irá acontecer, mas o que deveria acontecer. Sua voz não é de oráculo, senão de exigência moral. Para que não hajam pobres, a sociedade deve tomar algumas medidas. Diante daqueles que, na América Latina, atribuem a pobreza dos pobres a eles mesmos, o judaísmo se revolta porque considera tal atitude uma injustiça. Esta mensagem foi recentemente incorporada à Carta dos Direitos Humanos da ONU. Entre estes, foram incluídos os direitos básicos do homem a não ser pobre, à alimentação, à saúde, à educação, ao trabalho, à moradia entre outros. A partir de então, estes são direitos essenciais do ser humano, embora proclamados há milênios pela ética judaica.

• As grandes desigualdades são severamente censuradas pelo judaísmo. Os profetas questionaram-nas implacavelmente e julgaram moralmente os poderosos que as fomentavam. O judaísmo criou uma institucionalidade completa para prevenir as polarizações sociais. A Torá estabelece que a cada 7 anos a terra deve descansar para que os pobres possam aceder a seus frutos. A cada 50 anos a terra deve retornar a seus proprietários originais. Procura-se assim impedir sua monopolização. É o jubileu. Assim mesmo, a cada 7 anos as dívidas devem ser perdoadas. O grande movimento mundial vigente pelo perdão total ou parcial da dívida dos países mais pobres do mundo, encabeçado pelo Papa João Paulo II, apoiou-se nesta mensagem e intitula-se “Movimento do Jubileu”.

• Em recente pesquisa realizada pelo Banco Mundial, 60 mil pobres de todos os continentes disseram que o que mais lhes dói é o desprezo, o fato de serem tratados como pessoas inferiores por serem pobres. A Torá estabelece o mais absoluto respeito pelo pobre. É idêntico aos outros. D’us se preocupa especialmente por ele e exige este respeito. O Rabino Leo Baeck observa que no idioma hebraico não existe a palavra mendigo, por si só pejorativa. Esta determinação de se escutar e respeitar o pobre está sendo um eixo para a ação dos organismos internacionais.

• Como ajudar o desfavorecido? Este tema/discussão permanente nos organismos internacionais, foi analisado por Maimônides no século XII aplicado à ética judaica. O genial sábio identificou oito níveis sobre “a ajuda”. O nível inferior é quando se ajuda alguém de má vontade. A segunda categoria é quando aquele que ajuda e aquele que recebe desconhecem um ao outro; neste momento, o anonimato que protege a dignidade do pobre é completo. No entanto, o nível mais alto de todos, a melhor ajuda que alguém possa dar, é aquela que fará com que o necessitado não volte mais a precisar dela. Hoje, na ONU e nos principais organismos em prol do desenvolvimento, procura-se que os projetos tenham orientação no sentido de que haja sempre esta auto-sustentação enfatizada por Maimônides.
• Na ética judaica, ajudar os outros é um dever imprescindível. Como tal, não merece nenhum prêmio nem reconhecimento. O Rebe de Lubavitch observa que a ajuda deve ser desinteressada, não se deve esperar nada em troca e, exemplificando isto, destaca que no dia mais sagrado do judaísmo, o Dia do Perdão, nas orações sefaraditas pede-se perdão à D’us não só pelos prejuízos causados ao próximo, mas também pelos atos que não foram feitos desinteressadamente. O Rabino Abraham Y. Heschel diz que ajudar é simplesmente “o modo de viver correto”. O prêmio está em viver-se desta forma. A força destes conceitos no judaísmo, seu contínuo ensinamento no âmbito familiar e na escola judaica assentaram as bases para grandes resultados em matéria de trabalho voluntário. Os países estão tentando dar forças ao voluntariado e vêem com crescente interesse os bons resultados. Israel e as comunidades judaicas têm índices recordes de trabalhadores voluntários. Em Israel, 25% da população pratica trabalho voluntário, produzem principalmente bens e serviços sociais que representam 8% do PNB. Exércitos de voluntários, de diferentes comunidades judaicas do mundo, trabalham diariamente levando adiante suas instituições e programas em proporção superior às médias de seus respectivos países. A conclusão é clara: a possibilidade de desenvolver o voluntariado está ligada à interiorização dos valores éticos pelas pessoas.
• Hoje vemos duas instituições fundamentais do judaísmo que são bases da sociedade: a família e a educação. O judaísmo lhes assegura o mais alto valor. A Torá dá especial destaque. A ética judaica zela vigorosamente pelas relações entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos e até sogros, genros e noras. O Rabi Ieoshua Ben Gamla criou no ano 69 a primeira escola pública de que se tem referência. Hoje, muitos países estão analisando como fortalecer a família, duramente deteriorada, e gerar educação. O judaísmo tem contribuições muito expressivas para oferecer nestes campos.
• Nas sociedades latino-americanas, entre outras, adota-se com freqüência políticas que sabidamente irão significar grande sofrimento para a população, com o argumento de que “o fim justifica os meios” e que são necessários para que haja maior crescimento econômico. A ética judaica não aceita tal raciocínio. Na Torá pode-se ler textualmente que “o fim não santifica os meios”. Refletindo sobre esta diferença, Albert Einstein perguntava “Quem havia sido o melhor condutor dos homens, Maquiavel (autor original do princípio de que o fim justifica os meios) ou Moisés? Quem teria dúvidas sobre a resposta?”
• Como encarar a pobreza e a desigualdade na América Latina e no mundo? O judaísmo indica caminhos que ecoam de forma crescente. Para este, o problema deve ser encarado por uma ação conjunta de todos os agentes sociais. Cada um deles deve assumir suas responsabilidades. Necessita-se de políticas públicas muito ativas. O judaísmo criou a primeira legislação fiscal sistemática para uso coletivo, o dízimo. Por outro lado, a comunidade e a sociedade civil devem organizar-se e agir. E, finalmente, tudo isso não exime cada pessoa de individualmente fazer o correto em cada situação de miséria ou injustiça com que se depare.
• Uma idéia central do judaísmo é a de Tikum Olam – ajudar a consertar o mundo. O Rebe de Lubavitch faz menção a uma simples interpretação de um conhecido episódio bíblico. Depois de sair do Egito e atravessar o deserto, quando os judeus se aproximam de Canaã, Moisés envia 12 exploradores. Ao regressarem, 10 deles desestimulam as pessoas, dizendo-lhes que não continuem. Com freqüência são considerados traidores. O Rebe observa que Moisés escolheu os melhores de cada tribo, eram pessoas excelentes; porque iriam ser desleais? O que ocorreu é que se encontraram com sociedades perdidas na luxúria, corrupção e idolatria. O povo judeu, no deserto, era em contrapartida um povo espiritual entregado ao estudo da Bíblia. Temiam que seguindo para Canaã pudessem ser contaminados. Mas, se equivocaram disse o Rebe, pois o desejo de D’us era diferente. O que D’us queria não era que se recolhessem para conservar sua pureza e sim que levassem a espiritualidade aos mundanos, que difundissem os valores éticos nas sociedades infestadas de vícios. Em uma época como a nossa, em que tantas ideologias tombaram, a proposta do judaísmo de avançar até que o mundo se redima eticamente – e de que não é permitido ficar à deriva, mas sim agir para transformá-lo e lhe dar valores éticos – prevê grande duração e diz muito a todos os homens e mulheres empenhados em uma humanidade melhor.
A ética judaica está viva e fresca, podendo ajudar a enfrentar o “desencanto do mundo”, o “vácuo dos sentidos” e a inadiável conscientização dos paradoxos da grande pobreza em meio à riqueza potencial que particularizam a América Latina e o mundo. A mensagem deste conjunto ético foi dita pelo sábio do Século I, Hillel: “Se eu não for por mim, quem o será?” significa dizer que todos devemos defender nossa saúde, nossa vida, nossa família; somos insubstituíveis nisto. Mas, acrescentou: “E se eu for somente para mim?”, significando que a vida sem solidariedade, responsabilidade pelo destino de outrem, amor ao próximo, transcendência, não faz sentido. Finalizou: “Se não agora, quando?” O que espera a ética judaica de cada um de nós é que entremos em ação, agora!

AIDS e circuncisão

A circuncisão faz parte da cultura de muitos grupos humanos, mas, no caso do judaísmo, trata-se de uma prescrição bíblica. Uma injunção religiosa, portanto. Durante muito tempo acreditou-se que esta medida poderia proteger a saúde, coisa que aliás é prioridade na Bíblia judaica. Apontou-se assim a menor incidência de doenças sexualmente transmissíveis entre os judeus e de câncer de colo de útero entre as mulheres judias. Mas estudos mais acurados mostraram que havia aí um "bias", como dizem os americanos, um viés, um fator de erro. Em outros grupos que também praticam a circuncisão, estas doenças eram freqüentes. Acontece que os judeus eram mais monogâmicos, menos promíscuos e este fator sim, fazia diferença. Paralelamente, e isto sobretudo a partir do advento da psicanálise, começou a se considerar o trauma psicológico da intervenção - que é relativamente pequena, mas feita em crianças com poucos dias de vida. Ao que se contrapunha o aspecto de uma possibilidade maior de identificação entre pais e filhos. A essa altura a circuncisão em hospitais americanos era praticamente rotina. Mas, depois dessa discussão toda, a Academia Americana de Pediatria elaborou, em 1971, um documento dizendo que não havia indicação médica para o procedimento.

E aí apareceu a Aids. Algumas evidências sugeriam que a doença era mais comum em homens não circuncisos, o que levou a várias pesquisas neste sentido. Uma delas, e de grande repercussão, foi realizada por cientistas franceses na África e apresentada este ano na conferência internacional sobre Aids, recentemente realizada no Rio de Janeiro. O estudo mostra que homens circuncisos têm uma chance 65% menor de serem infectados pelo HIV. As células do prepúcio, a parte do pênis removida pela circuncisão, seriam alvo fácil para a infecção pelo vírus. A Organização Mundial da Saúde recomenda que outros estudos sejam feitos antes de se concluir pela circuncisão como método protetor contra infecção pelo HIV. De qualquer modo é uma boa notícia nesta luta mundial contra a Aids.

Cirurgia milenar é a nova arma contra a Aids

O surgimento de novos medicamentos, a engenharia genética e a antiga prática cirúrgica da circuncisão são as mais recentes armas na luta contra a Aids, disseram especialistas na conferência da International Aids Society na terça-feira.
Uma nova leva de drogas para conter o avanço da Aids e células geneticamente modificadas que impedem a progressão da infecção estão para ser lançadas ou testadas, disseram médicos presentes na maior conferência mundial sobre a doença.
"É um momento extremamente excitante em termos do desenvolvimento de drogas. Temos drogas melhores nas classes existentes, bem como classes de drogas totalmente novas", disse o professor David Cooper, presidente da conferência de 2007, em Sydney.
Mas a maior novidade para os países mais pobres, os mais afetados pela doença, e incapazes de adquirir de imediato as novas drogas, é um procedimento feito pelo menos desde 2.300 a.C. no Egito -- a circuncisão.
Estudos africanos demonstram que a circuncisão masculina pode reduzir a transmissão do HIV de mulheres para homens em cerca de 60 por cento, segundo Robert Bailey, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Illinois, em Chicago.
A circuncisão universal poderia evitar 2 milhões de novas infecções e 300 mil mortes ao longo de dez anos na África Sub-Saariana, segundo ele. A África é o continente mais afetado pela epidemia.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualmente recomenda a circuncisão como medida preventiva, mas Bailey disse que incentivar a prática será difícil.
"A circuncisão não é simplesmente um procedimento cirúrgico. Está ligado a uma complexa teia de práticas e crenças culturais e religiosas", afirmou.
Medicamentos novos ou aperfeiçoados podem se tornar mais eficazes e também ajudar pacientes que já se tornaram imunes a drogas anteriores, segundo médicos participantes da conferência.
Pesquisas recentes mostram que novas classes de anti-retrovirais, que incluem vários inibidores, geram benefícios superiores a pacientes com um HIV altamente resistente, segundo Joseph Eron, da Universidade da Carolina do Norte.
"Acho que, embora vá levar algum tempo, alguns desses novos agentes também serão muito úteis no mundo em desenvolvimento caso estejamos vendo o surgimento de um vírus resistente", disse Eron.
A pesquisa de ponta contra a Aids envolve a engenharia genética, com pesquisas em humanos prestes a começar sobre a possibilidade de modificar geneticamente as células-tronco sanguíneas e as células-T de um paciente com HIV para então reintroduzi-las no organismo, de modo a combater melhor a infecção.
"Trata-se de uma modificação permanente das células. Desde que as células persistam no paciente, elas serão resistentes a uma maior infecção", disse John Rossi, chefe do departamento de Ciências Biológicas no Instituto de Pesquisas Beckman, dos EUA.
"Percebemos que não é um tratamento que seja aplicado universalmente", disse Rossi, acrescentando que o tratamento permitiria que os pacientes reduzam a dosagem de seus medicamentos.
Rossi e Eron defenderam que os laboratórios vendam medicamentos mais baratos aos países mais pobres.
Na segunda-feira, a ONG Médicos Sem Fronteiras disse que, embora tenha havido grande redução no preço dos remédios contra Aids, as novas gerações de drogas, recomendas pela OMS por serem menos tóxicas, tornaram-se mais caras. A entidade disse que em alguns casos o tratamento por paciente subiu de 99 para até 487 dólares.

Nem na família, nem na escola, nem na mídia, nem na cama

Dados alarmantes, políticas públicas ineficazes. No Brasil, cresce a cada ano o número de meninas grávidas, de adolescentes infectados pelo HIV, de garotos e garotas obrigados a abandonar a escola para assumir as responsabilidades da paternidade/maternidade.
A gravidez é o principal fator de evasão escolar entre adolescentes e jovens brasileiras. Fonte: PNAD/1996 – dado referente a adolescentes de 10 a 19 anos
48% dos atendimentos nos serviços de abortos previstos por lei são de meninas com idade entre 10 e 19 anos. Fonte: Rede Feminista de Saúde
45% dos alunos de escolas públicas e privadas de 14 capitais brasileiras afirmam transar com pessoas que pouco conhecem. Fonte: "Avaliação das ações de prevenção às DST/Aids e uso indevido de drogas nas escolas de ensino fundamental e médio em capitais brasileiras" (setembro/2001)
No Brasil, a Aids já matou 13 mil jovens com idade entre 13 a 24 anos. Desde o início da epidemia, 37 mil já foram infectados. Fonte: Boletim Epidemiológico, ano XIV, nº 02, abril/junho 2001
Adolescentes e jovens brasileiros estão começando a vida sexual cada dia mais cedo. Muitas vezes, sem qualquer orientação. Em outras, sabendo de tudo, mas ignorando os riscos. A sexualidade continua um tabu e grande desafio para famílias, escolas e meios de comunicação. Apesar dos discursos progressistas, faltam atitudes. Muitos informam, mas poucos educam.

Famílias são ineficazes na educação preventiva

60% dos pais de alunos de 14 capitais brasileiras afirmam ter informações insuficientes sobre sexualidade e saúde reprodutiva e 32% nunca recomendaram o uso do preservativo Fonte: "Avaliação das ações de prevenção às DST/Aids e uso indevido de drogas nas escolas de ensino fundamental e médio em capitais brasileiras" , realizada em escolas públicas e particulares de 14 capitais – Setembro/2001
Escolas estão despreparadas para educar
Mesmo que haja intenção de inserir a questão da sexualidade nos programas escolares, a desinformação dos educadores ainda é um dado alarmante:
70% dos professores de 14 capitais brasileiras nunca realizaram nenhum curso de capacitação para atuar na prevenção de DST/Aids e uso de drogas e 45% dos que passaram por capacitação consideraram os cursos ruins.
47% avaliam como insuficiente o seu próprio conhecimento sobre os temas saúde sexual e reprodutiva. Fonte: Idem
Um em cada 10 alunos de escolas que oferecem ações pedagógicas de prevenção confessam nunca fazer uso de preservativos. Fonte: Ibidem.
Os números se referem a escolas de 7 capitais: Goiânia – GO; Fortaleza – CE; Recife – PE; Salvador –BA; Rio de Janeiro – RJ; São Paulo – SP e Florianópolis – SC

Televisão erotiza e ignora a prevenção

Salvo raras exceções, os programas de entretenimento, as novelas e os filmes deformam a percepção do jovem sobre sexualidade. Cenas apelativas, banalização do sexo e estímulo de fantasias são cada vez mais freqüentes nestes meios, que exibem realidades incompatíveis com a vida de grande parte dos adolescentes. E pior: quase nunca lembram da camisinha.
79,5% dos jovens declaram que filmes e propagandas eróticas veiculados pela televisão influenciam sua atividade sexual.

Considerações finais

Em minha opinião como rabino. Expresso que o judaísmo mantém um enfoque positivo a respeito de todo o que seja sadio, que possa ter um sentido de ajuda e misericórdia. Eu digo que, para começar a falar de HIV/AIDS É necessário partir de una base primordial que é o amor pela vida.
“Estou de acordo com as campanhas de prevenção do HIV/AIDS, porem eu acho que se deve ser ainda mais incisivo” Porque a pesar que existem avanços importantes na pandemia, ainda não temos uma atitude massiva. Por isto insisto que se deve fazer campanhas educativas permanentes e não só para algumas datas e situações determinadas.
Apoio ações que tem que ver com um sentido de responsabilidade, “porque se dever ser fiel e responsável à vida”. Temos que acompanhar o dever ser com o ser, é dizer os idéias com a realidade que nos toca viver. E por tanto devem ser as instituições religiosas que devem marcar o caminho
O ensinamento é uma ação permanente e constante. A educação começa desde o nascimento e transpassa o âmbito escolar, para somar-se à família, os clubes, as instituições religiosas e os meios de comunicação.
No mundo em que vivemos, não é tarefa fácil, para que aquele que portador do vírus HIV e muito menos declarar-lo. Ainda não se chegou à etapa que se possa expressar a doença em forma publica, porem à medida que se avança na conscientização da problemática se ganham metros na luta contra essa outra batalha, a indiferença. Devemos nos perguntar: Que é o que realmente devemos discutir em relação ao HIV/AIDS?, Como devemos fazê-lo? Que grau de incidência tem as religiões com relação à problemática?
“Existe um princípio básico dentro do judaísmo, que para salvar uma vida humana – Pikuach Nefesh, devemos e podemos transgredir ou revogar qualquer lei. E por outra parte também a literatura Rabínica diz que aquele que salva uma vida, salva a humanidade. Já que Cain matou a Abel, que representava o outro ramo da conformação da humanidade, não é errado compreender que, ao estender a mão para todo aquele que deseja e ama a vida, o judaísmo faz o impossível para que isto seja realidade, To Life, pela vida.
Lembro que, o primeiro que identifico o vírus de HIV, sob um microscópio, foi justamente um israelí, o Dr. B. Kramarsky, expert em Virologia, quem isolou o fatal vírus em seu laboratório e foi o primeiro a descrevê-lo ao mundo.
Ante tudo, o judaísmo sempre enfatizou a importância e a santidade do individuo. Os Rabinos, desde os inícios da Literatura Rabínica, assemelhavam a vida humana ao mundo inteiro. “Porque criou D’us a cada ser humano de forma diferente, não estampando-nos como tantas moedas?”, perguntaram-se os rabinos. Para mostrar-nos que cada pessoa, que cada ser humano é único, responderam os mestres. O judaísmo sempre celebrou a vida humana, e estimou a liberdade como veículo pelo qual cada indivíduo único pode desenvolver seu potencial. Que D’us abençoe nossa nobre tarefa, e que este