quarta-feira, outubro 06, 2010

A Ciencia da Matemática no Casamento

A Ciencia da Matemática no Casamento

A relação do Matrimonio com nosso casamento espiritual

Casamento: são dois indivíduos reduzidos a um, dois indivíduos distintos e unidos, ou três totalizando um?
Um sábio da Galiléia expôs diante de Rabi Chisda: "Abençoado seja o Misericordioso, que doou um Toráh tríplice (1) a um povo tríplice (2) através de um terceiro filho(3) no terceiro dia (4) do terceiro mês (5)". (Talmud, Shabat 88a)

A Toráh nós ensina que por mais que pareça estranho, é possível classificar o casamento em três categorias: o casamento individual, o casamento a dois e o casamento tridimensional.

No casamento do tipo individual, uma pessoa é totalmente anulada pela outra, à medida em que ele ou ela cedem sua vontade e identidade, a fim de servir à vontade e à identidade do outro. O dois torna-se um, porém esta não é bem uma união e sim uma fusão: um renunciou a si mesmo para aderir ao outro, enquanto que o ego do outro engole a mente, o coração e a essência de seu "parceiro".

No casamento do tipo a dois, cada parceiro preserva sua distinção como um indivíduo. Eles dividem pensamentos, sentimentos e recursos, e exercem profunda influência um sobre o outro; mas cada um atua em seus próprios termos, assimilando o laço matrimonial como parte de sua própria individualidade e experiência. Então, o que temos aqui não é uma união, mas unicamente um relacionamento entre indivíduos.

Finalmente, há o casamento em seu sentido real e fundamental — o casamento-união, tridimensional.

Aqui, a identidade não é anulada pela eliminação do mais fraco ou do parceiro "receptor", nem tampouco cada um se relaciona com o outro por detrás de paredes delimitadoras do eu. Suas duas existências individuais se juntam para criar uma terceira realidade, a realidade que funde e abraça os dois, enquanto preserva suas diferenças como um ingrediente puro da harmonia. Um verdadeiro casamento não abriga um ser individual, anulado, nem dois seres distintos, e sim uma trindade que é a essência da unidade: a própria individualidade de cada um dos cônjuges e o casamento em si, o terceiro elemento, cuja composição será traduzida pela união de dois seres em um todo harmonioso.

Esmagadoramente um...

Nossos profetas e sábios referem-se ao dia em que no Sinai recebemos a Toráh, como o dia de nosso casamento com O Todo-Poderoso. A Toráh, que articula a sabedoria e a vontade de D’us em termos humanamente compreensíveis, é o "terceiro" elemento de nossa relação com D’us, o elemento que transforma nosso relacionamento em um casamento.

Como seres humanos, nós habitamos uma realidade corpórea e finita, que por natureza e definição, impede qualquer contato com qualquer coisa realmente infinita, transcendente e absoluta. No entanto, O Criador estabeleceu canais de consciência e experiência que rompem os limites de nossa existência e nos permitem o relacionamento com Sua verdade transcendental.

Essas passagens à uma realidade maior assumem várias formas, porém podem ser divididas em três categorias gerais, similares aos três tipos de relacionamento descritos acima.

No primeiro nível "unilateral" de relacionamento, há ocasiões em que o Todo-Poderoso escolhe desencadear uma revelação supra-natural, supra-racional, de sua realidade. Por exemplo: testemunhamos um milagre que abala os fundamentos pelos quais entendemos a nós mesmos e ao nosso mundo — uma experiência que não podemos assimilar de nenhuma maneira humanamente sensível, exceto superando nossas limitações com reverência e humildade. Outro exemplo é quando uma pessoa, confrontada com um desafio às suas mais profundas convicções, escolherá sacrificar sua existência em benefício de uma verdade maior.

Em ambos os casos, a parede que confina nossas limitadas existências foi fendida, apesar do resultado não ser a união do mundo humano com o mundo celeste, e sim, a negação e anulação do humano, a exposição de sua insubstancialidade diante do Divino.

Naturalmente dois...

Por outro lado, há pontos de contacto entre o nosso mundo e a Divina realidade que são naturalmente e humanamente viáveis.

Cada nascer do sol, cada pulsar do coração humano e cada esvoaçar das asas de um inseto, é a ação de D’us sobre a nossa realidade. Enquanto que estes atos Divinos não são menos miraculosos do que a divisão do Mar Vermelho, a natureza é a maneira de D’us afetar nosso mundo através de um véu de controle, da rotina que nos possibilita absorver Sua interferência em nossas vidas, via nossos sentidos fisicamente finitos e nossas mentes limitadamente físicas. Um exemplo dos esforços do homem em elevar-se é o seu esforço em obter a compreensão do que está por trás e acima dos meros fatos de sua existência.

Tudo isso forma um tipo de relação a dois, entre céu e terra, nos conectando com uma verdade maior "em nossos próprios termos", sem anular as normas da existência e experiência humanas. Apesar disto tudo, no entanto, não se pode dizer que existe uma união real entre o terrestre e o Divino, mas, tão somente uma conecção entre os dois como distintos e irreconciliáveis setores.

... e matrimonialmente três.

Então, D’us desceu no Monte Sinai e tomou Israel como sua noiva. Ele nos deu a Sua Toráh, introduzindo uma dimensão matrimonial em nosso relacionamento. A Toráh nos une com a Sua verdade transcendental, e, ao mesmo tempo, abraça e envolve a nossa finita e terrestre existência como um componente integral desta união.

A Toráh é a sabedoria e vontade de D’us. Mas, D’us não comunica Sua sabedoria e vontade em um detalhado manifesto e uma codificada lista de instruções. Muito pelo contrário; Ele nos deu uma "Toráh Escrita" relativamente curta (os cinco livros de Moisés) junto com a "Toráh Oral", um conjunto de indicações pelas quais a Toráh Escrita será interpretada, decodificada, extrapolada e aplicada às miríades de possibilidades conjuradas pela experiência humana. Assim, A Toráh escrita encerra dentro de si o imenso oceano de ensinamento, legal, homilético, filosófico e místico, que conhecemos como a Toráh (por exemplo: o Talmud e seus comentários, o código das leis judaicas, os ensinamentos da Cabaláh, etc.); mas, são a mente e a vida humanas que D’us designa como as ferramentas com as quais serão desvendadas as várias nuances de sentidos e instruções.

A Toráh é desse modo o local onde o humano e o Divino se fundem em um. Onde a semente da sabedoria Divina germina na mente humana, ganhando profundidade, amplitude e definição, despertando o coração humano e tornando-se tangível à materialidade da vida humana. Neste casamento nossa humanidade não é apagada pela extensão infinita do Divino, também não permanece distinta dela. Neste casamento nossa finitude e subjetividade humanas tornam-se um instrumento da verdade Divina, unindo-se a ela, a fim de criar a expressão definitiva da Divina imanência em nosso mundo: A Toráh!.

O Homem do Espelho

O Homem do Espelho


Quando conseguir tudo que quer na luta pela vida
E o mundo fizer de você rei por um dia,
Procure um espelho, olhe para si mesmo
E ouça o que aquele homem tem a dizer


Porque não será de seu pai, mãe ou mulher
O julgamento que terá que absorvê-lo.
O veredicto mais importante em sua vida
Será o do homem que o olha do espelho.


Alguns podem julgá-lo modelo,
Considerá-lo um ser maravilhoso,
Mas ele dirá que você é apenas um impostor,
Se não puder fitá-lo dentro dos olhos.


É a ele que deve agradar, pouco importa os demais,
Pois será ele quem ficará ao seu lado até o fim.
E você terá superado os testes mais perigosos e difíceis
Se o homem no espelho puder chamá-lo de amigo.


Na estrada da vida, você pode enganar o mundo inteiro,
E receber palmadinhas no ombro ao longo do caminho,
Mas, seu último salário será de dores e lágrimas,
Se enganou o homem que o fita no espelho.

Dole WimBrow

sábado, setembro 25, 2010

Shemini Atseret e Simchat Toráh

Shemini Atseret e Simchat Toráh

ALEGRIA, ALEGRIA: Shemini Atzeret
Onde é que entra?
Encerramos esta temporada festiva celebrando Shemini Atzeret e Simchat Toráh. Em Israel, as duas se celebram juntas, num só dia; na diáspora, em dois. Na Toráh, Shemini Atzeret é chamado de a festa do oitavo dia (Números 29:35); no Talmud, é uma festividade a parte, desconectada dos dias anteriores de Sucot (Sucá 48 a). O preceito (mitzvá) mais difícil do Judaísmo...

Três vezes a Toráh, ao se referir a Sucot, nos manda ficarmos alegres durante a festa. Isto explica por que se chama Sucot de Zeman Simchateinu = tempo da nossa alegria.
Ainda que Sucot e Shemini Atzeret se festejem juntas, existem diferenças. Enquanto que em Sucot há muitas mitzvót, a única mitzvá de Shemini Atzeret é a de regozijar-se, alegrar-se, ficar feliz! Esta é, na minha opinião, o preceito mais difícil de todo o judaísmo.

A maioria das pessoas e correntes religiosas, discutem desde o motivo de certas mitzvot até como praticar (ou não), quem pode, quem deve, como adaptar aos dias de hoje, etc. Mas aqui não se está discutindo filosofia, teologia ou prática religiosa: temos um sentimento, uma emoção a encarar e que envolve atitude interna!
Como cumprir esta mitzvá???

Universalismo e particularidade

Enquanto que em Sucot a celebração tem lugar fora de casa, isto é, na Sucá, Shemini Atzeret é festejada em casa, e, assim como em Sucot o aspecto universal da festividade está determinado através da oferenda de 70 cordeiros recordando as nações do mundo, Shemini Atzeret só concerne a Israel (oferenda de um só cordeiro). A oferenda de 1 X 70, também nos faz voltar ao tema da unidade na diversidade...

Ecologia

Durante cada um dos dias de Sucot recitam-se preces especiais para que o novo ano traga prosperidade para a terra e saúde aos homens. Hoshana (daí o Hoshaná cristão)= salva-nos: no sétimo dia da festa, Hoshana Rabá, agitam-se, durante a oração da manhã, ramos de salgueiros, árvore que cresce à margem dos rios e que simboliza a água que corre em abundância. São renovados os pedidos a Deus que lave as faltas, que ajude no ano que começou. Quando o templo existia celebrava-se a festa da água (Simchat Beit Ha-Shoevá). Hoje, em Israel, são feitas festas populares e campestres.

Um aspecto particular de Shemini Atzeret é a oração por chuva, porque nesta época o mundo é julgado em relação à água. Nas orações se introduz a frase, que será recitada até Pessach: mashiv há-ruach u morid ha-gueshem (faz com que o vento sopre e a chuva caia). Esta reza dá expressão à natural ansiedade que se sente em Israel durante a estação das chuvas, já que a ausência delas significa fome, sede e enfermidade. Esta oração é feita para o dia final da festividade, para não invocar a chuva justamente quando se necessita de um bom tempo para habitar a Sucá.

Depois de todas estas considerações (ou devaneios) o que você me diz: reflexão e alegria não combinam bem? Afinal, que maior alegria pode haver do que quando encontramos, dentro de nós mesmos a unidade, a integridade? Shalom (hebraico) e Salam (árabe), que todos sabem que significa paz (embora não tenhamos ainda conseguido aprender como fazê-la), significa em sua raiz, inteiro, completo. E se conseguirmos ficar inteiros, podemos encontrar a paz (interior); se conseguíssemos ficar inteiros, unidos na diversidade, não teríamos encontrado a paz? E esta não seria o maior motivo de alegria – o melhor modo de festejarmos zeman simchatênu?

Que é Shemini Atzeret?

O último [oitavo] dia do Sucot, realmente não é Sucot a não ser Shemini Atzeret. Durante todos os dias do Sucot se trazem sacrifícios especiais no Templo - representando a todas as nações do mundo. Na culminação do Sucot, diz D’us: “Agora quero que vocês fiquem um dia mas, para que Eu e vocês celebremos somente, em maneira mas íntima.” Por este motivo se chama ‘Shemini Atzeret’ [literalmente O Oitavo da finalização]. Nos tempos do Templo, quão judeus subiam ao Jerusalém para o Sucot, detinham-se’ um dia mas antes de retornar a suas casas e se celebravam Shemini Atzeret no Jerusalém. Em Israel esta festa é o oitavo dia do Sucot e no resto do mundo se celebra por dois dias.

Quando celebramos Simchat Toráh? Por quê?
Durante o Shemini Atzeret celebramos até outra festividade: a culminação e abertura do ciclo anual da Toráh – Os Cinco Livros.

Durante todo o ano, cada semana no Shabat se lê uma [ou dois] porções da Toráh. Nesta maneira terminamos de ler toda a Toráh em um ano. O dia que começa e termina este ciclo é no Shemini Atzeret. Por esta razão este dia se chama também a festa do Simchat Toráh. Para celebrar, durante as rezas de noite e de dia, tiram-se todos os Sifrê Toráh [Rolos da Toráh] e a gente dança alegremente com eles. Ao final de dançar, acaba-se de ler o fim da Toráh e se lê imediatamente o começo. Assim mostramos que não deixamos nossa Toráh sem nossa atenção constante, e imediatamente ao terminar começamos de novo.

É a celebração especial do ‘Povo do Livro’ e o Livro!




domingo, setembro 05, 2010

A PRINCESA

A PRINCESA


Certa vez, viveu um grande rei que tinha apenas uma filha. A princesa era nobre e honrada e quando cresceu, o rei procurou um jovem virtuoso para desposá-la. Muitos príncipes e duques cortejavam-na, mas ela recusou-os um a um. “Este é um glutão” ou “Este gosta por demais de vinho” - dizia ela. O rei, impaciente, jurou que o próximo jovem que passasse pelos portões do palácio se casaria com a princesa.

Aconteceu que o primeiro homem a passar pelos portões do palácio era um mero camponês. Mas o rei, sendo um homem de palavra, casou sua filha com ele. O noivo levou sua esposa até seu povoado, onde se estabeleceram.

Para o camponês, a princesa era apenas uma mulher e a tratava como sempre achou que deveria tratar sua esposa. Ele trabalhou duro; seu rosto formoso ficou marcado e suas mãos se tornaram ásperas pelo trabalho. Os camponeses vizinhos freqüentemente troçavam dela e a insultavam. A coitada da princesa estava muito infeliz. Começou a escrever a seu pai diariamente, queixando-se. O rei ficou com pena de sua querida filha e mandou um recado que iria visitá-la.

A notícia da chegada do rei espalhou-se rapidamente no povoado e começou o rebuliço. Todos acorreram à casa do genro do rei para ajudar na limpeza e decorá-la. A princesa começou a ser tratada com grande respeito. Não tinha mais que fazer trabalhos pesados e sujos. Fizeram-lhe um tratamento de beleza e foi vestida com roupas finas. Todos passaram a ser amistosos e a respeitá-la.

Quando o estafeta do rei chegou trazendo a notícia que o monarca estava a caminho, todos saíram para cumprimentá-lo. “Viva o rei! Viva a princesa!” - gritavam eles, enquanto acompanhavam o rei e sua filha pelo povoado decorado e iluminado.

O rei entrou na casa de seu genro, achando-a limpa e impecavelmente decorada com enfeites e flores. Viu a honra e respeito gozados por sua filha e ficou contente. Estranhou que a filha tivesse escrito tais cartas alarmantes.

O pai e a filha passaram um dia feliz, juntos, e o rei preparou-se para voltar. A princesa abraçou seu pai e começou a chorar: “Ó pai, querido pai, não me deixe aqui, leve-me junto! Por favor, leve-me para casa!”

“Mas minha querida filha” - respondeu o rei - “você parece estar feliz aqui; percebe-se que eles estão lhe tratando com mais respeito e afeição do que a qualquer princesa que conheço!”

“Ó caro pai” - chorou a princesa - “toda esta honra e afeição que eles demonstraram hoje é só para agradar ao senhor. Eles souberam de sua vinda e foi por isso que fizeram tudo isto. Mas assim que partir, começarão a tratar-me como antes, insultando-me e fazendo-me muito infeliz.”

O rei chamou seu genro de lado e perguntou-lhe: “Que maneira é essa de tratar minha filha? Você não sabe que ela é uma princesa?”

Os olhos do marido encheram-se de lágrimas, enquanto respondia: “Sua Majestade, eu sei que ela é uma princesa, mas o que poderia eu fazer? Sou um homem pobre e preciso trabalhar duro para sobreviver. Sou incapaz de proporcionar-lhe o tipo de vida que ela realmente merece. Além disto, vivemos em um povoado, entre pessoas maldosas e invejosas. Eles não apreciam as qualidades de sua filha e aproveitam todas as oportunidades para insultá-la. Mas o senhor é um grande rei. Uma vez que achou conveniente escolher-me como genro, leve-me embora daqui, eleve-me à sua posição, dê-me uma propriedade digna de sua filha e do genro do rei, e então serei capaz de dar a ela o tipo de vida que realmente merece!”

* * * * *
O Rei dos reis, O Santo, bendito Seja, quis dar sua filha, a Toráh, a Adam, o primeiro homem criado pelas suas próprias mãos. Mas a Toráh disse: “Ele é um glutão; ele comeu da Árvore do Conhecimento, contrariando seu mandamento expresso.”

Depois D’us quis dar a Toráh a Nôach e a Toráh disse: “Ele gosta demais de vinho. Não foi ele que plantou um vinhedo e ficou bêbado?”

Finalmente, D’us deu a Toráh aos filhos de Israel, aos quais acabou por tirar da escravidão do Egito.

Durante o ano inteiro, a Toráh é freqüentemente negligenciada e até envergonhada. Dia após dia, a Toráh envia mensagens ao Rei, queixando-se do tratamento que recebe, pois está escrito: “Todos os dias uma voz celeste chama: ‘Ai das criaturas que envergonharem a Toráh!’”

Então chegam os mensageiros do Rei para anunciar a sua chegada - são os dias de Elul, anunciando a vinda de Rosh Hashanáh. Eis que acordamos e começamos a preparação: oramos, estudamos, recitamos Salmos, como nunca antes. Rosh Hashanáh não nos encontra despreparados. Tocamos o Shofar e aclamamos o Rei dos reis.

D’us está entre nós e gozamos de Sua Luz Divina; os corações se enchem de reverência e amor pela proximidade de D’us e Sua Majestade Divina. Chega Yom Kipur e D’us encontra todos os judeus penitenciando-se, puros e santos, como os anjos.

Mas depois de Neilá e após o toque do Shofar que anuncia a partida da Presença Divina, a Toráh começa a gritar: “Pai, pai, não me deixa! Leva-me contigo, porque em breve tomarão de mim toda a glória, esquecerão quem eu sou, recomeçarão a maltratar-me!”

Então D’us diz a Seu povo: “É esta a maneira que tratam minha filha? Vocês não sabem que a Toráh é uma princesa Divina?”

E o povo judeu responde: “Mestre do Universo! Nós conhecemos a grandeza da Toráh, mas que podemos fazer? Vivemos na pobreza, não temos um lar adequado. Habitamos entre as nações do mundo que não querem saber da Toráh. Assim sendo, por favor, leva-nos daqui, conduze-nos de volta à nossa Terra Santa, pois o mundo inteiro é Teu; devolve-nos a ela como herança e seremos capazes de manter a Toráh em glória!”

É por isso que, logo após o toque do Shofar, no fim de Yom Kipur, dizemos:

“No próximo ano em Jerusalém com o Teu justo O Redentor, e Unidos e lá Te serviremos como nos tempos antigos!”

domingo, agosto 22, 2010

A música nas Sinagogas

A música nas Sinagogas
Os grandes músicos dos períodos barroco e clássico construíram parte de sua obra compondo música religiosa. As cantatas sacras de Bach e os oratórios de Haendel, sem falar no imenso legado de peças para órgão, são uma prova disso.

Entre os séculos XVII e XVIII, a música litúrgica (Chazzanut) executada nas principais sinagogas européias, sobretudo na Alemanha, começou a sofrer uma forte influência da música clássica. As famílias mais abastadas da sociedade judaica começaram a proporcionar a seus filhos, aulas de música e canto. As crianças passaram a se dedicar à música secular, deixando de cultivar a tradicional música judaica. No início do período romântico essa tendência aumentou e, com o passar do tempo, o efeito começou a se refletir no interior das sinagogas. Os cantores começaram a ser substituídos pelo órgão e outros instrumentos musicais e as melodias executadas durante as cerimônias começaram a se aproximar em estilo, aos hinos católicos e protestantes.

O movimento para preservar as tradições do Chazzanut teve início no século XIX, e um dos seus mentores foi o chazan austríaco, Salomon Sulzer. Ele afirmou: A música litúrgica pode manter as formas atuais, tão do agrado de nossa comunidade, mas sem sacrificar o estilo de nossa milenar tradição judaica. Com esse intuito, a maioria dos chazan* passou a compor música litúrgica. Sulzer introduziu o uso de corais nas sinagogas e tornou-se um músico respeitado por Schubert, Schumann e Liszt

O mais importante chazan/compositor foi Louis Lewandowski (1821-1894), primeiro judeu a estudar música na Academia de Artes de Berlim. Em 1884, a comunidade judaica da capital alemã o encarregou de organizar os cantos corais nas sinagogas e em 1864 ele assumiu a posição de líder do coral da nova Sinagoga de Berlim. Nessa época, Lewandowski escreveu dois livros de cantos litúrgicos, Kol Rinah, para duas vozes e Todah Vezimrah, para corais. Essas obras são utilizadas até hoje pelos principais chazan e líderes de corais. Além de música litúrgica, o compositor escreveu sinfonias, salmos cantatas e canções populares.

Em 1886, o governo alemão o distinguiu com o título de Diretor Real Musical. Entre suas mais populares composições se destacam Uvenucho Yomar e Zacharti Lach, para o Rosh Hashana e Ve’al Chata’im para o Yom Kippur.

O Kol Nidrei de Max Bruch: foi Moisés quem instituiu o dia sagrado do Yom Kippur, conforme o texto do Levítico (23:26), um dos cinco livros do Pentateuco. Pouco antes do anoitecer o chazan entoa a oração do Kol Nidrei, cuja melodia de intensa emoção e energia espiritual traduz o pináculo da liturgia do Yom Kippur.

Os compassos desta música cujas origens remontam ao século VIII serviram de inspiração para muitos compositores. Dezenas de arranjos para voz e piano, órgão e violino, arranjos para corais e pequenas orquestras foram criados por músicos judeus e cristãos. Assiste-se ao surgimento de um fenômeno inverso ao da secularização da música das sinagogas. É a influência do Chazzanut sobre a música clássica. A melodia do Kol Nidrei é facilmente reconhecida nos primeiros compassos do Quarteto nº 4 em dó menor (opus 18), de Ludwig van Beethoven.

O Adágio sobre Melodias Hebraicas para violoncelo e orquestra, opus 47, mais conhecido como Kol Nidrei, é de autoria de Max Bruch (1838-1920), compositor protestante nascido em Colônia. Através de seu amigo, o chazan Abraham Lichtenstein, Bruch foi conhecer as melodia judaicas, entre elas o Kol Nidrei e as Canções Hebraicas de Isaac Nathans, com letra do poeta Lord Byron.

A obra de Max Bruch foi obscurecida pela de Brahms, Mahler e Richard Strauss. Mesmo assim ele nos deixou música de excepcional qualidade como o Kol Nidrei, o Concerto nº 1 para violino e orquestra, opus 26 e a Fantasia Escocesa. Bruch foi dirigente da Sociedade Filarmônica de Liverpool, da Sociedade Filarmônica de Berlim e professor da Academia de Música.

O início do século XX assistiu o esplendor da música litúrgica judaica na Europa e nos Estados Unidos.Muitos cantores de sinagogas passaram a ser disputados a peso de ouro pelas grandes casas de ópera. Os grandes destaques foram Yossele Rosenblatt, Abraham Katz e Isaac Heymann. Rosenblatt foi um tenor excepcional, que recusou por motivos religiosos, inúmeros convites para se apresentar como solista de óperas famosas. Sua única participação perante o grande público foi no primeiro filme sonoro, The Jazz Singer, aonde ele faz uma curta aparição. A brutalidade da II guerra mundial ceifou a vida de Sam Englander (1896-1943), mestre do coral da Grande Sinagoga de Amsterdã, morto no campo de concentração de Sobibor. Gershon Sirota, o grande tenor da Sinagoga de Varsóvia e um dos primeiros Chazans a gravar em disco a música litúrgica, desapareceu durante os combates ocorridos durante o grande levante do gueto, em 1943.

Disco recomendado: Legendary Cantors, com Yossele Rosenblatt, Gershon Sirota, Shalom Katz, Berele Chagy e outros. Nimbus Records NI 7906. A pureza sonora deste CD nos faz esquecer que as músicas foram gravadas na década de 1920.


*Chazan: cantor principal da sinagoga, contratado ou convidado, que conduz as orações e lê o livro da Tora, especialmente no sabá e nas festas religiosas.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Um Tempo de Mudança

Um Tempo de Mudança


Elul é um mês muito especial. É um tempo para aproveitar a oportunidade de trabalhar em nós mesmos; para mudarmos, para sermos melhores e concretizar nossos sonhos. É um novo começo para finalmente fazermos aquelas coisas que sempre sentiste que era capaz, mas nunca o fizeste.

Cada Elul começa sempre com as mesmas grandes expectativas: vai existir um novo mundo e as coisas serão iguais. Infelizmente, o entusiasmo inicial rapidamente dá lugar a uma realidade muito diferente: o entusiasmo baixa de nível e terminas ficando igual a o que fazias antes de começar. Seguramente cresces pouco a pouco, ano após ano, mas o avanço importante converte-te na pessoa que sabes que podes e deve ser – nunca parece realizar-se, ficando como um sonho difícil de realizar.

Como aproveitar esse entusiasmo, a boa vontade e a emoção e convertê-los em uma mudança significativa e duradoura? Em outras palavras: como podes para que Elul realmente funcione?

Os sábios nos dizem que existe uma Voz Divina (¡Bat Kol!) que ecoa no mês de Elul dizendo: Vão arar os campos. Não plantem sobre espinhos e a maleza. Sem dúvida, existem muitos significados cabalísticos para esta frase, mas uma explicação mais direta é que, se preparas teu campo arando-o não importa o que semeies; teu jardim vai ser invadido por espinhos.

Portanto a chave para um Elul exitoso é preparar-se adequadamente, considerando que sementes desejas plantar. Como te deves observar para assegurar-te de que tudo o que desejas fazer acontecerá da maneira que queiras, para que depois de alguns meses, não pense em sua resolução só como um bonito desejo?

Teu desejo de mudança é claro – de outra maneira não estarás lendo isto neste momento – mas o que é que te motiva à mudança? A chave é compreender-te a ti mesmo. Como funcionas, como cresces e o que te motivas. Quais são os passos apropriados para teu crescimento? Impõe-se aqui o fator fundamental: tudo em seu devido tempo!

Conta-se à história de um homem jovem na Ieshiváh (Seminário Rabínico) do Rabino Meir Chadash. Era um estudante preguiçoso que nunca estudava, fazia o que ele gostava e parecia que iria deixar tudo completamente. Um dia o estudante fez um giro de 180 graus. Era o primeiro a chegar na sala de aula e o último a sair à noite. No dia seguinte, o Rabino Chadash aproximou-se e falou-lhe: “Tu és tão imaturo. Quando é que tu vais crescer?”

A mensagem é clara: tu não vais mudar do dia para noite; não deixarás de se um irresponsável e apático, tornando-te o mais responsável. E se tentares será pura falsidade. Pode ter êxito alguns dias, pensando que o conseguiste, mas quanto durará? Isso não é o crescimento, é imaturidade. O verdadeiro crescimento é paulatino. Tu tens que saber qual é o passo seguinte, compreender-te a ti mesmo e ser honesto. Decide o que tu queiras aceitar sobre ti e o que mudará de verdade as coisas. Por exemplo: cuidar que o lar seja casher, ou dedicar-te a ser mais sensível e cuidadoso. Estas sementes têm um incrível potencial, se preparares antes a terra.

Observa profundamente dentro de ti, pede bons conselhos e acima de tudo: que sejas realista a respeito do que é possível concretizar.

E sobre o processo real de teshuváh? O primeiro passo é reconhecer teus erros – compreender o que fizeste de errado e como poderia ter feito melhor.

Por isso, deves conhecer tuas capacidades específicas. Do contrário, cometerás o erro de tentar mudar coisas que estão além de ti, Isto é ruim, pois quando o confessas, realmente não o sentes, porque dentro de sabes que não é real.

A verdadeira teshuváh e confissão, significa articular o fato de que a teu nível poderias ter feito melhor. É muito importante fazer isto de uma forma que tu escutes e acreditas.

Entende os temas que são realistas para ti; estão-se além de ti, então não são “teus” temas. Trabalhar com o que é realidade e apropriado. Do contrário vais plantar tuas sementes ano após ano e vais colher só espinhos. Não deves usar esta idéia como desculpa para continuar cometendo erros; ao contrário, toma consciência de como uma mudança drástica às vezes termina em algo pior. Não te movimentes num mando ilusório. A Toráh não quer que sejamos sintéticos piedosos. Avalia que aspecto de teu caráter não está muito bem e começa a mudá-lo gradativamente.

Preparar o terreno, significa descobrir que coisa te motiva e reconhecer o que precisas fazer agora. No final das contas, a mudança final pode acontecer após muitos anos. Mas não desanimes. Os Sábios dizem que uma vez que te encaminhes para algum lugar para D’us é como se já tivesses cruzado lá. Quando decides fazer algo, existe uma elevação de tua alma; no plano metafísico é como já o tivesses feito tua alma chegou; mas teu corpo ainda tem que caminhar por muitas sendas. Uma coisa mais: Para nos inspirarmos no processo de teshuváh, temos que saber que D’us nos ama – mesmo com todos os erros que tenhamos cometido. Sê consciente de que D’us te entende e quer te ajudar. Não te sintas culpado; os erros que cometeste são parte de teu processo de crescimento para chegar até onde te encontras hoje em dia. D’us não quer que sofras. Pelo contrário, Ele nos criou para o crescimento; então as dificuldades envolvidas deveres o melhor para nós. D’us não é o chefe autoritário do céu. Está ao teu lado. Se não compreendes isto, nunca poderás fazer Teshuváh (retorno – arrependimento).

Pensa grande e propõe-te metas a longo prazo – mas sê realista. Toma as coisas com calma, mas tenta manter a motivação. A teshuváh exige maturidade, realismo e honestidade. Não uses esta oportunidade que se nos apresenta ano após ano de forma incorreta.

Iamim Noraim, dias majestosos, nos convidam a refletir, a maturar sobre nossa verdadeira função e ubiquação na sociedade, na vida, como seres humanos, judeus. Iamim Noraim é uma ilha e um tempo a reconsiderar os objetivos da vida, é um tempo neste espaço, para regressar, LaShuv (retornar) a nossa origem, aos nossos princípios, aos nossos valores.

Que o Todopoderoso nos ajude a ter uma vida significativa e uns festejos produtivos neste ano que se inicia. Tihie Shanáh Simanáh Chasadênu (Que seja um ano cuja sinal seja duma bondade em todos nossos caminhos a empreender), que assim seja Amén.

Tizku Leshanim Rabot!!
Que D’us conceda-lhes muitos anos de vida!!

domingo, agosto 08, 2010

O óleo vai de presente

O óleo vai de presente


Certa vez, um Chasid (um discípulo de um Rabino Chasidico) aproximou-se ao Modzshitzer Rab para lhe pedir um conselho e uma bênção para seus negócios.

O Rabi lhe respondeu:

“Eu não me misturo nas bobagens deste mundo”!

Logo, o homem pode observar que outro Chasid se aproximava do Rabi, que o atendia e conversava com ele durante algumas horas sobre seus negócios e lucros, e finalmente o despediu com alguns conselhos e desejando-lhe sorte.

O primeiro Chasid ficou espantado e decidiu perguntar-lhe ao Rabi porque ele tinha sido rejeitado quando pediu um conselho e uma bênção para seus negócios, e nem sequer o quis escutar, e com o outro Chasid conversou durante algumas horas sobre o mesmo assunto.

O Rabi lhe respondeu:

“Um cocheiro foi certa vez a uma grande loja e adquiriu para seu patrão diversas mercadorias que carregou enchendo-o até o limite, pagando uma importante quantia pélas mesmas. Ao subir no carro o cocheiro deu-se conta que os pneus estavam atolados e que tinham que colocar um pouco de óleo para que funcionassem como devia. Entrou novamente à loja e perguntou ao comerciante se tinha óleo para lubrificar os pneus: “Sim, com muito prazer”, respondeu-lhe o comerciante mostrando-lhe um canto onde se encontravam algumas latas de óleo”.

“Enquanto isso acontecia - continuou o Rabi - ou seja quando o cocheiro pedia óleo no comércio o outro lhe entregava, passava por aí outro cocheiro que viu a cena. E como os pneus dele também tinham se atolados e não podia viajar, entrou à loja e pediu um pouco de óleo.

O comerciante lhe respondeu: “Desculpe, na minha loja somente vendem-se coisas de valor, não óleo. Minha loja não é a indicada para essas simplicidades”.

“O cocheiro disse: ‘Eu mesmo acabei de ver outro cliente pedindo óleo e lhe deram diretamente e nem sequer pagou por isso’! O comerciante começou a rir, dizendo-lhe: ‘Não coloques como exemplo àquele cocheiro. Ele encheu um carro com mercadorias que comprou no valor de 1.000 gulden e seu carro não pode andar eu lhe dei de graça o óleo para os pneus, como presente. Mas tu só queres óleo para o carro, eu te digo a verdade, nós não nos dedicamos a isso, este não é o endereço indicado para conseguir óleo...”

“O mesmo ocorre contigo - continuou o Modzshitzer Rab - esse Chasid é o meu cliente durante todo o ano, vem me ver periodicamente para aconselhar-se sobre a educação dos filhos em relação à Toráh e o temor D’us, como cuidar o Shabat em todos seus detalhes, a Kashrut com todos seus pormenores; ele vem a escutar minhas aulas e meus ensinamentos de Toráh, bons costumes e educação. Esse judeu, quando sente ‘que o carro não funciona’ e que o jugo da Toráh e o cumprimento de suas mitzvóth? A um judeu assim lhe responda como é devido! Mas a ti não te vejo durante todo o ano; em relação à educação, ao Shabat e a Toráh nunca falas comigo... isso o consegues em outros comércios... Mas quando tu percebes que os pneus estão atolados vens a me pedir um pouco de óleo e eu te respondo:

Com óleo eu não negócio...!