quinta-feira, junho 26, 2008

O Sidur, um espaço para encontrar nossa essência

O SIDUR, ESPELHO DA HISTÓRIA JUDAICA

O Livro de Rezas judeu constituiu sempre o manual de bolso do membro mais simples da família de Israel. Este tem acompanhado o judeu através de todas as suas andanças e reflete os suspiros e as lágrimas, as esperanças e as aspirações, as alegrias e as delícias do povo judeu.
Embora algumas partes sejam muito antigas, o Sidur está sempre atual e perene em sua mensagem e conteúdo. Na verdade, está aberto a um complemento autorizado, sempre que as circunstâncias o solicitarem, tal qual se têm introduzido desde o estabelecimento do Estado de Israel, como, por exemplo, a Oração pela Paz do Estado de Israel, a Recordação pelos Mártires do Holocausto Nazista e dos mortos na Guerra da Independência; assim como orações especificamente israelenses, tais como a Oração antes de entrar na Batalha, a Oração dos Pára-quedistas, a Oração dos Plantadores, a Oração pela Paz Mundial e outras.
A língua hebraica constituiu sempre o meio de expressão de orações, até em épocas em que os devotos falavam outras línguas tais como: Aramaico, Grego, Árabe e Francês. O Hebraico foi sempre asuev iuak, “a Língua Sagrada”, agregando solenidade e sentimento ao Serviço Religioso e dando a expressão da união e da unidade do Povo de Israel. O Hebraico permaneceu como a língua histórica do povo judeu e como símbolo de união entre as gerações do passado e do futuro. Aqueles que excluíram o Hebraico de sua vida religiosa, deram um passo rumo a sua própria destruição e desaparecimento como integrantes do Povo de Israel.
Nosso Livro de Orações é único na literatura devota do mundo. Leva em si a marca de todos os climas e condições pelas quais passou o judeu. É instrutivo em todas as suas versões e inspirador em todas as suas frases.
Em suma, ele é o espelho e a alma do Povo de Israel - Am Israel.


A COMPILAÇÃO DO SIDUR

Deve-se aceitar como uma fiel evidência histórica que, depois do retorno do exílio na Babilônia, no ano 538 A.E.C., Ezráh, o qual os Rabinos consideravam o segundo termo depois de Moshé, junto aos homens da Grande Assembléia, o Sanhedrin daquela época, reuniram-se para compilar as rezas dos ofícios, para os quais utilizaram, em grande parte, material tomado das páginas da Bíblia e do Talmud.
O ofício das rezas assumiu mais ou menos sua forma atual, recém na época dos Gueonim, os quais foram os grandes líderes dos judeus babilônicos e persas nos séculos IX e X.
A primeira coleção de Bênçãos ou Série Ordenada de Orações, o qual constitui um protótipo de nosso Livro de Orações, foi preparado pelo Rav Amram Gaon, cerca de 870 da E.C., ainda que o primeiro Sidur no estrito sentido da palavra que conhecemos hoje, é o de Saadia Gaon (falecido em 942), o qual contém todos os textos como também as regras das Orações.
Embora, desde então, o Livro de Orações tenha passado por várias etapas de aperfeiçoamento com complementações, tais como a canção Lecháh Dodi, que foi incluída no século XVI, se pode afirmar que, com Saadia, o Sidur alcançou uma etapa de desenvolvimento vital.
O Futuro do Judaísmo ou o Judaísmo do Futuro:
A respeito dos valores judeus

Foi Theodor Hertzl quem falou de "state heart" e "people heart": condição de estado e condição de povo. Hertzl acreditava que um estado próprio é o pré-requisito para a sobrevivência e a unidade do povo judeu. Em termos hertzelianos, o estado é um meio para alcançar um fim maior, o estado é um ponto alto, mas o povo judeu é o objetivo máximo. Apesar da grandiosidade da fundação do estado, maior ainda é o desafio de garantir a continuidade do Povo Judeu.
Eu gostaria de transmitir nesta mensagem do inicio do ano, sobre tolerância religiosa ou sobre a compreensão entre os membros de nossa Comunidade, assim como reflexo das outras Comunidades. Não externa a não ser interna. A atual divisão dentro da Comunidade judia mundial constitui, em minha opinião, uma tendência destrutiva. Mais ainda que as atividades anti-semitas ou judeofóbicas. Esta divisão sobre a que eu gostaria de falar, traz consigo o grave perigo de um verdadeiro appartheid entre judeus ortodoxos e judeus liberais. Se nossa geração não consegue transpor a curto prazo as barreiras religiosas e ideológicas entre judeus, prevejo que no próximo século não haverá um povo judeu, a não ser dois.
Não pode haver futuro para um povo sem que haja união interna no presente, sem presente não pode haver futuro. União, claro, não implica unanimidade. Implica logo que exista respeito pelas diferenças que naturalmente existem. O pluralismo é a essência da democracia e é o fundamento sobre o qual se assenta o judaísmo. A união é possível, penso, e digo isso com plena e sincera convicção. Sou consciente das tensões internas, que não são só ideológicas, há princípios em questão, há rivalidades que nem sempre são só ideológicas e ainda assim acredito que a união entre judeus é possível. Em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Buenos Aires, em Montevidéu e inclusive no Jerusalém.
Acredito que é primitivo defender na prática a unidade de nosso povo claramente e com a mesma seriedade com que o fazemos na teoria. Não me cabe como um judeu neo-ortodoxo (a linha ideológica à qual pertenço – sionismo religioso) falar sobre o que nossos irmãos liberais estão fazendo mal ou o que estão fazendo bem. Sobre nada disso posso opinar. Sim sobre o que nós devemos fazer em prol da união do Ishuv (população – Comunidade). Em vez de só denunciar a intransigência de nossos irmãos liberais ou reformistas temos que adotar uma plataforma positiva que tenha em conta o presente e o futuro do Judaísmo. Vou tratar de explicá-lo.
Acredito que se deve pensar ao respeito dos ortodoxos com o devido crédito. A dedicação ortodoxa sobre valores importantes da Continuidade Judaica, a educação (chinuch), constitui um bom exemplo para toda a comunidade judia. Inclusive o secularista declarado Nahum Goldman Z”L (O extinto presidente do Congresso Judeu Mundial), sempre dizia que é mais seguro entregar Chinuch, programas de educação judia nas mãos dos ortodoxos, são eles os que obtêm os melhores resultados. São eles os que conseguem aprofundar mais na identidade judia. São eles também os que levam os meninos para encher as classes. Nossa postura deve manter um bom equilíbrio, é certo que muitas vezes setores da ortodoxia judaica ou establishment ortodoxo (não incluindo os Sionistas Religiosos) usam o poder político e financeiro para reprimir o judaísmo localizado mais a esquerda do espectro judaico como assim também criticando a nossos irmãos judeus que pertencem a uma ortodoxia moderada (The Modern Ortodox).
Porém devemos, com um dialogo e uma posição equilibrada incentivar ao mesmo tempo a relação com nossos irmãos judeus ortodoxos moderados como também reconhecer os esforços do setor mais ortodoxo por manter a continuidade, mas marcando-lhes os erros por sua intolerância no comportamento à respeito daqueles que vivem e são de uma concepção diferente. É necessário que haja um diálogo constante entre judeus liberais e ortodoxos em todos os níveis, não só entre rabinos e dirigentes comunitários senão, principalmente, entre as massas.
Se estamos conseguindo superar através do diálogo, 2000 anos de ódio e desconfiança entre cristãos e judeus (apesar da existência de setores totalmente totalitários em sua cognitiva forma de atuar), certamente somos capazes de superar o ódio e a desconfiança entre judeus e judeus, que é muito mais importante. Vivemos hoje em dia em sociedades abertas e pluralistas, os judeus estão expostos a diversos modos de vida alternativos. Em cada ambiente, quanto mais modalidades de vida judia à comunidade ofereça, maior o número de judeus que escolherá uma entre estas opções, fortalecendo assim ao povo judeu como um todo. Se limitarmos as opções judias, a gente vai terminar por escolher opções não judias. É um princípio elemental de marketing.
Ainda nesta ética de respeito mútuo, as diferentes correntes dentro do judaísmo, necessitam da singularidade umas das outras para encher suas próprias carências internas; cada grupo necessita ajuda dos outros, da presença dos outros. O movimento liberal precisa aprofundar seu sentido de tradição. Através do contato com uma família ortodoxa, o judeu não ortodoxo pode captar melhor a beleza do Shabat e pode inclusive começar a observar estas tradições em seu próprio lar. A comunidade ortodoxa por sua vez precisa aumentar sua capacidade de responder com sensibilidade às questões universais contemporâneas. É uma das melhores formas de motivar aos judeus ortodoxos no sentido da ação social seria através do conteúdo e contato com judeus liberais comprometidos neste campo. Existem, obviamente, diferenças irreconciliáveis, mas isto não deve nos impedir a todos nós procurar áreas de cooperação, interesse mútuo, e o apoio ao Estado do Israel em primeiro lugar, sem realizar criticas destrutivas que dêm lugar a alimentar culturalmente o ódio.
Trabalho em prol do Chinuch e Tarbut, educação judia, e cultura judia. O diálogo dentro da comunidade, não só diálogo fora da comunidade. Este diálogo vai ter que envolver, inicialmente, a judeus moderados de ambos os lados, com a esperança de que com o passar do tempo um número maior de judeus ortodoxos se torne mais moderado, mais moderado não em seu grau de observância a não ser em sua receptividade aos judeus de outras denominações. Neste ínterim, assim como os moderados da ala ortodoxa são atacadas pelos extremistas por querer dialogar e cooperar, também, os judeus liberais, não podem deixar-se intimidar pelos radicais dentro das próprias fileiras, aqueles que se opõem a qualquer forma de diálogo. A meta prioritária para os judeus no começo de um novo milênio é irmanar-se aos judeus; o ódio gratuito só pode ser superado por Ahavat Chinam, amor infundado, assim expressava o Grã Rabino Abraham Itschac Hacohen Kook Z”L (Grã Rabino de Erets Israel antes da criação do estado de Israel e pai do Sionismo Religioso). Há amigos que podem ser conquistados, alianças que se podem formar, uniões que se podem consolidar, novas opções que se podem encontrar. A não ser que os judeus aprendam a reconhecer uns aos outros, perderão o reconhecimento dos não judeus. Então em vez de procurar o fracasso uns dos outros, acredito que devemos rezar e trabalhar pelo bem-estar e êxito uns dos outros. Para combater o extremismo judeu necessitamos judeus conscientes, equilibrados, moderados, judeus tolerantes e compreensivos. No cenário da vida judia contemporânea, tão carente de moderação política e religiosa é necessária a dose de tradicionalismo e continuidade.
Necessários são os judeus que assumam com orgulho e dignidade sua condição judia e ao mesmo tempo apóiem o diálogo com representantes de outras correntes. São necessários sionistas que se dediquem de corpo e alma ao bem-estar do Estado do Israel e ao mesmo tempo se preocupem com os direitos humanos de outras minorias. No auge da ditadura, na Argentina, Uruguai e aqui no Brasil, na década do 70 os militares enviaram uma mensagem aos líderes dos movimentos juvenis: Cuidem dos radicais, que nós cuidamos dos nossos. Esse é o papel dos judeus na América Latina, acredito. Então, dentro de nossas limitações, cuidar de nossos radicais, tratar de que sua percepção da verdade não passe disso, uma mera percepção e como tal pode ser parcial e desviada, tratar de lhes mostrar que somos todos filhos de um mesmo D’us e portanto somos todos irmãos e lhes mostrar que só alcançaremos nossos objetivos judeus se desarmarmos o espírito e nos empenhamos com determinação no entendimento mútuo. Nosso Primeiro Ministro Ariel Sharon deu mostra de seu equilíbrio, em seus desejos em procura da Paz, apesar de que ainda não encontrou-se um interlocutor.
Meu sonho para o judaísmo latino-americano, para que haja um futuro quantitativo e qualitativo: eu gostaria que houvesse mais harmonia dentro das comunidades judaicas, mais respeito entre rabinos, mais respeito entre dirigentes comunitários, mais compreensão entre judeus ortodoxos e liberais, ashquenazim e sefaradim. E que as divergências se restrinjam às idéias e não se apóiem em vaidades pessoais e jogos de poder. É meu sonho, eu gostaria que houvesse mais conteúdo judeu nos projetos comunitários e menos ostentação. Eu gostaria que se desse aos intelectuais judeus na América Latina o mesmo status que se dá aos empresários judeus. Eu gostaria que os judeus latino-americanos se conscientizassem de que seu destino está intrinsecamente ligado ao destino de Israel e que tal conscientização se reflita em atos concretos de solidariedade. No novo milênio há problemas externos que devem ser superados, mas os primeiros passos são enfrentar e vencer os desafios internos. E que o inicio de ano nos traga motivos para acreditar que tempos melhores virão para nossa Comunidade, para o Estado de Israel, para o Povo Judeu, para a sociedade de Israel. Que assim seja. AMÉN
Pensamento Judaico a respeito da Ecologia

A curiosidade bíblica tem no Salmo 104 (Versículos 10 a 24) e um dos exemplos mais formosos do conhecimento do habitat natural dos animais e o ciclo de vida terrestre: “Ordenaste às fontes que alimentassem regatos, que estes corressem pelos vales entre as montanhas. Dão, assim de beber a todos os animais dos campos e satisfazem a sede de todos os silvestres. Perto deles habitam as do céu e, de entre os ramos das árvores, entoam seu canto, Regas as montanhas do alto de Tua morada e se farta a terra do fruto de tuas obras. Fazes crescer relva para o gado e plantas para uso do homem, para que da terra possa extrair seu pão, e também o vinho que alegra seu coração, bem como óleo que lhe faz reluzir o rosto. Fartam-se de seiva as árvores do Eterno, os cedros do Líbano por Ele plantados, onde os pássaros constroem seus ninhos e os ciprestes se abrigam as cegonhas. Os altos montes são refúgio para os cabritos, e as rochas para os coelhos. Para marcar as estações criaste a lua, e ao sol determinaste o tempo de seu ocaso. Estendes o manto da escuridão e faz-se a noite, quando despertam e vagueiam as feras da floresta. Os filhotes do leão rugem por sua presa, e buscam de D’us seu alimento. Quando nasce o sol, eles recolhem a seus covis. Sai o homem para seu trabalho e sua obra até a tarde. Quão imensa é a multiplicidade de Tuas obras!
O conhecimento da criação leva a admiração pelo Criador. Por isso os grandes professores talmúdicos admiravam o natural. Nas academias babilônicas da Sura e Pumbedita (ex-babilônia hoje Irak, século III até VII), Aba Arija e o Rabino Iehudáh ensinavam que o Criador "o bará davar echad lebatalá", fez tudo com algum propósito. Nesse contexto explicaram a existência da lesma, a mosca, o mosquito, a serpente e a aranha, em uma página talmúdica em que deste modo se mencionam costumes de muitos animais: leão, elefante, águia, baleia, cabra, ovelha, camelo, boi, lagosta, galinha, peixes, serpente e porco.
Outros rabinos que estudaram os processos do mundo animal nos sugerem como preservar as gazelas em seu habitat natural, ou ao homem em um estado de saúde (o tratado Taanit do talmud Babilônico menciona uma peste que afetava a porcos, que por ter intestinos parecidos com os humanos podiam produzir contágios letais).
Entre os professores se destaca Shimon Ben Chalafta (Século. II) a quem estavam acostumados a chamar "experimentador de todas as coisas". Ao ler o provérbio bíblico de que o preguiçoso deveria aprender da formiga porque sabiamente prepara no verão seu alimento e recolhe sua comida durante a ceifa, Rabi Shimon Ben Chalafta decidiu certificar-se se atrás da mensagem moral, efetivamente essa previsão tem lugar, ou se tratava de uma mera metáfora do Rei Salomão (Shelomo).
A intimidade com a amada natureza descobre a harmonia que sustenta o universo criado. Na Gênese, cada parte da Criação se rubrica quando "vê D’us que é bom". A partir dai, o ideal da ordem natural povoa nossas fontes. Quando D’us espeta ao Jô – Iov - (39:1) Contemplou você as cervas quando dão a luz?, O Talmud esclarece: "Ao agachar-se para parir as cabras monteses, sobem a uma montanha. Deste modo, a cria pode cair e morrer. Mas D’us tem pronta uma águia para que a recolha em suas asas e a ponha diante da mãe. Se a águia chegasse um segundo antes ou depois, a cabrita morreria".
A percepção de uma natureza harmoniosa chega a sua cúspide na visão messiânica do Isaías: "habitará o lobo com o cordeiro, e o tigre se deitará com o cabrito; o bezerro, o filhote do leão e o porco andarão juntos, e um menino os conduzirá. Encher-se-á a Terra de conhecimento do Senhor".
Nesse ideal teleológico, o homem reconhece a inter-relação entre os distintos tipos de vida, e, portanto, será consciente de que toda mudança que exerça artificialmente em um sistema natural, pode prejudicar esse sistema.
Em contraste, a tecnologia procedeu com uma soberba que transcende ideologias, e se desenvolveu sem ter em conta a capacidade limitada do capital biológico representado pelo ecossistema. O homem considerou os recursos naturais e a vida animal como uma herança de que pode dispor a seu desejo. Mas a repreensão bíblica é dupla: por um lado "encham a Terra e dominem" e, simultaneamente, "cuidar o jardim".
Para proteger nossa Terra devem proteger-se seus recursos. Quando há quatro milênios o patriarca Abraham se separa de seu sobrinho Lot, justifica-o com "que a terra não é suficiente" para que a habitassem juntos. Com efeito, apascentar excessivo gado, especialmente ovino, pode esterilizar uma área fértil de pastoreio. Por isso Abraham e seus rebanhos tomam a direção oposta do Lot, para as serras do Hebrón, aonde o patriarca escolhe morar no Elonê Mamré (as Planícies de Mamré) e não sobre chãos cultivados.
Fiel à tradição judaica de amparo da natureza, o Estado do Israel criou em 1964 a Direção Nacional de Reservas Naturais. Quase trezentas reservas já foram demarcadas, cobrindo uma extensão de cento e sessenta mil hectares. As espécies protegidas nelas incluem vegetais como o carvalho e a palmeira, e animais como o leopardo, a gazela, íbex (cabra montês) e o abutre. Quanto aos animais, as fontes bíblicas são muito específicas em seu amparo. A comida inicial que Adão tinha ao seu dispor era de frutos e vegetais comestíveis. O Talmud, em uma clara apologia do vegetarianismo, interpreta que existia uma proibição de comer carne, que finalmente se permitiu na época do Noé, e só como transação.
O coração da mensagem ecologista é o amparo do bem comum, começando pelo planeta que compartilhamos, a casa que devemos manter: "cuidar o jardim". A terra é a matriz do homem: "dela provimos e a ela encaminhamos" (a voz "homem" em hebreu, "Adam" é da raiz "terra", "adamá"). Arón David Gordon levou essa idéia ao judaísmo contemporâneo, quando sustentou que o essencial do sionismo moderno consiste em fazer retornar ao povo judeu ao contato com a terra, à sociedade criadora que surge de lavrar o chão que nos deu.
A Bíblia provê leis ideais para o descanso da terra, como a "shemitá" ou ano sabático. Maimônides dedica muitas páginas de seu "Guia dos Perplexos" à questão (3:31) e explica que a finalidade do ano de aro não se reduz a "a comiseração e liberalidade para os homens" mas também a "que a terra se torne mais fértil, fortalecendo-se pelo descanso".
Outro conceito vital de nossas fontes é o do Baal Tashjit, o veto talmúdico contra a dilapidação, que deriva da proibição bíblica de destruir árvores: "Quando sitiar uma cidade ao combater contra ela para conquistá-la, não destrua suas árvores com sua tocha, porque deles te alimentas. Não terá que achar, porque a árvore do campo é como um homem. Só da árvore de que saiba que não é alimentício poderá cortar a fim de construir a fortaleza contra a cidade que te declara a guerra".
Um relato talmúdico do Rabino Eleazar compara a criação do mundo com a de um rei que criou um palácio em um depósito de lixo. Nossa missão é em efeito converter nossa casa em um lugar agradável e prazenteiro. Esse seria o melhor louvor ao Criador, posto que já o diz o salmista: "Iehalelú Hashamaim vehamaim...", Elogiá-lo-ão os céus e as águas. Limpos uns, cristalinas as outras.
As Verdadeiras Pedras

Recentemente ouvi uma história que me deu uma tremenda percepção sobre a vida, que eu precisava compartilhar com vocês.

Um professor de ciências de um colégio queria demonstrar um conceito a seus alunos. Ele pegou um vaso de boca larga e colocou algumas pedras dentro. Então perguntou à classe: “Está cheio?” Unanimemente responderam: “Sim!”

O professor então pegou um balde de pedregulhos e virou dentro do vaso. Os pequenos pedregulhos se alojaram nos espaços entre as rochas grandes. Então perguntou aos alunos: “E agora, está cheio ?” Desta vez alguns estavam excitantes, mas a maioria respondeu: ‘Sim!”

O professor então levantou uma lata de areia e começou a derramar a areia dentro do vaso. A areia preencheu os espaços entre os pedregulhos. Pela terceira vez o professor perguntou: “Está cheio?” Agora a maioria dos alunos estava mais precavida, mas novamente muitos responderam: ‘Sim!”

O professor, então, mandou trazer um jarro cheio de água e jogou-a dentro do vaso. A água saturou a areia. Neste ponto, o professou perguntou para a classe: “Qual o objetivo desta demonstração?”

Um jovem e brilhante aluno levantou a mão e respondeu: «Não importa o quanto a “agenda” da vida de alguém esteja cheia, ele sempre conseguirá "espremer" dentro mais coisas!»

“Não”, respondeu o professor. “O ponto é o seguinte: a menos que você coloque as pedras grandes em primeiro lugar dentro do vaso, nunca mais as conseguirá colocar lá dentro”. As pedras grandes são as coisas importantes de sua vida: sua família, seus amigos, seu crescimento pessoal. Se você preencher sua vida com coisas pequenas, como demonstrei com os pedregulhos, a areia e a água, nunca terá tempo para as coisas importantes.

Dedicar-se a estabelecer as metas que devem ser os paradigmas de nosso futuro na Comunidade, é parte das pedras grandes. As discussões, as invejas, os comentários vãos formam o caráter dos medíocres, e maior herança que se pode deixar para nossos futuros, são aquilo que foi o referencial que marco ao povo de Israel como Or Hagolá, a Luz na diáspora, conhecimento, vivencia, alegria e humos, decisão de superar os desafios, e não que eles nos manejem.

Então, quais são as “Grandes Pedras” de sua vida? Passar algum tempo com seus filhos, seus pais ou seu esposo/esposa? Ir a um seminário ou a aulas para adquirir as informações e perspectivas que precisa para ter sucesso? Usar seu tempo para estabelecer metas, planejamentos ou avaliar seu progresso? Construir uma Comunidade, onde o crescimento esteja baseado no conhecimento?

Quando estiver incomodado com a falta de tempo para fazer suas coisas, lembre-se da história sobre as Grandes Pedras e o Vaso!

domingo, junho 15, 2008


EL TRANSPLANTE DE ÓRGANOS, LA VISIÓN JUDAICA DE ESTE TEMA


Trasplantes y donación de órganos


Hace varios meses escribí, sin entrar en detalles, acerca del debate entre los estudiosos de las normas y la jurisprudencia religiosa respecto a los trasplantes y a la donación de órganos.

El tema es novedoso y difícil y la posición de los estudiosos judíos de los temas de la medicina y la ética no han sido popularizados todavía en la medida que permitan preparar a los miembros de la comunidad a confrontarse con ellos.

Tratar de escribir en lenguaje popular temas escabrosos de la medicina y de difícil comprensión de la halajá conlleva no pocos desafíos, ya que siempre se pecará por insuficientes o de complicados. Pero, el esfuerzo vale la pena.

Muchos tabúes existen todavía y es sabido que sólo la idea de plantear como posible la muerte ya conlleva una dosis de dificultad.

La primera consecuencia de los mitos y el desconocimiento es que muchas personas apoyan la idea de recibir trasplantes, particularmente cuando deben enfrentarse a una necesidad inminente, pero muy pocos, y no importa su ideología, su credo o su nacionalidad, estén dispuestos a donar sus miembros o a autorizar, en la medida en la que la legislación o las normas éticas lo permitan, la utilización de los de sus familiares.


En las líneas siguientes trataré de participarles el pensamiento del Rabino Shlomó Aviner, autoridad halájica, que ha estudiado meticulosamente la normatividad religiosa judía sobre estos casos, pese a que, como es de suponer, su opinión no es aceptada unánimemente y que en cada caso particular, es menester una consulta específica.

Este tema trae consigo una enorme carga emocional, y simultáneamente intrincados problemas éticos que por plantear problemas nunca confrontados, obligan a profundas reflexiones. Es al mismo tiempo un examen acerca de la posibilidad de enfrentar las cuestiones más urgentes de nuestra época a partir de los instrumentos jurídicos y morales que la religión judía usó durante toda su historia y comprobar su viabilidad, aún desde el prisma más severo.

¿Es permitida la donación de órganos?

¿Es permitida la donación post-mortem de órganos para ser usados en trasplantes? ¿Se puede usar una tarjeta de donador?.
La respuesta de Aviner es: No sólo que es permitido donar los órganos, sino que es una mitzvá, un precepto positivo religioso fundamental porque ningún otro puede compararse al de salvar la vida del prójimo. Sin embargo, existen distintos problemas que hay que tomar en consideración, v.g.: la falta de sepultura de los órganos donados, el respeto por el cuerpo del fallecido, el aprovechamiento del cadáver. El principio judío de “pikuaj nefesh”, que permite anteponer la salvación de la vida de una persona a la aplicación estricta de cualquier otra normatividad, es preeminente y tiene mayor valor que los problemas enumerados. Es menester aclarar aquí que “pikuaj nefesh” amerita una definición meticulosa, pero que ya excede el marco de estas líneas.

¿El cuerpo del donante debe estar cerca en el tiempo y en el espacio al del receptor?

Un tema interesante es el relativo a la necesidad o no de tener frente al momento de la donación a la persona a la que se quiere ayudar. El principio general del Hanodá BiYehuda, según el cual para la norma de “pikuaj nefesh” se necesita que el enfermo esté frente, se ve respondido por el Jazón Ish que expresó que en nuestra época en la cual las comunicaciones están tan desarrolladas, lo que debe determinar no es la presencia física del enfermo sino la utilidad que se pueda lograr del acto. Este problema es fundamental para poder determinar si se deben brindar donaciones a bancos de piel, que luego conservarán a la misma, durante un tiempo indeterminado, hasta que sea usada para paliar quemaduras o infecciones, particularmente en caso de accidentes colectivos.

¿Curar la ceguera es “pikuaj nefesh”?

También en estos casos amerita definir nuevos elementos. ¿Acaso la pérdida de la visión en un ojo es un caso de pikuaj nefesh? ¿Se deben autorizar los trasplantes de córnea?. La respuesta del rabino Aviner, es positiva por las siguientes razones: Hay quienes opinan que la ceguera es un caso de vida o muerte; la córnea debe considerarse como si fuese piel; la córnea vuelve a vivir en el cuerpo de su nuevo portador, por lo que no puede considerarse como si fuese un miembro muerto.

Los trasplantes de corazón

Cuando el tema llega a los trasplantes de corazón o de hígado, hay un problema más grave. La operación debe realizarse muy cercanamente al instante en el que el corazón deja de funcionar, caso que no sucede con los riñones, que pueden mantenerse en condiciones para el trasplante durante un lapso mayor de tiempo. ¿Una persona cuyo corazón sigue palpitando pero cuyo cerebro ha dejado de dar señales, se considera vivo o muerto?. Este es un problema relativamente nuevo. Hasta hace pocos años, en el momento en que el cerebro dejaba de funcionar, automáticamente, la persona dejaba de respirar; la sangre dejaba de oxigenarse y la descomposición del cuerpo se hacía inevitable. En nuestros días, la respiración puede mantenerse artificialmente por mucho tiempo y el corazón puede seguir funcionando por su propia inercia. La fijación del momento de la muerte es un elemento fundamental en toda discusión ética. La sola idea de imaginar quitar una vida antes del tiempo con el fin que se desee no puede ser aceptada siquiera como suposición.

El momento de la muerte

Hace ya 16 años, el Rabinato Principal de Israel, decidió que la muerte cerebral, es considerada como muerte clínica, desde el punto de vista de la halajá y que el elemento a considerar es la posibilidad de respiración autónoma. No es suficiente que el cerebro superior esté destruido sino también las células encargadas de la respiración. Si ello se produjese, aún si el corazón continuara funcionando se considera que la persona ha muerto. Por ello, en los hospitales se debe comprobar la muerte y certificarla debidamente. Sólo en esos casos es posible la donación del corazón y del hígado del fallecido.

Para el judaísmo se debe evitar toda acción que pudiere interrumpir la vida, incluso de las personas que están agonizando. Salvar la vida del prójimo autoriza transgredir todas las normas prácticamente, pero no permite quitar la vida de otra persona. También se debe evitar toda posibilidad que un órgano extraído y no utilizado sea arrojado o destruido sin sepultura debida. Se debe tener la certeza razonable que estas normas sean observadas muy detenidamente por los médicos y las instituciones hospitalarias. En nuestros días, en Israel, se puede confiar que así ocurre. Esa situación obviamente cambia de país en país y de ciudad en ciudad, incluso de institución hospitalaria, particularmente cuando no existe una norma legal clara que traiga además castigos penales a quienes las transgredan.

La agonía

El estado de agonía ha permitido disquisiciones sumamente interesantes ya en la época talmúdica. La guemará en Baba Kama 6 B y en Sanedrín 78 A, nos conduce a pensar que existe una diferencia entre la categoría de agonía derivada de una enfermedad (causada por la mano celestial) con respecto a la agonía que sufre un lesionado y que fuera provocada por un accidente humano. Hay quienes ven en estas dos categorizaciones diferencias que eventualmente se podrían aplicar en la situación que analizamos, como en el caso en el que se debe escoger entre la vida de la mujer parturienta y el producto de su embarazo, en el que se decide que la vida de la parturienta es la que debe salvarse aún a costa de la criatura. Cuando una persona está agonizando por un accidente, puede ser comparada su situación con la de quien se encuentra sin conocimiento por un daño irreversible del cerebro.

El problema acerca del valor de dos vidas

El tema fue encarado en el Talmud por medio de un problema muy conocido de Masejet Baba Metzia 62A, cuando dos personas se encuentran en el desierto y disponen solamente de un poco de agua suficiente para que uno solo de ellos pueda sobrevivir, y lo que allí en un análisis superficial se establece es el principio de “mi vida prevalece frente a la de mi compañero” (El rabino Kuk de bendita memoria en Mishpat Cohen 143 y el Or Hajaim, establecieron que ese principio es optativo y que las personas pueden en esas circunstancias optar por brindarle la vida al compañero. También cita el Rabino Aviner a Rab Yehuda Hajasid, quien toma el ejemplo de Rabí Ruben ben Itztaraboli, que pidió que lo mataran en lugar de Rabí Akiva, porque su vida era menos valiosa que la de su maestro, y que comenta por lo tanto que en ciertas circunstancias, uno puede renunciar a su vida para salvar otra.

También se presenta el dilema entre dos amigos, acerca uno de los cuales se decidió su muerte y su amigo, por el dolor de la pérdida prefiere ofrendar su vida. (Halajot Ketanot 1, 229). El que ofrenda su vida en esas circunstancias es calificado de egoísta, pero aparentemente, no está haciendo nada incorrecto desde el punto de vista ético.

El Talmud de Jerusalén ordena a las personas a arriesgar sus vidas para salvar al prójimo. Contamos con un relato acerca de Reish Lakish, cuando delincuentes secuestraron a un sabio y él proclamó: - Iré a rescatarlo, o los mato a ellos o ellos me matarán a mí.

Si bien, tú vida tiene preeminencia sobre la de tu compañero, la vida del otro es anterior a la duda respecto a la cuestión de si saldrás vivo de la acción que emprenderás.

En el momento de la resurrección, qué sucederá con los miembros amputados?

La pregunta correspondiente a la mística sobre qué sucederá con el cuerpo de la persona donante cuando llegue el momento de la resurrección, ya nuestros sabios previeron que en esos instantes todos los defectos estarán subsanados y el cuerpo volverá a su integridad. Cuando un miembro haya realizado una buena acción aún si faltara en el momento del entierro, surgirá y brillará en el momento de la resurrección.

Cuando tantos temas de la actualidad israelí obtienen titulares en los periódicos del mundo, es bueno tener presente, que cuestiones como la descrita sucintamente son también parte de la realidad cotidiana.

Judaísmo e Futebol, Só um jogo?

Judaísmo e Futebol



Em 1900, os irmãos Neils e Harald Bohr, na Dinamarca, tornaram-se famosos jogadores de futebol na Escandinávia. Em 1908, Harald ganhou uma medalha de prata no campeonato futebolístico da primeira Olímpiada com essa modalidade. Outros ganhadores de medalhas olímpicas de ouro foram Sandor Geller (Hungria, 1952), Boris Razinsky (URSS, 956) e Arpad Orban (Hungria, 1964).
Nos anos vinte, o Hacoach-Viena, um extraordinário time de futebol judaico-austríaco, jogou várias partidas em Israel e nos Estados Unidos. Em Nova Iorque, no ano de 1926, o Hakoach-Viena conseguiu reunir, numa única partida, um público de 46 mil torcedores. Este recorde não foi quebrado durante 40 anos. Muitos dos jogadores do Hakoach-Viena deixaram a Áustria na década de trinta e seguiram carreira em Israel e nos EUA.
Os irmãos austríacos Hugo e Willy Miesel, tornaram-se destacadas personalidades no cenário futebolístico. Willy veio a ser um dos mais respeitados escritores esportivos da Europa e já tinha sido goleiro da seleção da Áustria. Por sua vez, Hugo foi um dos fundadores da Copa do Mundo, em 1927 e liderou a Associação Austríaca de Futebol nos anos trinta.
A Hungria foi outro país que produziu muitos bons jogadores, técnicos e administradores de futebol judeus. O primeiro nome dessa lista é Alfred Hajos (Guttmann), membro do primeiro selecionado magiar. Outro destaque foi Bella Guttmann, que atuou no MTK de Budapest e, nas décadas de cinqüenta e sessenta, foi um dos melhores técnicos em todo o mundo, como no Benfica de Portugal, com o genial Eusébio.
Mikhail Romm foi um dos organizadores do futebol soviético na década de vinte, enquanto Mikhail Loshinsky defendeu as cores da URSS antes da Segunda Guerra Mundial. Na Inglaterra, Mark Lazarus jogou profissionalmente no reino, disputando uma final de campeonato em Wembley em 1967. Johann Cruoyff foi um dos maiores craques do Ajax e da seleção holandesa, vice-campeã e sensação da Copa de 1974. Tornou-se, mais tarde, técnico do Barcelona, onde brilhou o garoto tetra-campeão Romário.
A Federação de Futebol de Israel foi fundada em 1928. Sua primeira partida internacional foi jogada em 1934. O primeiro time representante do Estado de Israel jogou peela primeira vez em Nova Iorque, em 1948, ano da independência do Estado judeu. Israel chegou às quartas de final em 1968, nos Jogos Olímpicos do México, onde em 1970 (ano do saudoso tri da seleção canarinho de Pelé), os israelenses marcaram sua única participação em Copa do Mundo, garantindo um empate sem gol com a Itália, vice-campeã do torneio.
Em 1981 Israel conseguiu um dos seus melhores resultados: 4 a 1 em cima de Portugal, nas eliminatórias da Copa. No final dos anos oitenta, o grandes futebolistas israelenses eram Eli Ohana, David Pizanti e Ronni Rozenthal, todos com atuação em equipes européias. Nas eliminatórias para a Copa de 1994, Israel conseguiu vencer a França em Paris e empatar com a Bulgária (quarta colocada na Copa) em Sofia.
O pioneiro do futebol (soccer) nos Estados Unidos foi Nathan Agar, nascido em 1887. Agar introduziu o futebol na região de Nova Iorque em 1904 e ajudou a fundar Associação de Futebol dos Estados Unidos em 1913. No Brasil, por ironia da história, quase não há destaque judaico no futebol, verdadeiro esporte nacional. Somente Arthur Friedenreich, no início do século, destacou-se como jogador, tendo alcançado o surpreendente recorde de 1.329 gols em sua carreira, inclusive o que deu o campeonato sul-americano ao Brasil em 1919. No campo administrativo, merece menção Jaime Franco, diretor do São Paulo Futebol Clube, bi-campeão mundial.
Em argentina, existiram varios jogadores de origem judaico, um dos mais famosos foi Daniel Brailovsky, que até pouco tempo atrás no inicio do ano 2008, foi tecnico da América de México, hoje comentarista da ESPN.

sábado, junho 07, 2008




Eclipse e Judaísmo


Se vocês estão lendo estas linhas, o mundo ainda não acabou e as profecias apocalípticas não se concretizaram. Uma pergunta muito me intriga: notaram a multidão que se mobiliza para acompanhar o eclipse solar, na esperança de contemplar os últimos minutos de nosso planeta? Imaginem agora se estas pessoas, em vez disso, utilizassem esse tempo perdido em prol de um trabalho comunitário; algo em prol de um semelhante. Não precisamos esperar por uma profecia, a colisão de um astro ou qualquer outra coisa para visualizarmos o fim do mundo. Podemos acabá-lo agora mesmo, com as armas da indiferença e passividade. Ou, por outro lado, podemos reconstruí-lo.
Podemos transformar nosso planeta numa fortaleza de amor e esperança, fraternidade e harmonia, forte e resistente ante qualquer adversidade. Estamos entrando no mês de Siván, o mês da entrega da Toráh. Dizem que a entrega da Toráh sucedeu num monte que era o mais baixo de todos porem, com muita vegetação. A tal ponto a palavra Sinai, vem de Snéh ou Senéh, que quer dizer arbusto.
Pensemos em como podemos ser úteis e melhorar o mundo. Fazendo isso, estaremos melhorando-nos mesmos. E, não duvidem: nos podemos! Depende, apenas, de como utilizamos nosso tempo...
Os sábios talmúdicos também eram versados em astronomia, uma vez que, para calcular datas (antigamente não existiam calendários impressos como hoje em dia), precisavam ter um grande conhecimento a respeito dos astros e suas órbitas. Talvez o mais conhecido seja Maimônides (RaMBaM, sec. XII) que, em sua obra Mishnê Toráh (explicação dos mandamentos ou preceitos), traz complicadíssimos cálculos sobre o sol e a lua.
Menos conhecidos, talvez, sejam os cálculos de Rabi Ieoshua ben Chanania (sec. I) que, no Talmud Babilônico (Tratado Horaiot 10a), fala sobre uma estrela que aparece a cada setenta anos. Já ouviram falar sobre o cometa Halley, descoberto em 1682?. Vários estudiosos, sábios conhecedores de ciência e do Talmud, afirmaram tratar-se do mesmo astro.
Com relação ao eclipse, as previsões catastróficas e maus presságios, que foram mencionados nos últimos dias, também podemos encontrar as fontes no Talmud Babilônico (Tratado Sucáh 29a), mas como uma visão mas educadora e não de forma calamitosa que foi apresentada pela mídia, como o seguinte exemplo: "Um eclipse solar e um mau sinal para o mundo". Explica o Talmud, que isto pode ser comparando a Um rei, que ofereceu um banquete para seus súbditos e diante deles colocou uma luminária, lhes irritou sua visão. Ele diz, se eu excluiu essa luminária que esta diante de vocês se assentará à escuridão. Diz Rabí Meir: O banquete, no nosso caso, é o mundo em que vivemos, a diminuição da luz solar faz com que aproveitemos menos nossa festa da vida. Por que isto ocorre? Segundo os sábios da época talmúdica, entre outras razoes, pelo declínio moral e espiritual da sociedade. Coincidência ou não...!?

quinta-feira, junho 05, 2008

Palestra para os Pais.

Elie Wiesel, reconhecido, universalmente como o escritor do Holocausto resumiu nossa inigualável sobrevivência atual com as seguintes palavras: “Nós somos a mais amaldiçoada e a mais abençoada de todas as gerações. Somos a geração de Job, mas também somos a geração de Jerusalém.”
A tentativa de genocídio de nosso povo e o retorno subseqüente á nossa Terra Mãe, prometida biblicamente, serão, certamente, anotados pelos historiadores como dois dos acontecimentos religiosos mais significativos do século XX.
Outra realidade da vida judaica, conseqüência do holocausto e do renascimento de Israel, tem um significado relativamente maior:
O indescritível assassinato de seis milhões de inocentes que desapareceram só porque eram judeus levaram os sobreviventes a procurar uma melhor compreensão de sua tradição e de sua herança, que foram quase apagadas.
A suprema ironia da era posterior ao nazismo é que a Solução Final deu origem a um renascimento religioso, o movimento dos baalê teshuváh – retorno religioso á nossa fé - nunca antes testemunhada na história judaica com tamanha intensidade e com tal quantidade.

D’us não morreu em Auschwitz.

O que tornou-se, metaforicamente, claro para Moshéh no seu primeiro encontro com o Todo Poderoso, tornou-se, miraculosamente, aparente ao contemplarmos o fracasso de Hitler, o moderno Haman, quando procurou destruir totalmente o nosso povo.
Por que D’us manifestou-se inicialmente a Moshé, escolhendo-o para liderar o povo da escravidão para a liberdade, “em um arbusto (em hebraico senéh) que queimava pelo fogo e não era consumido?”
Não tencionava demonstrar que podia fazer milagres.Poderia ser escolhido outro entre uma infinidade de feitos diferentes. Mas o snéh ou seneh (a palavra hebraica para arbusto), e o lugar posteriormente denominado Sinai,onde a Toráh nos foi concedida- era uma planta cuja indestrutibilidade serviria como um paradigma do poder inigualável do povo judeu não ser consumido, através da história.
Contra todas as leis da natureza, correndo contra todos os princípios da história, como codificados por historiadores como Toynbee e contra o exemplo de todas as nações que existiram antes, ou ao mesmo tempo que nós e que já desapareceram, os judeus foram oferecidos aos fogos, dos crematórios e das tochas, de incontáveis inimigos “não foram consumidos”.
Os atuais sobreviventes dos horrores nazistas podem ser desculpados se a sua resposta teológica à perda de aproximadamente dois terços de nosso povo, foi a rejeição de D’us dos seus pais.
Na verdade, muitos escolheram a estrada da negação religiosa.
Muitos outros viram naqueles eventos irracionais um desafio espiritual.
Não foi D’us no céu que falou aos seus filhos, mas os seres humanos aqui embaixo que demonstraram quão bárbaros são os seus comportamentos quando guiados unicamente pelos padrões e valores seculares.

Os alemães nos deixaram questões – seis milhões no mínimo. Tornou-se uma suprema tarefa da geração pós-holocausto procurar e investigar, perguntar e refletir, tentar compreender uma fé que passou pelos testes do tempo,mas parece ter perdido o confronto com a razão e a crença continua e permanente em um Deus onipotente e beneficente.
Milhares de anos atrás, durante o primeiro Holocausto na história judaica, que aconteceu no Egito,o grito da luta foi: “Deixe o meu povo ir” ( “Let my people go”).Em nosso tempo, conseqüência de um período de incompreensão o Rabí Steinzaltz deu origem a um novo slogan: “Deixe o meu povo conhecer” ( “Let my people know”).
O conhecimento é mais forte que o poder.Como Salomão escreveu no livro dos Provérbios: “Se lhe falta conhecimento, o que é que você tem? Se você tem conhecimento o que é que lhe falta? Os sobreviventes têm que saber o propósito do seu advento, de sua existência”.
E a resposta deve ser mais que a banal referência a uma “tradição” ou a um “violinista no telhado”.
“Deixe o meu povo conhecer” - e dezenas de milhares de judeus, nos Estados Unidos, na Europa, em Israel procuraram resposta nas sinagogas, nos cursos de educação para adultos, nos programas de estudos judaicos, nos grupos de estudos chavuráh. E, centenas de novas escolas floresceram para dar sustento espiritual aos sedentos de conhecimento judaico, de nossa geração.

De onde surgiram tantos baalê teshuváh?
Os místicos sugerem uma resposta fascinante. Seis milhões de pessoas desaparecem. Entre elas, aproximadamente, dois milhões de crianças –bebês jovens e adolescentes- impedidas de exercerem o seu potencial de vida.
É possível que D’us lhes tenha dado “segunda oportunidade” e que de fato a grandeza do movimento dos baalê teshuváh, reflete aquela multidão de almas que reencarnaram e estão espalhadas pelo mundo?
E aqui no Brasil e na América Latina será que essas almas reencarnaram?
Parece que o holocausto da assimilação vai nos consumindo se não conseguirmos incendiar o arbusto de nossa sobrevivência. O que fazer para despertar nossas comunidades para o fogo que não consome e que da vida?

A resposta esta, no meu entender, no slogan do Rabi Adin Steinzaltz:
“Deixe o meu povo conhecer”!
Deixe o meu povo conhecer a nossa história.
Deixe o povo conhecer a história de nossos sábios. Deixe o povo conhecer como sobrevivemos a 4000 anos de história.
Deixe meu povo conhecer que somos mais ou menos 15 milhões - menos de um terço de por cento de cinco bilhões de habitantes deste planeta e que apesar de numericamente pequenos, somos ainda uma luz para toda a humanidade. Não é uma pena deixar de ser judeu?
Apesar de todas as perseguições e sofrimento, não somos um povo de coitados. Não devemos ter vergonha de nós mesmos.
Somos o único povo que tem uma história que permeia todas as civilizações, por 4000 mil anos.

Temos que encontrar os meios para ensinar a nós judeus a conhecer a nossa história e quem somos nós.

A nossa sobrevivência entre os povos durante, 4000 anos, passo por muitas épocas distintas:

1) A época de Nossos Pais, de Abraham até a conquista de Canaã.
2) A Primeira Comunidade de 1200 até 586 antes da era comum (a.e.c.) .É a idade dos juízes, reis e profetas, de guerras divisões e rebeliões e também o nascimento de grandes verdades espirituais. Nesta época o primeiro templo foi destruído.
3) A Segunda Comunidade de586 a.e.c. até ao ano 70 da era comum (e.c.). Inclui a época da Diáspora dos judeus da Babilônia, o retorno e reconstrução do Templo, os contactos com os Persas e os Gregos, a luta dos Chasmoneus e o jugo dos Romanos. E nesta época aconteceu a destruição do Segundo Templo
4) A história dos judeus do leste. Período do crescimento e declínio dos judeus na Babilônia e na Palestina durante mil anos da era comum, período do desenvolvimento do Talmud. Do aparecimento das religiões ocidental e oriental que se originam do judaísmo.
5) A Idade Média na Europa. Ela se entrelaça com a época anterior, pois os judeus traçaram sua história um ou dois séculos antes da era comum. As comunidades européias eram tão diferentes na sua origem e desenvolvimento que é impossível distingui-las dos judeus do leste. É dessa época o assentamento dos judeus em várias partes da Europa e a participação dos judeus no lento crescimento da cultura européia, as cruzadas e todas as desgraças que se seguiram.
6) A Época Moderna: do iluminismo, da revolução industrial,do holocausto e do renascimento do Estado de Israel.

Todas as civilizações que conhecemos deixaram um registro de sua história. Através de coisas materiais. Sabemos disso pelas tábuas de pedras e pelas ruínas escavadas pelos arqueólogos.
Tomamos conhecimento dos judeus, da nossa história e sobrevivência, desde os tempos primitivos ou imemoriais, principalmente pelas idéias que ensinavam e do seu impacto sobre outros povos e civilizações. Existem poucas tábuas, ou nenhuma, deixadas pelos judeus de antigamente, contando sobre batalhas e poucas são as ruínas contando o antigo esplendor.

O paradoxo é que os povos que deixaram monumentos como registro de sua existência desapareceram com o tempo, enquanto os judeus, que deixaram idéias, sobreviveram.
A história mundial conferiu aos judeus seis desafios que ameaçaram sua sobrevivência. Os judeus emergiram desses desafios e viveram para enfrentar desafios subseqüentes.
O mundo pagão foi o primeiro desafio da sobrevivência judaica...
Os judeus eram um pequeno bando de nômades, atores extras entre potências tais como a Babilônia, Assíria,Fenícia ,Egito, Pérsia.

Como conseguiram sobreviver como grupo cultural durante 1700 anos de sua história, enquanto todas as outras nações entraram em conflito e foram aniquiladas?
O que salvou os judeus foram as suas idéias com as quais responderam a todos os perigos que enfrentavam.
Tendo sobrevivido a 1700 anos de peregrinações e perseguições, escravidão, dizimação em batalhas e em exílios, os judeus retornaram a sua terra natal para encontrar-se com o período greco-romano de sua história.
Este foi o segundo desafio e foi um verdadeiro milagre que os judeus sobreviveram.
Tudo que era tocado pela Hélade (Grécia antiga) durante os anos mágicos de sua grandeza tornou-se helenizado, incluindo seus conquistadores: os romanos.
A religião grega, a sua arte e literatura; as legiões romanas, a legislação e a forma de governo- deixaram um sinete indelével em todo o mundo civilizado.
Entretanto, quando as legiões romanas foram derrotadas, sua cultura entrou em colapso e morreu.
As nações que foram subjugadas primeiras pelos gregos depois pelos romanos desapareceram. Novas nações surgiram pelas forças das armas. Os judeus permaneceram, sobreviveram, não pela força dos seus braços mas pela força de suas idéias.

O terceiro desafio que os judeus enfrentaram consiste em um fenômeno incomparável e sem paralelo na história.

Foram criados “dois judaísmos, ou duas vertentes do judaísmo”: uma, na Palestina; e, outra, iniciada na diáspora babilônica (palavra diáspora derivada do grego significa Dispersão). A diáspora, ainda hoje, é o conjunto de judeus espalhados pelos quatros cantos do mundo gentio e portanto fora da Palestina, hoje Israel.
Foi também a era da fragmentação do povo judeu em pequenos grupos, dispersos através de imensas áreas de terras e entre culturas, as mais divergentes, que se estende desde a época da expulsão dos judeus de Jerusalém pelos babilônios no VI século a.e.c. até o período no qual os judeus foram liberados dos guetos, no século XIX da e.c.
Como os judeus puderam manter-se longe da assimilação e da absorção em um mar de povos estranhos em torno deles?
Os judeus enfrentaram este desafio criando um código religioso legal- o Talmud Babilônico e o Talmud de Jerusalém. O Talmud sérvio de força aglutinadora e de reorganização espiritual. Esta foi a “Idade Talmúdica” de nossa história.
No VII século, o judaísmo deu origem à religião maometana.

E, este foi o quarto desafio que os judeus tiveram que enfrentar.

Em cem anos, o Império Maometano, o Islã, cresceu para desafiar a civilização ocidental. No meio dessa religião, os judeus, não apenas sobreviveram, como ascenderam a um dos mais elevados píncaros de sua história na literatura, na ciência e intelectualmente. O judeu desta época tornou-se estadista, filósofo, médico, cientista, homem de negócios, capitalista cosmopolita. O árabe torno-se a sua língua mater. Setecentos anos se passaram e o pêndulo oscilou. O mundo islâmico desintegrou-se e a cultura desintegrou-se com ele.

O quinto desafio foi a Idade Média.

Este foi o período mais negro da humanidade tanto para os judeus como para o homem ocidental. Foi um período de luta contra a extinção que durou 1200 anos. Todas as nações não cristãs foram derrotadas em nome da cruz, exceto os judeus. Os judeus emergiram deste período negro espiritualmente e culturalmente vivos.
As idéias lançadas pelos seus grandes eruditos foram testadas e passaram pelo teste da sobrevivência
Quando as paredes dos guetos caíram,os judeus tornaram-se parte integrante do tecido da civilização ocidental, em menos de uma geração. No transcurso de uma geração e ainda sob as sombras do gueto tornaram-se primeiros ministros, capitães da indústria, líderes militares membros privilegiados de uma intelectualidade de vanguarda que reformularam o pensamento europeu.

O sexto desafio é a Idade moderna ela mesmo.

O aparecimento do nacionalismo, da revolução industrial, do comunismo e do fascismo nos séculos XIX e XX e com o surgimento simultâneo de uma doença virulenta no pensamento ocidental – o anti-semitismo, foi um desafio muito especial para os judeus.
Novas respostas de sobrevivência tiveram que ser forjadas para enfrentar esses desafios. Se as respostas foram adequadas ou não só o futuro poderá nos dizer.
Vemos que a história dos judeus se desenrolou dentro de seis civilizações. Isso contradiz muitas escolas teóricas de história, que afirmam a impossibilidade dessa sobrevivência, pois em analogia como ser humano, toda a civilização deve durar uma única vida, que subsiste em torno de 500 até, mais ou menos, 1000 anos. E, como vimos, os judeus contrariam essa tese,desde a sua formulação, uma vez que existem há 4000 anos, cultivaram seis culturas e seis diferentes civilizações e muito provavelmente sobreviverão á sétima.
Como pode-se reconciliar esses fatos com a teoria?
Este é o desafio que eu proponho à juventude, aos baalê teshuváh e a comunidade.
E aos que permitam que o nosso grito penetre no coração dos seus filhos.
Deixe o meu povo conhecer! Como?
Estudando a nossa história, a história de nossos sábios, a nossa filosofia de vida, o pensamento judaico e, fundamentalmente, o símbolo real de nossa sobrevivência: A Toráh, que engloba o Tanach (Bíblia), a Mishnáh e o Talmud. E, por fim, sem ser o último desafio, cumprir os shabatót e todas as nossas festividades, tornar-se um membro ativo de nossa comunidade na educação, nos clubes, nas nossas instituições e nas sinagogas.
E como dizia o Rabí Israel Salanter. Na preparação para a festividade Rósh HáShanáh quando nos submetemos ao julgamento de D’us, torne-se uma pessoa reclamada pela sociedade.



Obras consultadas:
1) O Understanding Judaism by Rabí Benjamin Blech.
2) Jews, God and History by Max. I. Dimont
3) A History of The Jews by Solomon Grayzel
4) Os Judeus, O Mundo e o Dinheiro, Jaques Altali
5) Historia do Pensamento judaico – Raymond Berger.



OS OLHOS DA POMBA


O silencioso ruído do ar passando sobre asas de penas a mil pés de altura. Uma pomba voa sobre os campos, e seus olhos esquadrinham a distância. A um quarto de milha de distância se deslumbra um palhal pela bruma matutina. Uma pomba solitária em um céu hostil. Não há outros pássaros a vista. A pomba indaga o céu com seu olhar penetrante? A aterrissagem será segura? A pomba não tem calcanhares. Suas asas não lhe permitiriam escapar aos muitos predadores. Os olhos da pomba são sua única proteção.
A Toráh e o anteprojeto da realidade. Através de dito anteprojeto, os grandes Rabinos de todas as gerações iluminaram e esclareceram o mundo em que vivemos. Eles conhecem este anteprojeto com uma profundidade e tal sutileza que são quase impossíveis de compreender. Eles são capazes de analisar a construção do mundo, igual que o construtor visualiza um edifício ao observar seu anteprojeto. A eles nada é novo, porque tudo está na Toráh. D’us dá a estes sábios um conhecimento, uma longe sinal de profecia, De como guiar ao Povo Judeu. São eles os que sabem ler seu “manual” melhor que ninguém. Tudo está contido na Toráh, seja em forma explícita ou encoberta, mas faz falta um Rabi Akiva, um Maharal de Praga ou um Gaon de Vilna para poder extrair com precisão seu conteúdo e aplicá-lo ao contexto contemporâneo. Os grandes Talmide Jajamim (Eruditos da Toráh) de cada geração, recebem um poder de entendimento singular de como compreender a forma em que se maneja o mundo. Isto lhes permite ser os líderes do Povo Judeu como mais ninguém conseguiu ser.
Mas este poder, este conhecimento está baseado em uma só idéia, a preparação sábia de poder diferenciar os tempos e os momentos, de cada uma das situações que enfrentamos dia a dia, e como colaborar com esta erudição, para poder conduzir-nos com estas vivências.
No Cantar dos Cantares diz: “Teus olhos são pombas”. O Midrash explica que “teus olhos” se refere a Sanedrin, o corpo legislativo supremo do povo judeu, na época antiga. Os membros de Sanedrin são os “olhos da congregação”. Eles são capazes de ver por trás das máscaras da realidade, mas além do alcance da mera sabedoria convencional. Eles representavam a liderança sócio-religiosa, na qual apoiava-se o povo, um sistema conduzido com muita delicadeza, sabedoria e principalmente com um coração com entendimento profundo.
O poder de liderança surge do povo. Em cada geração, D’us nos promete que haverá líderes espirituais, os grandes sábios da Toráh, a quem D’us conferiu a capacidade de aconselhar e dirigir a nação. No entanto, quando o povo judeu nega-se a escutar a esses gigantes espirituais, indo em troca atrás dos políticos e outros, que não possuem mais inteligência que nós mesmos, então nossos líderes espirituais ficam sem nenhum poder para transmitir, para assistir.
Quando D’us disse a Moshe que fora falar com o Faraó este respondeu: “Eis aqui que os filhos de Israel não me escutaram. Então: vai me escutar o Faraó?. E tenho os lábios selados”. (Êxodo - Shemot 6:12). Se o povo judeu houvesse escutado a Moisés, se lhe houvesse aberto a boca e os lábios, suas palavras teriam afetado inclusive ao Faraó, mas já que os filhos de Israel não escutaram, os lábios de Moshé “estavam selados”.
Então surge outra questão, os líderes espirituais sabem escutar, compreender e entender o povo, para que seus lábios se abram?. Porque resulta-nos fácil colocar por encima dos nossos ombros a simples e vaga resposta é culpa deles, indicando com nossas mãos, o que elabora a mente e sente o coração, em uma difícil missão de ter a grandeza de evoluir e elaborar as atitudes simples? Assim como Moshe, que se negou repetidamente a cumprir a missão indicada por D’us, de resgatar ao nosso Povo da escravidão.
O Erudito da Toráh não é somente alguém que vai e te pergunta se o frango é ou não Kasher. O erudito da Toráh é alguém que conhece a natureza de cada ato, pensamento e palavra. É Kasher? É aceito? O mundo moderno celebra a falta de convencional idade. O que verdadeiramente não é convencional, é a sabedoria dos nossos grandes Rabinos. Uma sabedoria que não está limitada nem pelos costumes nem pelas exigências do momento. Implícito no mandato de “Shemáh Israel” (Escuta, compreende Israel) está o entendimento de que D’us nos fala através de seus emissários designados, em todos os momentos e em todos os lugares, para que eles com a doçura compreensiva das palavras os instalem no mais profundo do nosso interior, como uma semente, e ela começa a germinar dando os frutos da vivência sentida, como a continuidade do judaísmo.
Pêssach nos dá a oportunidade de liberar-nos do que nos acossa. Conversemos com nossos líderes. Os líderes devem compreender os sentimentos para ajudar a cumprir com a liberação. Não com agressão e sim com a simplicidade e doçura que deve ser a bandeira e estandarte dos líderes, para ser pombos de Amor e Paz. Para que os olhos vejam os conteúdos e os vasilhames, para voar com a imaginação de uma comunidade unida, buscando o destino comum, liberando-nos do “Egito moderno escravizante”, sem brigas, sem discussões e unidos por um presente de tradições e vivências que nos orgulham de ser um povo , de ser Judeus.

Fontes:
Talmud Babilonico - Tratado Meguila 12ª, Meam Loez, Shir ha Shirim Rabáh, Sefat Emet, Rabí Reuven Subar.

Retorno ou Reconhecer que estamos afastados

Retorno do Povo Judeu

O que a Torá diz sobre o retorno do Povo Judeu à Terra de Israel ?

Existem muitos versículos proféticos na Torá sobre o futuro do Povo Judeu. Lembre-se: a Torá foi dada há 3.311 anos atrás.

No livro Vaikrá 26:33 (Levítico 26:33), o Todo-Poderoso nos fala:“E vocês, vou dispersá-los entre as nações, desembainharei Minha espada, deixando sua terra desolada e suas cidades em ruínas”.

Em Devarim 30:3-5 (Deuteronômio 30:3-5 ), nos é falado: “E o Todo-Poderoso os trará do cativeiro e terá compaixão de vocês. Ele os trará e os reunirá dentre as nações ... E o Criador os levará para a sua terra, que seus antepassados herdaram. E lhes fará o bem e vocês se multiplicarão e serão mais prósperos que seus antepassados”.

Os próprios profetas reiteram esta mensagem. Em Jeremias 31:7 lemos: “Eu os trarei de volta das terras do norte, e os reunirei e agruparei desde os confins do mundo ...”

Ezequiel 11:17 é ainda mais direto: “Assim disse D’us: ‘Eu os recolherei dentre as nações e os ajuntarei dos lugares onde estiverem dispersados, e lhes darei a Terra de Israel”.

Quais os significados destas profecias? Quando e onde se aplicam? Existe alguma conexão entre elas e o moderno Estado de Israel ?

Seguramente, sem dúvida podemos investigar nesse tesouro chamado Bíblia assim como no Talmud, que o Povo Judeu tem um destino assim como uma função de importância no desenrolar da História da Humanidade. Diz O Salmista: “Esse é o dia que o Senhor fez; nos rejubilaremos e nos alegraremos Nele! Oh Senhor , por favor, salva-nos! Oh Senhor, por favor , faze-nos prosperar!” (Salmo 118: 24-25). Este último conceito que se encontra no livro dos Salmos, indica que o Povo Judeu nunca recusou a idéia filosófica que entrega a Torá, portanto todos nos temos certeza que a Historia Moderna do Terceiro Estado Judeu está firmemente ligada às mensagens proféticas.

Encontramos no livro de Zechariah a conclusão que o Povo Judeu está ligado a sua Terra, e o seu retorno não foi uma casualidade senão uma causa, já que as profecias deste profeta marcam que não foi uma decisão da Humanidade, mas sim um decreto da Providência Divina a concretização do nosso Terceiro Estado: “Assim disse D’us, Voltarei a Sião e habitarei no meio de Jerusalém. Jerusalém será chamada Cidade da fidelidade e a Montanha do D’us dos Exércitos, Montanha-Santa.
Assim disse O Senhor dos Exércitos. Velhos e velhas ainda sentarão-se-ão nas praças de Jerusalém, cada um com o seu bastão por causa da idade avançada. E as praças da cidade encher-se-ão de meninos e meninas e aí brincarão.
Disse ainda O Senhor dos Exércitos: Eis que salvo o meu povo da terra do Levante e da terra do Poente.
Eu os trarei de volta para que habitem no seio de Jerusalém. “Eles serão o meu Povo e Eu serei o D’us em fidelidade e em justiça.” (Zechariáh 8:3-4-5,7-8).
Essa mensagem profética de Zechariah encontra-se em nossos olhos, já que a Cidade de Jerusalém assim como todas as praças das Cidades do Estado de Israel estão lotadas de nossos anciãos e de nossos jovens. Porque o Milagre se fez porque o Povo de Israel nunca deixou de estar ligado na sua Terra, e em seus princípios emanados por D’us em nossa Toráh e que levou a concretizar a idéia milenar de redenção: morar em Sião, construir o Estado de Israel.

AMEN!!!

Que faz que o Judaismo seja unico

O que torna o Judaísmo único?


O Judaísmo e somente o Judaísmo sustenta e afirma ter suas raízes em um evento histórico nacional, vivenciado por toda sua nação. As fundações intelectuais da fé Judaica não se apoiam sobre a alegação de divindade ou profecia de um homem ou de um pequeno grupo de testemunhas.

O comprometimento Judaico ao Judaísmo está enraizado na idéia que, mesmo que eventos históricos nacionais possam estar abertos a reinterpretações, eles nunca poderiam ser fabricados ou apagados.

No livro Devarim (Deuteronômio) 4:32-34, Moshe, ao final de 40 anos no deserto, fala ao Povo Judeu daquela época e para todas as futuras gerações, incluindo aí aqueles que procuram espiritualidade ou significado para a vida em todo tipo de religiões, ideologias ou “ismos”: “Por favor, investiguem a história mundial até seus primórdios e verifiquem se um evento desta magnitude jamais ocorreu ou se já se ouviu falar de um evento como este ... Será que toda uma nação já ouviuD’us falando ou será que D’us já salvou uma nação que estava dominada dentro de outra nação, como fez conosco no Egito ?”

A Guerra do Vietnã bem como o assassinato do presidente americano John Kennedy serão debatidos ainda por muito tempo. Porém, uma única idéia jamais entrará em discussão: a de que estes eventos nunca ocorreram. Nenhuma teoria conspiratória é grande o suficiente para inventar eventos de tão grandes consequências nacionais, onde tantas pessoas se acharam envolvidas. Da mesma forma, embora os líderes da antiga União Soviética descrevessem Stalin numa variada escala de adjetivos, de salvador a demônio, duas coisas eles nunca conseguiram: negar sua existência ou inventá-lo. Os eventos nacionais que tiveram Stalin como seu dirigente eram simplesmente muito grandiosos para se esconder e muito amplos e influentes para serem fabricados.

Mas Moshe ainda deu um passo mais a frente. Reflita suas palavras com cuidado: “ ... se um evento desta magnitude jamais ocorreu ou se já se ouviu falar de um evento como este”.

Há mais de 3.000 anos atrás, Moshe previu o imprevisível. Quando profetizou de que um evento como este “nunca se ouviria falar ”, o que quis dizer foi: Embora o Povo Judeu vá sempre basear suas alegações espirituais no solo da história, nenhum outro povo ou religião nem mesmo isto tentará fazer. E a própria história mundial atesta esta confiante previsão de Moshe.
Pois, de fato, nenhuma outra religião jamais tentou subiu ao palco da história mundial, baseando sua veracidade num evento histórico nacional.

E como Moshe sabia que isto iria acontecer (ou não acontecer) ? A resposta é: Embora sonhos, visões e revelações pessoais possam facilmente ser expressadas por indivíduos ou grupos tentando montar uma religião, é impossível afirmar que determinado acontecimento nacional ocorreu se não for verdade.

Moshe sabia profeticamente o que a lógica igualmente deduz. Se os Judeus fossem espertos o suficiente para inventar uma história de redenção nacional e salvação, então no final algum outro grupo acabaria inventando sua própria convincente e emocionante história. Porém, um detalhe: nós não o fizemos e eles não conseguiram.

quarta-feira, junho 04, 2008

Apresentação



Shalom!

Este espaço será utilizado para apresentação de textos que refletem os pensamentos, as idéias e reflexões do Rabino Rubén Najmanovich.
À respeito de temas relacionados com as raízes do Judaísmo. Mensagens e conceitos modernos acordes a um Judaísmo dinâmico.

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