quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Se falarmos de Toráh, um pouco de Bíblia e Historia.

Além do Sambation[1]:

O Mito das Dez Tribos Perdidas

Sambation em idish

As Dez Tribos Perdidas de Israel têm despertado a imaginação dos povos desde os imemoriais. Sabemos que no século VIII a.e.c o Império Assírio destruiu o Reino de Israel, dando início ao exílio de seus habitantes. Conhecemos até mesmo alguns dos lugares para onde foram deportados, de acordo com relatos da Bíblia.

Isso é tudo o que sabemos. No entanto, as Dez Tribos continuaram a habitar o real e o imaginário desde essa época. Para o povo judeu, a memória dessas tribos foi preservada no inconsciente coletivo, como um membro extirpado do corpo de uma nação que, espera-se, retornará e se juntará novamente no “fim dos dias.” De acordo a tradição Rabínica, a volta das Tribos Perdidas figura como pré-condição para a redenção (gueuláh) também adquire significado de peso.

O falecido Guershom Scholem, a maior autoridade contemporânea versada em misticismo judaico, escreveu na sua obra monumental sobre o falso messias Shabetai Zvi que “havia uma tradição legendária popular persistente acerca das Tribos Perdidas. Em tempos de propaganda escatológica... e expectativas milenaristas, os relatos combinando narrativas nem sempre totalmente verdadeiras sobre judeus em países distantes, com fantasias desenfreadas, eram os que mais proliferavam”. Nos tempos de Shabetai Zvi e Natan de Gaza (século XVII), por exemplo, corriam numerosos boatos de que os exércitos das Dez Tribos estavam vindo do deserto para atacar os turcos.

Havia ainda rumores de que as Tribos Perdidas estavam prestes a conquistar Meca. As histórias eram tão persistentes que, em 1665, os muçulmanos de Túnis cancelaram sua peregrinação à cidade sagrada.

Lendas semelhantes -- anunciando a chegada de exércitos das Tribos ou descrevendo seus reinos em algum lugar distante no interior da Ásia ou da África -- têm surgido regularmente desde a Idade Média.

Circularam no Oriente Médio e na Europa através de cartas escritas por judeus, em relatos descritos por diplomatas ocidentais ou em publicações ocasionais. Nos séculos XVI e XVII, essas histórias tinham aparentemente um papel importante para disseminar a concepção messiânica no mundo judaico, porem era utilizado essa crença tão enraizada no Povo Judeu, que permitia promover interesses políticos dos Estados europeus na luta contra o Império Otomano.

A imaginação popular tende a ser fantasiosa para compensar a dura realidade do dia-a-dia. A realidade do povo judeu era a do exílio e da servidão. Assim era muito reconfortante imaginar que em algum lugar, além do rio Sambation, viviam judeus com a pele rosada, fortes e orgulhosos, talvez até gigantes; judeus que tinham independência política e poderio militar, que eram justos e puros e cujo reino era uma verdadeira Utopia, inundado de riquezas materiais e felicidade.

A lenda, os boatos e as narrativas de viagens imaginárias foram passadas de geração a geração. Publicadas em várias versões, tanto em hebraico como em iídiche, conquistaram corações e inflamaram a imaginação. Ao final do século XIX, essas narrativas começaram a se inserir na moderna literatura iídiche e hebraica.

De acordo com o professor universitário Shemuel Wersess, as fontes históricas e literárias das Dez Tribos são “um composto de crônicas semi-históricas, rumores históricos e lendas de natureza mitológica, estruturado em sua maior parte no formato de diálogos de viajantes, relatos de viagens e ligado a várias personalidades, algumas reais, outras imaginárias”.

A adição de pseudo documentos, tais como cartas dos chefes de tribos a seus irmãos no exílio para além do Sambation, e a precisão com que as localizações geográficas eram descritas, tinham a intenção de conceder a essas narrativas uma dose de credibilidade. O regresso dos Falashas, os Judeus provenientes da Etiópia, ensinam, que não são as historias tão lendárias, senão que tem fortes laços históricos porem principalmente Bíblicos.

Com as explorações do Novo Mundo, houve uma mudança gradual na abordagem do assunto, particularmente no mundo cristão. Como resultado da exploração e da repressão aos índios nativos da América pelos conquistadores, uma polêmica sobre “direitos humanos” surgiu no século XVI. Consternados com o tratamento dispensado aos nativos americanos, vários missionários passaram a argumentar que os índios eram seres humanos, com direitos humanos universais, e com direito à conversão ao cristianismo; a alegação de que eram descendentes dos antigos israelitas forneceu uma base conceitual para a atividade missionária.

Teorias “científicas” começaram a aparecer, a partir das quais estudiosos e missionários tentavam identificar várias tribos com as Dez Tribos Perdidas, com base nas semelhanças de seus costumes com as tradições bíblicas. Apoiada primeiramente por clérigos protestantes anglo-americanos e sábios, esta tendência continuou até o século XX.

Antropólogos modernos que examinaram o efeito das teorias das Dez Tribos sobre os diferentes grupos nativos, em todo o mundo, têm enfatizado a função política a que serviram. Alguns grupos destituídos, expostos à atividade dos missionários, foram levados a se identificar com os Filhos de Israel que sofreram o peso do exílio e da opressão e, então atribuíram para si origens judaicas antigas. O fato explicaria os judeus maoris da Nova Zelândia, os judeus achantis na África Ocidental, e outros.

Nos últimos 200 anos, tem havido uma corrente crescente no mundo ocupada em procurar as Tribos Perdidas e estabelecer um elo entre elas e comunidades remotas, particularmente na Ásia.

No final do século XIX e início do XX, vários estudiosos e emissários da comunidade judaica na Terra de Israel saíram em busca dessas tribos. O segundo presidente de Israel, Yitzchak Ben-Zvi, ficou famoso por suas pesquisas sobre os “Dispersos de Israel.”

BIBLIOGRAFIA

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  • Avihail, Rabbi Eliyahu, The Tribes of Israel, translated from the Hebrew by M.Gross
  • Benjamin II, I.J., Eight Years in Asia and Africa from 1846-1855 (Hanover, 1863).
  • Ben-Zvi, I., The Exiled and the Redeemed (London: Vallentine & Mitchell, 1958).
  • Edrey, Rav. Dr. M., An Historical Account of the Ten Tribes (1836).
  • Parfitt, Tudor, Las Tribus Perdidas de Israel

[1] De acordo com a literatura rabínica Sambation é o rio para além da qual a Dez Tribos perdidas de Israel foram exilados pelos assírios rei Salmanasar V[Shalmaneser]. As primeiras referências, com Targum de Ionatan ben Uziel, o rio é dado nenhum atributo especial, mas depois a literatura afirma que se enfurece com corredeiras e atira pedras seis dias por semana, ou mesmo consiste inteiramente de, areia, pedra e fogo. Para os seis dias do Sambation é impossível de atravessar, mas ela pára de fluir cada Shabat, o dia os judeus não têm permissão para viajar, alguns escritores dizem que essa é a origem do nome. Plínio, o Velho , escrevendo na primeira metade do século-, menciona que há um rio na Judéia, que seca a cada Shabat. Seu jovem contemporâneo historiador Flavio Josefus fala do Rio Sabático que ele alega que foi chamado do "o sétimo dia sagrado dos judeus" e que ele localiza entre Arka (na faixa norte do Líbano) e Raphanaea (no Alto da Síria) (Guerra 7,96 -99), embora, segundo o seu relato é seco durante seis dias e só flui no Shabat.

domingo, fevereiro 06, 2011

A Visão Judaica da Morte

A vida depois da vida

El espigon

A morte é uma noite entre dois dias. O corpo, irremediavelmente, morre. Regressa à terra da qual surgiu. Porém a alma humana sobrevive ao sepulcro e permanece existindo, ainda que de uma forma totalmente diferente da terrena. Na realidade, o ser humano atravessa três etapas diferentes de existência. Cada uma superior em relação à que a precedeu. É impossível conceber a etapa a seguir, mas podemos saber a respeito da anterior.

A primeira etapa é o mundo intrauterino: o ventre materno, no qual ocorre a preparação física da vida que virá depois. Muitos elementos e sistemas orgânicos vitais neste mundo em que vivemos são inúteis nessa etapa, como a existência de uma boca, de um par de olhos ou de um nariz. Trata-se claramente de preparativos para uma nova vida.

Passados nove meses, ao iniciarem-se as primeiras contrações, sentimos que algo está chegando ao fim. No momento do nascimento, passamos por um processo tão traumático quanto a morte. De certa forma, finalizamos uma etapa e iniciamos outra. Lentamente, começamos a perceber que não estamos mortos, senão que temos acesso a uma nova dimensão, fascinante, cheia de luz, sons e sensações, muito superior à anterior. Uma existência infinitamente mais significativa.

Algo muito similar sucede com a vida presente em relação à futura. Aqui nos preparamos espiritualmente para a vida que vem a seguir. Desenvolvemos, também, faculdades aparentemente supérfluas.

O homem, durante oito ou nove décadas de sua vida, pensa, reflete, descobre, cria, sonha. Sua natureza o inclina a procurar certos valores éticos e espirituais. A fazer o bem, a indagar a respeito do significado de seu ser, a procurar o seu Criador. Com o correr dos anos, o homem cresce em sabedoria. Tudo aponta para uma continuidade. Se se tratasse apenas da mera existência biológica, o ser humano não necessitaria mais do que precisam os animais para viver.

Ao morrer, também nascemos para um mundo totalmente diferente. Dessa vez, trata-se de uma fase definitiva. Essa última dimensão da existência humana é denominada Olam Habáh pelos nossos sábios (da literatura rabínica, chamados de chachamim), ou seja, o mundo por vir: a vida depois desta vida.

Devemos falar de Toráh, porem não é Lei é Ensinamento

O valor da educação,

da Continuidade

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“O saber não é o objetivo em si do estudo, mas um meio para chegar a Vontade Superior, a vontade e o desejo de dar e beneficiar o coração do homem. Isto é o que mede o nível espiritual do homem. Isto é tudo o homem.”

Muitas das expressões que sabemos utilizar quando nos referimos em assuntos tais como judaísmo e espiritualidade têm chegado através de traduções e possuem uma carga subjetiva quanto ao seu significado e objetivos. Isto tem afetado não só àqueles que se aproximam da sabedoria de Israel, através de textos traduzidos, a não ser que tenham chegado mais profundamente ainda que deformando a nossa percepção de judaísmo. Em outras palavras: temos nos acostumado a evoluir e interpretar a sabedoria de Israel de acordo os parâmetros distanciados da nossa própria tradição assuntos tão familiares como “Religião”, “D’us” e “Alma”, a partir das discordâncias surgem as discussões entre os defensores da “Religião” e os chamados “Leigos”, são conceitos diferenciados sobre o judaísmo. Tais conceitos se transformam em traduções simplistas e errôneas que vem dividindo os homens e criam confusões em nosso mundo espiritual.

O vocábulo religião provém do latim “religare”, quer dizer: voltar a ligar aquilo que foi desconcertado. Este conceito não aparece nos textos de tradição hebraica nem na nossa tradição oral até a Idade Média. Neste período os sábios judeus sentiram-se pressionados a tomar parte em confrontos verbais com o fim de demonstrar a validez da espiritualidade do povo de Israel.

A raiz desses sábios tais como o Rabino, Médico e Poeta. Iehudáh Halevi (1075 - 1141), em seu livro “O Cuzari” e Maimonides (Rambam) Século XII e XIII, especificamente em seu livro “Guia dos Perplexos”, viram-se forçados a declarar que a Toráh de Israel é também uma “Religião” organizada em bases lógicas e estrutura desenvolvida. Para isso recorreram ao vocábulo DAHAT que significa NORMA, INSTITUIÇÃO e INICIAÇÃO.

O judaísmo consiste na iniciação de um povo eterno nas normas (Mitsvot = preceitos) que o aproximam gradualmente à santidade.

Estas normas constituem as leis objetivas a partir das quais são o núcleo principal da Santidade da Divina Presença e a Sua Criação e que codificados nos são transmitidas através da Toráh.

A palavra “Religião” não é própria para o judaísmo, posto que confunde e leva a interpretá-la em base a doutrinas estranhas.

O conceito “Religião” implica ao fato de voltar a ligar duas ou mais coisas separadas. No judaísmo o conceito primordial é “luz”. A “luz” na qual o povo de Israel iluminou constantemente a humanidade.

A luz de Chanucáh que não somente foi o triunfo da luz dos valores morais sobre a escuridão corrupta pagã da cultura helenistica.

Também é o triunfo da educação, já que a palavra Chanucáh tem sua raiz no termo chinuch - educação. O Purim[1] e a Chanucáh[2], representam a luz dos jovens que brilham como um cometa que se expande iluminando o negro universo do qual estamos imersos.

As duas festividades têm um ponto em comum que é a educação, que é a pedra fundamental para evitar a assimilação e perda de valores, já que Ester uma jovem de 15 anos tinha seus embasamentos firmados, pois ela sabia que antes de ser rainha era uma mulher judia, e como tal se dedicava a seu povo. Iehudáh Hamacabi (líder da revolta dos Macabeus) estava internalizado em uma força espiritual tão grande que foi uma luz para seus seguidores iluminando os objetivos a cumprir.

Judaísmo não é “religião” é a luz que nos une a uma cadeia milenar chamada judaísmo e nos leva a um só objetivo: CONTINUIDADE.


[1] Purím figura na Bíblia, no livro de Ester. Nesse texto não aparece o nome de D’us, talvez porque trate de uma época e um lugar na diáspora onde D’us estava bastante esquecido pelos homens que optaram a favor da assimilação. A ação da história transcorre em terras do Oriente, Pérsia e arredores, de cores exageradas e em um tempo e com personagens que não permitem uma identificação clara.

Esta é a história - sempre verdadeira, sempre precisa - do anti-semitismo ou judeufobia. Aí aparece o primeiro grande teorizador do ódio ao judeu - Haman - ministro do estranho e torpe rei Achashverosh (Rei Asuero), que aconselha seu amo a exterminar os filhos de Israel, pelo simples fato de serem diferentes, de diferentes costumes e convenções. O rei é ridicularizado, pois somente um assunto causa-lhe obsessão, despedir mulheres, pegar mulheres novas e, por isso, está disposto a firmar qualquer decreto. Entra na cena Ester, da estirpe Hebraica, enviada por seu tio Mordechai, namora o rei e logo consegue salvar ao povo judeu e eliminar a Haman. Purím significa “sorte”. Deu-se à sorte a data em que os judeus deviam ser exterminados. (Era o único, a respeito do qual - ironicamente se sugere - duvidávamos da data. A respeito da matança em si não havia dúvidas nem vacilação alguma). A sorte caiu sobre o 14 de Adar.

[2] É o 25 de Kislev. Seu motivo histórico remonta os tempos de domínio grego no Oriente médio, entre elas, a terra de Israel.

No ano 162 a.e.c. a repressão dos governadores gregos chegava no seu cúmulo. Os gregos pretendiam helenizar a todo o mundo e não toleravam a teimosia dos judeus fiéis a sua religião e costumes. Proibiram, então, que se cumprissem as normas da Toráh de Moisés. Desta maneira, entendiam que podiam apagar a identidade judaica.

Porém, havia um punhado de patriotas que de modo algum cediam e que, encabeçados por Matatiahu o Chashmonai, da Galiléia, iniciaram a rebelião contra os gregos. Entre os filhos de Matatiahu, supremo sacerdote daquela época, destacou-se Iehudáh, o Macabeu. Em dura e sangrenta luta, esses crentes no D’us Único alcançaram o ideal da autonomia, de serem eles mesmos, de expulsar o invasor que havia profanado o Templo e colocado nele suas vãs deuses. Quando reconquistaram o Templo, o purificaram e encontraram em um canto um pequeno recipiente com azeite para os candeeiros da Menoráh (candelabro de sete braços).

Reinauguraram (Chanucáh: reinauguração), então, o culto de Israel, acendendo a Menoráh. Foi por um milagre que esse azeite manteve acesa a chama durante oito dias. Chanucáh se comemora, então, durante oito dias. Na festa, acende-se diariamente um candelabro de oito braços (Chanukiáh), para lembrar a façanha daqueles homens que souberam preservar a sua identidade ao custo de fé e de coragem. A façanha dos Macabeus tem sido, em todas as gerações, uma ardente chama que guiou aos judeus até a façanha do renascimento de Israel: o Sionismo.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Onde tu estas?

DEFICIENTES ESPIRITUAIS

Deficientes espirituais

Há alguns anos, nas olimpíadas especiais de Seattle, nove participantes todos com deficiência mental, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos.

Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar.

Um dos garotos tropeçou no asfalto, caiu e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então eles viraram e voltaram. Todos eles.

Uma das meninas, com síndrome de down ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse:

Pronto, agora vai sarar! E todos os noves competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada.

O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos... Talvez os atletas fossem deficientes mentais... Mas com certeza, “não eram deficientes espirituais”...

“Isso porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida,  mais do que ganhar sozinho, é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos....”

Estamos ingressando numa época onde vencer é o principal,  seja a custa de valores éticos que o ser humano nunca pode perder. “O Faraó que cada um possui’, vai depender de nos, que este seja afogado no Mar da Liberdade e do respeito, e do vencer aos ódios, rancores, invejas e ciúmes; ou ser escravo dele e não importar-nos com outro e se chegar ao final da linha, ainda que seja sozinho e sem ninguém importar-se com nós.

Aieca (איכה) essa foi a pergunta do Criador ao homem, “Onde tu estas?”; e até os dias de hoje repercute a pergunta em cada geração, a maldade diminuirá, quando saibamos em que direção esta a resposta. Devemos construir nosso Jardim do Éden a partir dos valores morais e humanos, que foram “penhorados”, para obter o efêmero êxito de vencer, recuperar nossa humanidade, e saber perante quem nos estamos de “pé”.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

O Mês da Alegria

O mês de Adar

MONADAR

(Neste ano temos dois Adar (Adar I e Adar II)

“E será que de mês em mês” (Isaías 66:23)

  כג והיה מדי חדש בחדשו ומדי שבת בשבתו
O mês de Adar é o sexto na contagem da Criação do mundo (a partir de Tishrê), e o décimo - segundo na contagem da saída do Egito (a partir de Nissan).

O nome “Adar”, da mesma forma que todos os outros nomes de meses do calendário hebraico, remonta à Babilônia. Origina-se da palavra “ADARO”, na língua assíria, que significa celeiro, pois nesta época preparam-se os celeiros para a colheita próxima.

Outro significado é “escuro e nublado”, por ser o último mês do inverno.

O mês é mencionado algumas vezes nas Escrituras, em seu nome babilônico, “Adar” (Esther 3:7; 3:13; 8:12, etc.; Esdras 6:15) e nos livros apócrifos (especialmente em II Macabeus 15:36), sobretudo por causa de suas múltiplas ligações históricas.

“Quando chega Adar alegramo-nos muito” - כך משנכנס חדש) אדר מרבין בשמחה) (Talmud Babilônico - Tratado Taanit 29, folha “A”), pois neste mês ocorreram alguns milagres ao Povo de Israel, sendo o de Purim o mais importante. Era neste mês também que recolhiam os siclos para o Templo, para com elas comprar os sacrifícios coletivos e as outras necessidades da congregação em geral, especialmente em Jerusalém.

Em Adar costumavam consertar as estradas, ruas e mananciais que se haviam danificado durante as chuvas do inverno, preparando tudo para a chegada dos peregrinos em Pêssach.

A fim de fazer coincidir o calendário lunar com o calendário solar, e para que Pêssach caia sempre no mês da primavera, acrescentava-se ao ano (de tantos em tantos anos) um segundo mês de Adar. Quando o calendário foi definitivamente fixado, ficou estipulado que se acrescentaria um segundo mês de Adar sete vezes, em cada ciclo de 19 anos (3°, 6°, 8°, 11°, 14°, 17° e 19° anos). Nestes anos embolísmicos (acréscimo de dias ao ano lunar para ajustá-lo ao ano solar) o primeiro mês de Adar perde a importância, e todas as leis e costumes válidos para o mês de Adar de um ano comum são observados no segundo mês de Adar; por isso, Purim é comemorado no segundo mês de Adar, quando ele ocorre.

O signo do mês

O signo de Adar é “Peixes”, pois é neste mês que os peixes nos rios e lagos se reproduzem.

O signo de Peixes é um signo de sorte, pois os peixes estão ocultos da vista, e assim são protegidos do mau olhado; os Filhos de Israel também foram comparados aos peixes.

Os signos dos outros meses são palavras no singular, como: Sagitário, Capricórnio, Aquário; o signo de Adar, porém, é uma palavra no plural, Peixes – por causa da existência dos dois meses Adar nos anos embolísmicos. E por que se acrescenta justamente um segundo mês de Adar? Porque o princípio básico do embolismo é que o mês de Nissan seja sempre na primavera, na estação em que as frutas amadurecem e por isso o acréscimo é em Adar.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Compreendendo a Vitalidade do Ciclo Judaico

O ANO JUDAICO, A VIDA JUDAICA

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O ano judaico representa, esquematicamente, a vida e a essência do Judaísmo de todos os tempos.

É um mapa que nos indica quando e como os judeus se alegram, festejam e comemoram.

Conforme os talmudistas, os preceitos (mitzvot) que ordenam a vida judia são 613. Eles explicaram a presença deste número porque nele somam-se dois elementos:

- 248 - as partes do corpo;

- 365 - os dias do ano.

Todo o corpo, em todo o ano.

Todo o ser, em todos os dias.

O Judaísmo é, efetivamente, uma prática de vida na qual o excepcional (os dias que se destacam) não fazem mais do que confirmar o ordinário e o cotidiano.

Todos os dias temos que ser justos. Todos os dias temos que agradecer aos céus pela existência. Todos os dias temos que esperar e fazer alguma coisa por um mundo melhor, messiânico. Todos os dias cabe-nos buscar um remanso de paz interior e exterior. Todos os dias há que se liberar de ídolos e feitiçarias.

Os outros, os dias fora de série, iniciando semanalmente pelo Shabat, têm como função despertar a consciência frente ao não realizado, alertar o ânimo, aguçar os sentidos, afinar a sensibilidade.

O Judaísmo é uma teoria de educação, para que cheguemos a ser o que ainda não somos totalmente: humanos.

O ano judaico indica a guia efetiva, realizadora dessa concepção pedagógica: o que fazer quando te levantas, pela tarde, pela noite, no dia sem trabalho; na festa da liberdade.

Vejamos, ligeiramente, como é o ano judaico. Que fazem os judeus durante o ano?

Indiretamente, se delineará a imagem da vida em seus detalhes menores e maiores.

E, com ela, verás qual o lugar que ocupas.

NOSSO CALENDÁRIO

Através de ciclos periódicos, o ano judaico compreende uma média natural de 12 meses, 365 dias. Porém, não é bem assim, se toma cada período anual separadamente. Com efeito, a antiqüíssima tradição remonta épocas em que o passar do tempo se media de acordo com o ritmo da rotação lunar e esse segue sendo o eixo do sistema do nosso calendário. “Mês”, em hebraico se diz chôdesh: lua nova, ou yarêach: lua.

Mas, por outro lado, as festividades do povo estão ligadas, em princípio, nas estações do ano: primavera, outono, inverno e seus correlativos eventos agrícolas. Corresponde, pois, que Pêssach seja sempre na primavera, por exemplo. A tal efeito se retifica, de tempo em tempo, a contagem dos meses lunares, acrescentando um mês (o segundo Adar) para atingir esse equilíbrio (Com a repetição do mês de Adar temos anos de 13 meses).

Em 358 da E.C. foi Hilel II quem estabeleceu as regras de composição do almanaque do povo de Israel. Até então, requeria-se, mês a mês, a presença de testemunhas que tivessem visto a mudança da lua, ante o tribunal central. A partir destes testemunhos, o Sanhedrín (supremo corpo jurídico e legislativo), consagrava o dia de início do novo mês (alguns de 29; outros de 30 dias). Logo, saíam enviados para diferentes pontos da diáspora, para anunciar o predito. Os meios de comunicação não eram simples e as comunidades da diáspora - devido a demoras ou acidentes na recepção de mensagem, temiam ter dúvidas em relação ao exato dia em que haviam de celebrar as ordens da Toráh. Por isto acrescentou-se as festas de Pêssach, Shavuot, Sucot um segundo dia de santidade, chamado “segundo dia festivo para as diáspora”, a fim de evitar incertezas. É por isso que, por exemplo, enquanto em Israel se realiza apenas um sêder de Pêssach, na diáspora se realizam dois.

A conta dos anos chega, neste momento, a 5759. A tradição remonta a criação do mundo.

OS MESES DO ANO

São doze os meses do ano: seus nomes foram trazidos da Babilônia pelos exilados que retornaram à terra natal, Israel, no ano de 536 A.E.C.. O significado dos termos é relativamente obscuro e limitar-nos-emos a citá-los.

Tishrê, Marcheshvan, Kislev, Tevet,

Shevat, Adar, Nissan, Iyar,

Sivan, Tamuz, Av, Elul.

O começo do mês é rosh (cabeça, princípio) chôdesh, o qual considera-se data festiva. A origem deste ritual é bíblico. Reuniam-se no Templo, faziam-se oferendas a D’us, banquetes e cânticos. (Números X, 10)

A vigência atual deste costume tem relevância na liturgia da sinagoga. No sábado anterior ao rosh chôdesh, anuncia-se oficialmente quando este cairá, e diz-se:

“Que o renove D’us para nós e para todo o povo da casa de Israel, para a vida e paz, regozijo e alegria, salvação e consolo, e diremos amém.

OS DIAS DA SEMANA

A semana de sete dias foi consagrada pela Bíblia, no correspondente relato da Criação com o qual se inicia: em seis dias D’us fez o mundo, e o sétimo foi Shabat, ou seja, suspensão de trabalho.

O número “sete” reveste um particular caráter de santidade, de simbolismo místico que se refere à perfeição. O candelabro de sete braços o reflete.

O dia, cada dia da semana, ajuda num programa para a vida judaica, desde seu começo até seu declínio e entrega-a nas mãos do sonho.

Três ordens de orações dividem o dia:

  • Shacharit (matutina)
  • Mincháh (da tarde)
  • Arvit (noturna)

O prescrito é participar da reza comunitária, o que requer não menos de um minián (dez pessoas) na sinagoga.

Este escalonamento do dia entre seções diz que o homem interrompa suas atividades, para elevar-se por cima das necessidades prementes do momento e colocar-se em plano superior, cósmico, histórico, nacional e religioso - este é o conteúdo que rege todas as orações.

Antes e depois de comer deve o homem realizar as bênçãos em agradecimento a D’us.

A benção depois da comida denomina-se Birkat Hamazon (Bênção pelo Alimento). Recordemos alguns fragmentos:

“Benditos sejas Tu, Oh Eterno, D’us nosso, Rei do universo, que alimenta o mundo inteiro com tua bondade, com graça, caridade, piedade; o que traz alimento a todos os viventes, porque eterna é Sua caridade, e com sua grande bondade, nunca nos faltou coisa alguma, e jamais nos faltará alimento, por seu grande nome, porque Ele é D’us que alimenta e sustenta a todos, e faz o bem a todos, e prepara alimento para todos os seres que criou”.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Percebendo a Verdadeira Beleza

O Garoto e a Rosa

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O estacionamento estava deserto quando me sentei para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho.

Desiludido da vida, com boas razões para chorar, pois o mundo estava tentando me afundar. E se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto ofegante se chegou, cansado de brincar.

Ele parou na minha frente, cabeça pendente, e disse cheio de alegria:
- "Veja o que encontrei".

Na sua mão uma flor, e que visão lamentável, pétalas caídas, pouca água, ou luz. Querendo-me ver livre do garoto com sua flor, fingi pálido sorriso e me virei.

Mas ao invés de recuar ele se sentou ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa: - "O cheiro é ótimo, e é bonita também... Por isso a peguei; tome, é sua."

A flor à minha frente estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas eu sabia que tinha que pegá-la, ou ele jamais sairia de lá.

Então me estendi para pegá-la e respondi:
-  Era o que eu precisava
- Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão. Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, que não podia ver o que tinha nas mãos.

Ouvi minha voz sumir, e lágrimas despontaram ao sol enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim. - "De nada", ele sorriu.

E então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em meu dia. Me sentei e pus-me a pensar como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho.

Como ele sabia do meu sofrimento auto indulgente?

Talvez no seu coração ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão. Através dos olhos de uma criança cega, finalmente entendi que o problema não era o mundo, e sim EU.

E por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradeci por ver a beleza da vida e apreciei cada segundo que é só meu.

E então levei aquela feia flor ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela rosa, e sorri enquanto via aquele garoto, com outra flor em suas mãos, prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade.