terça-feira, julho 12, 2011

O Mundo Humano, pode acolher um mundo de clones?

Clonagem reprodutiva não é um substituto para as falhas perfeitas da humanidade

genetica

As experiências propostas em clonagem humana, anunciadas pelo embriologista italiano Severino Antinori[1], são perigosas, irresponsáveis e merecem condenação. Assinalam um retrocesso, pois estão jogando roleta com a vida humana.

A clonagem é um procedimento repleto de riscos. Nas experiências que criaram a ovelha Dolly, 277 clones de embriões foram produzidos. Apenas 29 desenvolveram-se ao ponto de poderem ser implantados, e apenas um sobreviveu a termo. Os outros desenvolveram anormalidades e foram abortados. Em todas as experiências com animais até o presente, menos de 3 por cento das tentativas de clonagem foram bem sucedidas. Não apenas ocorrem mortes fetais e natimortos, mas mesmo entre aqueles que sobrevivem há uma alta incidência de anormalidades não detectadas a princípio.

Há apenas um mês um importante estudo nos Estados Unidos mostrou que ratos clonados, externamente saudáveis, portavam uma instabilidade genética básica que os colocava em risco de deformidade e morte prematura. A clonagem aparentemente perturba o processo normal de "impressão genômica[2]", pelo qual os genes nos cromossomos vindos de um genitor são ligados ou desligados. A evidência já convenceu muitos cientistas que a clonagem de mamíferos é um processo intrinsecamente falho. Certamente é inseguro demais para ser usado em reprodução humana.

Estas não são reações leigas. Dr. Ian Wilmut[3], que clonou a ovelha Dolly, afirmou várias vezes acreditar que a clonagem humana não será aceitável. Dois meses atrás, a Royal Society pediu o banimento da clonagem humana em todo o mundo. Os riscos são muito altos e as dúvidas grandes demais. Estas são vozes sábias.

Uma coisa é tentar um procedimento médico arriscado em um paciente vivo que enfrenta a morte certa, e outra bem diferente é trazer ao mundo crianças que correrão enormes riscos de anormalidades e morte prematura. O que dirão os médicos, ou os pais, àqueles que não nascerem da forma que se esperou? Desculpe? Achei que era seguro? A tragédia da Talidomida[4] certamente deveria ter sido suficiente para fazer os cientistas pensarem duas vezes antes de tornar disponíveis tratamentos ainda não completamente testados que tenham uma alta - neste caso, avassaladora - chance de falhar.

ClonagemO que dirão os médicos, ou os pais, àqueles que não nascerem da forma que se esperou? Desculpe? Achei que era seguro?

Entretanto, a clonagem não é apenas outra tecnologia. Levanta aspectos jamais apresentados por outro tipo de reprodução assistida. A transferência do núcleo celular ou célula somática é uma forma de reprodução assexuada. Não sabemos por que criaturas grandes, de vida longa como nós, se reproduzem sexualmente. De um ponto de vista evolucionário, a reprodução assexuada parece muito simples. Evita o problema de encontrar um parceiro e todo o amor e guerra que se seguem. Mesmo assim, nenhum dos mamíferos maiores se reproduz assexualmente. Será apenas pela combinação imprevisível de dotes genéticos de pais e avós que uma espécie pode gerar a variedade de que precisa para sobreviver? Correr riscos com nosso próprio futuro genético é suicida.

A verdadeira objeção à clonagem, porém, é a ameaça às crianças nascidas desta forma. É certo que pessoas geneticamente idênticas já existem, como no caso de gêmeos idênticos. Uma coisa, porém é isto acontecer; outra coisa é provocar deliberadamente esta ocorrência. Gêmeos idênticos não existem para que um possa servir como fonte de tecido compatível de substituição para o outro. Mas a clonagem trata as pessoas como meios, ao invés de fins em si mesmas. Será um passo decisivo na co-modificação da vida humana. Poderá apenas transformar alguns dos aspectos mais básicos de nossa humanidade.

Toda criança nascida da mistura genética entre dois genitores é imprevisível, um dom de graça, parecida e ao mesmo tempo diferente daqueles que a trouxeram ao mundo. Esta mistura de parentesco e diferença é o aspecto essencial dos relacionamentos humanos. Está por trás daquilo que é a crença que define a civilização ocidental, que cada indivíduo é único e insubstituível. O que seria do amor se soubéssemos que, caso perdêssemos o ser amado, uma réplica poderia ser criada? O que aconteceria ao nosso senso de individualidade se fôssemos feitos sob encomenda? Se há um mistério no âmago da condição humana, é a diversidade: a diversidade do homem e mulher, pai e filho. É o espaço que criamos para diversidade que torna o amor algo mais que narcisismo, e a paternidade algo maior que uma autocópia. É isso que dá a cada criança o direito de ser ela mesma, de saber que não é a reprodução de alguém, construída segundo um molde genético pré-planejado ao capricho de alguém. Sem isso, a infância seria suportável? O amor sobreviveria? Um mundo de clones ainda seria um mundo humano? Duvido.

clonagem1Há alguns mistérios perante os quais, a única reação apropriada é reverência, responsabilidade e moderação. Dr. Antinori e sua equipe demonstraram uma falta das três.


[1] É um médico ginecologista italiano que mora e trabalha em Roma. Defende a clonagem humana. No início de 2002, surpreendeu o mundo ao clonar pela primeira vez uma célula humana.

[2] Genômica é um ramo da bioquímica que estuda o genoma completo de um organismo. Essa ciência pode se dedicar a determinar a seqüência completa do DNA de organismos ou apenas o mapeamento de uma escala genética menor.

[3] A ovelha Dolly (5 de Julho de 1996 — 14 de Fevereiro de 2003) foi o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso a partir de uma célula adulta. Dolly foi criada por investigadores do Instituto Roslin, na Escocia, onde viveu toda a sua vida. Os créditos pela clonagem foram dados a Ian Wilmut, mas este admitiu, em 2006, que Keith Campbell seria na verdade o maior responsável pela clonagem.

[4] A talidomida (C13H10N2O4) é uma substância usualmente utilizada como medicamento sedativo, anti-inflamatório e hipnotico. Devido a seus efeitos teratogénicos, tal substância deve ser evitada durante a gravidez e em mulheres que podem engravidar, pois causa malformação ou ausência de membros no feto.

segunda-feira, julho 11, 2011

As Tribos Perdidas de Israel

O Mistério das dez tribos perdidas

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As Dez Tribos foram exiladas durante a Era do Primeiro Templo - aproximadamente há 2500 anos, e estão separadas do restante do judaísmo desde então. Mas ao final, serão redimidas, e juntar-se-ão ao restante do judaísmo - na era de Mashiach (do redentor).

Este ensaio dirige-se às várias opiniões no Talmud a respeito do destino das Dez Tribos, e a grande dúvida: As Dez Tribos realmente voltarão?

Mais de 1000 anos antes das Dez Tribos serem exiladas, o amado filho de Iahacov - Iosef, foi raptado pelos irmãos - e vendido como escravo. Finalmente, após muitos anos de separação, reuniu-se novamente com seu pai e irmãos. A Toráh descreve como Iosef revelou sua identidade a seus irmãos: "Iosef não conseguiu se refrear... e ele chorou em alta voz" (Bereshit – Gêneses 45:1-2).

Este fenômeno se repetiria em escala muito maior - com os filhos de Iosef juntamente com outras tribos.

Iosef representa as Dez Tribos, pois a capital das Dez Tribos era Monte Efraim (Irmiyáhu – Jeremias 31:5), e Efraim era filho de Iosef.

Esta reunião será triste: "Com choro eles virão, e com misericórdia eu os levarei" (Irmiyáhu 31:8).

O profeta Iechezkel – Ezequiel (37:19-22) fala sobre esta reunião:

"Estou levando o bastão de Iosef, que está na mão de Efraim, e as tribos de Israel - seus amigos, e os colocarei no bastão de Iehudáh, e os transformarei em um só bastão, e serão uns na minha mão... Estou levando os filhos de Israel das nações às quais eles foram, e os reunirei de toda parte e os trarei à terra deles. E os transformarei em uma só nação, na terra, nas montanhas de Israel. E um rei reinará sobre eles, e não serão mais duas nações, e não mais se separarão em dois reinos."; i.e., até agora, tem havido separação dentro do judaísmo. A princípio, na forma de dois reinos e mais tarde foram completamente separados. Quando Mashiach chegar, D'us nos transformará "em uma só nação e não mais seremos divididos em duas nações."

Embora aparentemente seja claro que as Dez tribos retornarão, quando consultamos estas fontes, vemos que não é tão simples como parece.

Citemos o Mishnáh (Literatura Rabínica) em Sanhedrin (110b):

“As Dez Tribos não retornarão como foi dito (Nitsavim 29:27): ‘E Ele os jogou a uma terra diferente como este dia’. Assim como o dia passa e jamais voltará, eles também serão exilados para nunca mais voltarem”. Estas são as palavras de Rabi Akiva.

Rabi Eliezer disse: “Assim como o dia é seguido pela escuridão, e a luz mais tarde retorna, assim também ficará escuro para as Dez Tribos. D'us por fim os tirará de suas trevas.'“.

Dessa maneira, temos duas opiniões a respeito do destino das Dez Tribos. O Talmud menciona um ponto de vista adicional, que afirma que o destino das Tribos depende de seu comportamento. "Rabi Shimon ben Iehudáh de Kefar Ako diz em nome de Rabi Shimon: 'Se seu comportamento continuar da maneira que é hoje (este dia) eles não retornarão. Se eles se arrependerem, na certa retornarão.'“.

Comecemos com uma análise da opinião de Rabi Akiva, de que as Dez Tribos ficarão perdidas para sempre. Tal opinião exige uma explicação: se o judaísmo consiste inteiramente de duas tribos remanescentes (Iehudáh e Biniamin), como podem os versículos referir-se à união da “Árvore de Yehudá” e da Árvore de Iosef ”.

Além disso, o profeta Iechezkel falou em dividir a Terra de Israel entre 12 Tribos.

Abarbanel explica (Yeshuot Meshicho 1:4):

Na época de Rabi Akiva, as Dez Tribos tinham estado perdidas por mais de 600 anos, e não havia a mínima pista sobre se ainda existiam.

Considere: Se as Dez Tribos tivessem ainda permanecido leais ao judaísmo, por que não teriam enviado pelo menos um mensageiro a Jerusalém durante a Era do Segundo Templo - para verificar os rumores de que os judeus tinham retornado ao seu país e reconstruído o Templo?

Este argumento convenceu Rabi Akiva de que as Dez Tribos devem ter se assimilado às nações pagãs e não seriam mais consideradas como parte do povo judeu.

E a respeito das profecias que implicam que todas as tribos existirão na Era Messiânica, Rabi Akiva poderia argumentar que, enquanto a maioria das Dez Tribos foi exilada e jamais retornará, algumas podem ter escapado e hoje vivem entre nós. Dessa maneira, teremos representantes de todas as Tribos Perdidas, e as profecias serão realizadas através deles.

Após discutir a opinião de Rabi Akiva, discutiremos o ponto de vista oposto de Rabi Eliezer (que é aceito pela lei judaica) - de que as Dez Tribos retornarão.

O Talmud explica que esta opinião é baseada no versículo (Yeshayahu – Isaias 27:13) "e será naquele dia, um grande shofar será tocado, e os desgarrados virão da terra de Ashur" - este versículo refere-se às Dez Tribos que foram exiladas para a terra de Ashur (Assíria).

Resta um ponto ainda a ser esclarecido: Amos (5:1-2) disse em referência às Dez Tribos: "Escute isso, sobre o qual estou pranteando: A Virgem de Israel caiu, e jamais se levantará". Como Rabi Eliezer explicaria as palavras "e jamais se levantará?”

Uma explicação possível é que "não se levantará" como uma entidade independente, mas se levantará como uma entidade totalmente dependente do reino de Iehudáh.

O Midrash nos diz que as Dez Tribos foram exiladas em três locais: algumas foram exiladas para o país atrás do Rio Sambation. Outro grupo foi exilado para uma terra “distante” atrás do Rio (este país tinha o dobro da distância para Israel que o primeiro país); o terceiro grupo foi “(engolido em Rabesla)”.

O Midrash descreve então o modo pelo quais alguns do Terceiro Grupo, que foram engolidos, retornarão:

"D'us lhes fará túneis subterrâneos e viajarão através deles, até chegarem ao Monte das Oliveiras em Jerusalém (Ierushalaim). D'us estará no Monte fazendo com que se parta, e as Dez Tribos emergirão do seu interior." (Yalkut Shimoni, Yeshayahu 469).

Obviamente, o Midrash não deve ser entendido ao pé-da-letra, ao contrário, está se referindo ao exílio espiritual que este grupo agora suporta, e a transformação espiritual pela qual passarão quando Mashiach chegar:

As Dez Tribos foram levadas ao exílio e “engolidas”, i.e., esqueceram-se totalmente de sua identidade judaica, como se tivessem sido "engolidos" por alguma força externa. Sua energia permanece apenas na forma potencial. Quando Mashiach vier, D'us os levará través de “túneis”, simbolizando o processo de refinamento, e os levará até o Monte das Oliveiras - uma montanha que fora originalmente dedicado ao cultivo de frutos - um símbolo de energia potencial. Finalmente a montanha se partirá, e eles emergirão - sua identidade judaica re-emergirá do atual estado de "potencial" e será plenamente realizada.

¿Quién es el loco?

     Un Explorador…

¿¿Será Loco??

 

Un explorador1

Un explorador estaba escalando una montaña y de pronto pierde el equilibrio y cae a un barranco.- Cuando despierta advierte que esta siendo atendido por una extraña raza de hombres ciegos y en su horror escucha que ellos quieren normalizarlo, y por ello le van a extirpar esas protuberancias que tiene en la cara (los ojos).-

Nuestro héroe logra desprenderse de esta gente y comienza a ascender nuevamente la montaña y detrás lo persiguen los hombres ciegos y mientras huye escucha que sus voces dicen:
“Pobre, esta loco... dice que ve....”
Ahora agrego yo:
cuantos son considerados locos en nuestro tiempo y lo fueron también en su tiempo....

quinta-feira, junho 23, 2011

O valor das atitudes.

APRENDENDO A ESCREVER NA AREIA...

escrevendo_areia-

Dois grandes mercadores, de nomes Amir e Rafiel, eram muito amigos e sempre que faziam suas viagens para um mercado onde vendiam suas mercadorias, iam juntos, cada qual com sua caravana e seus escravos e empregados.

Numa dessas viagens, ao passarem junto a um rio caudaloso, Rafiel resolveu banhar-se, pois fazia muito calor. Em dado momento, distraindo-se, foi arrastado pela correnteza. Amir, vendo que seu grande amigo corria risco de vida, atirou-se nas águas e, com inaudito esforço, conseguiu salva-lo.

Após esse episódio, Rafiel chamou um de seus escravos e mandou que ele gravasse numa rocha ali existente, a seguinte frase:

"AQUI COM RISCO DE SUA PROPRIA VIDA, AMIR SALVOU SEU AMIGO RAFIEL."

Ao retornarem, passaram pelo mesmo lugar, onde pararam para rápido repouso. Enquanto conversavam, tiveram uma pequena discussão e Amir alterando-se esbofeteou Rafiel. Este aproximou-se das margens do rio e, com uma varinha, assim escreveu na areia:

"AQUI, POR MOTIVOS FUTEIS, AMIR ESBOFETEOU SEU AMIGO RAFIEL."

O escravo que fora encarregado de escrever na pedra o agradecimento de Rafiel, perguntou-lhe:

- Meu senhor, quando fostes salvo, mandaste gravar aquele feito numa pedra e agora escreveis na areia o agravo recebido. Por que assim o fazeis?

Rafiel respondeu-lhe:

- Os atos de bondade, de amor e abnegação devem ser gravados na rocha para que todos aqueles que tiverem oportunidade de tomar conhecimento deles, procurem imita-los. Ao contrario, porem, quando recebemos uma ofensa, devemos escreve-la na areia, próxima as águas para que desapareça, levada pela marre, a fim de que ninguém tome conhecimento dela e, acima de tudo para que qualquer magoa desapareça prontamente no nosso coração...

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Ninguém

Ninguém é tão pequeno

que não tenha nada para dar.

e nem tão poderoso

Que não tenha nada a receber

Ninguém é tão fraco

que nunca tenha vencido

Ninguém é tão forte

que nunca tenha chorado

Ninguém é tão alto suficiente

para nunca ser ajudado

Ninguém é tão invalido

que nunca tenha contribuído

Ninguém é tão sábio,

que nunca tenha errado

Ninguém é tão corajoso

que nunca teve medo

Ninguém é tão medroso

que nunca teve coragem

NINGUÉM É TÃO ALGUÉM

QUE NUNCA PRECISOU DE NINGUEM!

quarta-feira, junho 22, 2011

A Oração e o Perdão

Um pouco sobre a

importância do perdão

Rabino lendo e meditando

Este texto procura trazer uma reflexão sobre o perdão e é baseado em uma das orações que são recitadas no serviço diario, essa oração é conhecida como Shemoneh Esre. É também chamada de Amidáh. O nome em hebraico tem o significado de “dezoito bênçãos”, conforme segue:

The most central prayer of every Jewish service is the Shemoneh Esre (“eighteen blessings”). It is also known as the Amidáh, which means “standing” in Hebrew. It has been given this apellation because it is the only part of the prayers for which we must stand, provided that we are able to do so. (KIRZNER, 2002, p.29).

A estrutura atual da Amidáh consiste em dezenove orações, cada qual contendo uma bênção no seu final. No seu formato original, a Amidáh possuía dezoito orações, de acordo com o anteriormente descrito, porém uma décima nona oração foi incluída nos tempos talmúdicos. A sexta oração trata do perdão e o seu texto é o seguinte:

Forgive us, our Father, for we have sinned unintentionally.

Pardon us, our King, for we have purposely sinned, for You pardon and forgive. Blessed are You, God, the gracious one who forgives abundantly. (KIRZNER, 2002, p. 111).

Essa oração diz: Perdoai-nos, nosso Pai, porque nós pecamos sem intenção. Perdoai-nos, nosso Rei, porque nós intencionalmente pecamos; para Vós o perdão. Abençoado sejais Vós, D’us, aquele cheio de graça que abundantemente perdoa.

A tradução para o português do texto em inglês não é tão rica quanto pode parecer, porque as palavras utilizadas na língua inglesa possuem um sentido mais preciso, senão vejamos:

To forgive: este verbo exprime o ato de perdoar, no sentido de não se permanecer zangado ou ofendido com aquele que nos ofendeu. Ou seja, na oração, equivale mais ou menos como se quisesse dizer assim: “Não ficai ou permanecei bravo conosco pelos pecados que cometemos sem intenção”.

To pardon: também exprime o ato de perdoar, mas quando há dois motivos ou mais a serem perdoados. Por exemplo, quando uma pessoa não entende o que a outra disse ou não a escutou, educadamente torna e diz: I beg your pardon. Significa que ele está solicitando o perdão por não ter escutado direito e também por fazer a pessoa repetir o que foi dito. Ou seja, são dois os motivos. No caso da oração, estão presentes os dois motivos: houve o pecado em si, a ação faltosa ou a omissão de uma ação benéfica, associada a uma intenção de fazer ou de omitir-se. Ou seja, pede-se perdão pela ação ou omissão e pela intenção que a precedeu.

Pelos citados significados dos dois verbos, compreende-se o porquê da citação: for You pardon and forgive. Referem-se às faltas cometidas com diferentes graus de gravidade. Ou seja, perdão para os pecados mais graves e pelas pequenas faltas cometidas.

O termo “the gracious one who forgives” traz em si o significado de gracious. Em inglês, por exemplo, pode-se dizer que: God is gracious, that is, that He forgives people who do wrong. Ou seja, significa Aquele que detém a graça de conceder o perdão àqueles que agem de forma errada.

Posto isso, o texto da oração nos ensina que faz parte das nossas relações com D’us o fato de Ele conceder o perdão pelos nossos erros. Desse ensinamento depreende-se que nas relações entre os homens também temos que aprender a conceder o perdão a quem nos ofende.

Evidentemente que há faltas para as quais às vezes não é fácil perdoar, mas na maior parte das vezes nós não avaliamos bem a sua real dimensão. É normal que se aumente a sua gravidade. Numa relação entre casais ou numa relação entre amigos, se não houver o perdão, pequenos erros ou desapontamentos irão crescendo dentro de nós e nos sobrecarregarão com forças destrutivas. Isso faz mal a nós mesmos. A guarda do rancor pode inclusive ser a porta de entrada para determinadas patologias psíquicas e até mesmo físicas.

A mensagem que essa pequena oração da Amidáh nos traz é a de que o perdão e o esquecimento da ofensa é o único meio de evitar que um erro ou falta cometida por alguém venha a destruir um relacionamento. Boas amizades se perdem por pouca coisa e muitos casais se desentendem por menos ainda. A pequena oração nos diz que D’us concede o perdão em abundância. Isso nos sugere que o ato de perdoar deve fazer parte de qualquer relacionamento humano. Devemos cultivar a habilidade de pedir perdão e aprender a perdoar, para que possamos manter um bom relacionamento com as outras pessoas, principalmente com aquelas que nos são mais próximas.

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Bibliografia:

FORGIVE. In: Cambridge international dictionary of English: English/English. Cambridge: Cambridge University Press, 2001. 1771 p.

GRACIOUS. In: Cambridge international dictionary of English: English/English. Cambridge: Cambridge University Press, 2001. 1771 p.

KIRZNER, Yitzchok. The art of Jewish prayer. With Lisa Aiken. New York: The Judaica Press, 2002. 304 p.

PARDON. In: Cambridge international dictionary of English: English/English. Cambridge: Cambridge University Press, 2001. 1771 p.

domingo, junho 19, 2011

Historias de café, Historias de vida

SABOREIE SEU CAFÉ

Café e a vida

Um grupo de ex-alunos, todos muito bem estabelecidos profissionalmente, se reuniu para visitar um antigo professor da universidade.

Em pouco tempo, a conversa girava em torno de queixas de estresse no trabalho e na vida como um todo.

Ao oferecer café aos seus convidados, o professor foi à cozinha e retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras de porcelana, plástico, vidro, cristal; algumas simples, outras caras, outras requintadas; - dizendo a todos para se servirem.

Quando todos os estudantes estavam de xícara em punho, o professor disse: «Se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Uma vez que não é nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é a fonte dos seus problemas e estresse. Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não adiciona qualidade nenhuma ao café. Na maioria das vezes, são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam o que estamos bebendo.

O que todos vocês realmente queriam era o café, não as xícaras, mas escolheram, conscientemente, as melhores xícaras..., e então ficaram de olho nas xícaras uns dos outros.

Agora pensem nisso: A Vida é o café, e os empregos, dinheiro e posição social são as xícaras.

Elas são apenas ferramentas para sustentar e conter a Vida e o tipo de
xícara que temos não define, nem altera, a qualidade de Vida que vivemos. Às vezes, ao concentrarmo-nos apenas na xícara, deixamos de saborear o café que D’us nos deu.»

D’us côa o café, não as xícaras ... Saboreie seu café!

quinta-feira, junho 16, 2011

A Guerra entre o bem e o mal.

clip_image001[4] Como judeu, não pude deixar de refletir sobre as atitudes contrastantes para com esta luta épica entre o judaísmo e o mundo de Harry Potter

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Os livros da série Harry Potter não são apenas romances. São contos de fada modernos, com uma predominância de temas espirituais. Descrevem a luta entre o bem e o mal, e o supremo triunfo do bem, através da coragem e engenhosidade do espírito humano, e do poder do amor.

A sobrevivência do garoto Harry contra a investida do perverso Lord Voldemort, que custou a vida de seus pais, é repetidamente atribuída ao poder do amor de sua mãe, e sua disposição em sacrificar sua própria vida no altar deste amor.

Em cada uma das histórias, Harry e seus amigos triunfam sobre o malvado Lord Voldemort devido ao poder espiritual da bondade implantado em Harry, a força do poderoso vínculo de amizade entre Harry e o fiel Ronny, a engenhosidade e a capacidade de resolver os problemas do estudioso Hermione, e a coragem combinada de todos eles.

O tema que especificamente captou meu interesse é o conflito entre o bem e o mal, o que talvez retrate a atitude dominante em nossa cultura. Como judeu, não pude deixar de refletir sobre as atitudes contrastantes para com esta luta épica entre o judaísmo e o mundo de Harry Potter.

O que me surpreendeu a princípio é que a luta entre o bem e o mal não é encontrada no mundo dos Trouxas. No Mundo dos Trouxas, o mal de Voldemort se transforma na estupidez, venalidade e maldade dos parentes de Harry, os Dursley. Estas são características que mesmo a coragem e criatividade de Harry Potter não podem superar; o único método de lidar com eles é a fuga.

Nos livros de Harry Potter, embora o bem lute contra o mal, os combatentes não são livres para escolher um dos lados.

As pessoas no mundo dos Trouxas - o mundo real versus o mundo mágico - são banais ou interessantes. As banais são bitoladas e egoístas, e não há maneira de redimi-las. Não podem mudar ou serem mudadas. As interessantes têm bastante probabilidade de receber um convite para freqüentar Hogwarts. Aquelas que não são somente podem ser manobradas mantendo-se distância delas. No mundo dos Trouxas, tudo está fadado a permanecer uma confusão.

Assim, os Dursley permanecem estáticos. Sua conexão com Harry - embora eles demonstrem um ato de grande bondade fornecendo um lar para um órfão - os deixa sem inspiração. Somente suas características negativas se intensificam de livro para livro. Perante nossos olhos, o primo Dudley se desenvolve em um monstro egoísta, egocêntrico e intolerante, com total encorajamento por parte dos pais.

Porém os Dursley são apresentados como trouxas, não como perversos.

A resposta à maldade

Em contraste, o judaísmo ensina que o propósito principal neste mundo Trouxa é mudar estes traços negativos do caráter. A resposta para superar a maldade e a estupidez não é escapar para um fascinante ambiente mágico, mas sim ajudar a mudar o mundo em que a pessoa está.

Um de meus principais deveres como pai judeu é ensinar os filhos sobre o heroísmo envolvido na formação do caráter de uma pessoa. Assim como eles devem lutar contra sua própria negatividade, precisam aprender a considerar a venalidade de outros como uma qualidade, contra qual todos estão lutando. Quando o fazem, adquirem a característica de sempre julgar favoravelmente os outros, e dar-lhes o benefício da dúvida.

No mundo dos Hogwarts, onde há um conflito entre o bem e o mal, as pessoas não são retratadas de forma tão diferente. Com a possível exceção do Professor Snape, não há personagens de caráter ambíguo, nem pessoas que passam por desenvolvimento moral do caráter. A partir do momento de entrada em Hogwarts, cada um tem seu lugar fixo.

O Chapéu Seletor divide os novatos de onze anos de idade entre várias casas. Nos primeiros três livros, nada há de bom sobre Sonserina, nem há nada de mal sobre Gryffindor. Todos os membros da Casa de Sonserina têm uma aparência perversa e ameaçadora, com padrões de linguagem sem igual, ao passo que podemos nos identificar com todos os personagens Gryffindor.

O bem é puramente bom, e o mal é totalmente mau. Não há uma área de ambigüidade ou confusão. Os combatentes não são livres para escolher um dos lados. Estão congelados em seus campos, devido a seu caráter.

Embora Dumbledore diga a Harry que são as opções da pessoa que nos dizem quem ela é realmente, a escolha de Gryffindor por Harry dificilmente poderia ser chamada de opção. Ele nunca foi atraído pela Casa de Sonserina. Na verdade, o fato de que o Chapéu Seletor tenha detectado nele algumas tendências da Casa de Sonserina é uma fonte de ansiedade para Harry. Harry tem alguns poderes que são normalmente associados com as artes das trevas, tal como língua de cobra, porém ele não possui um único traço negativo de caráter que seja indicativo dos Malfoys, ou mesmo Tom Riddle, seu suposto reverso.

A falta de habilidade de alterar o caráter de alguém e de escolher livremente os lados transforma a épica luta moral entre o bem e o mal em uma simples luta pelo poder. A vitória pertence àquele que apresentar a mágica mais forte. A guerra entre o bem e o mal não é um conflito pelos corações e mentes da humanidade. Cada lado compete pela hegemonia sobre o mundo externo, nada mais.

Além disso, não há uma tentativa de redimir o mal ou transformá-lo. O bem quer simplesmente manter o status quo, e impedir o mal, na forma de Lord Voldemort, de tomar pé. O mal deseja dominar simplesmente porque é o mal e odeia o bem, e vice-versa. Seu único objetivo é destruir um ao outro.

Não há evidência de livre arbítrio, e, portanto não há responsabilidade moral. O conflito inteiro é um jogo quadriball glorificado; tudo é muito divertido, desde que seu time vença.

A luta do coração

Em contraste, a essência de toda a crença judaica é que o conflito entre o bem e o mal é de natureza moral. Acontece no coração, não no mundo exterior. Os combatentes são a consciência do homem contra seus anseios, a espiritualidade do homem contra a força física da vida.

O mal crepita com prazer sensual, ao passo que a trilha do bem leva ao júbilo espiritual

Segundo a perspectiva judaica, o mal não é repulsivo. Pelo contrário, para assegurar que tivesse uma chance justa de nos apresentar escolhas feitas de livre vontade, D'us fez o mal atraente, dando-lhe um tremendo charme para que tivesse chance na luta. O apelo do bem é a integridade e a pureza, qualidade que todos reconhecem como maravilhosas, mas apresentam-se carentes de diversão e encanto.

O mal crepita com prazer sensual, ao passo que a trilha do bem leva ao júbilo espiritual, associado com uma conexão a D'us. Há uma guerra pela alma do homem: entre o puro e o certo por um lado, e o atraente e sedutor, mas errado, do outro.

Segundo a crença judaica, o foco da batalha entre o bem e o mal não é a hegemonia sobre o mundo exterior, mas sobre a alma do indivíduo humano e o poder que ela contém.

As opções humanas contêm esta habilidade "mágica" para fornecer poder à força negativa. A Toráh declara que D'us formou o ser humano à Sua própria imagem (Veja Bereshit, cap. 1). Isso significa que D'us nos investiu com algo semelhante a Seu imenso poder, fazendo de nós agentes livres exatamente como D'us - seres com livre arbítrio.

O livre arbítrio dá ao homem o poder de investir a energia Divina colocada sob seu controle como lhe aprouver. Além disso, as decisões sobre a investidura desta força Divina são efetivas e comprometedoras. Quando o homem investe na ânsia negativa do mal, na verdade investe esta força com seu próprio poder Divino.

O mal interior refletido no exterior

O mundo exterior simplesmente adapta-se à condição moral do espírito humano. O mal no ser humano é refletido pelo mal no mundo, o mal apenas brota pela corrupção do bem.

Na Criação, D'us deu à força negativa o poder de tentar o homem para longe do caminho certo, nada mais. Recebeu o poder de atrair, mas não de destruir. O poder destrutivo origina-se no espírito humano corrupto, que é a força mais poderosa no universo criado. Quando a força negativa criada por D'us para tentar o homem é sustentada por imensas contribuições da força de vida humana, adquire o poder de remodelar o mundo à sua própria imagem.

A Força Divina no homem tem o poder de moldar tudo no universo. Quando o homem aplica esta força no lado escuro e negativo da criação, o mal adquire a capacidade de remodelar o mundo à sua própria imagem.

Somente quando o mal exaure suas reservas e gasta toda a força de vida que foi investida em seus atos de pura destruição, o universo pode livrar-se de sua influência maligna. Apenas então a força negativa volta a ser meramente uma tentação.

Redimindo a Voldemort

O relevante ponto final de divergência entre o judaísmo e as sagas de Harry Potter é a capacidade de se arrepender e conquistar a alma humana perdida.

Assim como o homem pode investir sua força de vida no lugar errado através de seu livre arbítrio, pode também recuperar seu investimento e recuar novamente, lutando pela redenção da alma do homem. Se fosse um conto de fadas judaico, o herói batalharia pela alma de Lord Voldemort e tentaria conquistá-la para o bem.

Os judeus recitam o seguinte versículo duas vezes ao dia: "Amarás ao Senhor teu D'us, com todo teu coração [lit. corações], com toda tua alma, e com todo teu poder." (Devarim 6:5) O Talmud (Berachot 9b) interpreta a frase "com todo teu coração" como uma referência ao impulso do bem e do mal dentro do homem. Recebemos a ordem de amar a D'us com nossa inclinação para o mal, e também com nossa inclinação para o bem.

Nenhum ser humano com o poder do livre arbítrio é irredimível. A missão do homem é recuperar os aspectos negativos de sua própria personalidade. A característica do herói judeu é que ele transforma o mal em bem, e leva a todos de volta para D'us.

Nos livros de Harry Potter, sem uma batalha moral entre o mal e o bem, não há magia no mundo. Todas as coisas se limitam a ser aquilo que são e nada mais, e o mundo torna-se um lugar entediante e descolorido. Você precisa escapar para o reino da magia para tornar as coisas interessantes, e descobrir o potencial para transformar a existência.

Num mundo judaico, onde o mal pode ser transformado e regenerado, e onde o bem pode ser degradado em mal, este Mundo dos Trouxas comum está repleto de magia. A vida cotidiana torna-se uma saga heróica.

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Fontes: Rabino Natan Weisz de Aish HaToráh

Toráh – Livro Bereshit – Tradução e Explicação a cargo do Rabino Mordechai Eder Z”L.

Chovot Levavot – Os Deveres do Coração – Ibn Pakuda