quinta-feira, agosto 16, 2018

ERA UMA VEZ UM ALFAIATE


ERA UMA VEZ UM ALFAIATE...

... que era piedoso, simples e pobre. Um dia foi chamado para ir à casa do governador. O governado, é claro, era muito poderoso e tinha fábricas de tecidos. Chamou o governador ao alfaiate e disse: “pegue este tecido, que é feito nas minhas fábricas, e confeccione com ele um terno”. E lhe deu um prazo para realizar a tarefa.
O alfaiate, todo emocionado, pegou o tecido e voltou para a sua casa. O alfaiate tinha tempo. Trabalhava com o terno do governador e se dedicava também a outros afazeres. Ia diariamente a Sinagoga, demorava-se em discussões em vão e, quando voltava para casa, já era tarde e apenas podia dar algumas costuradinhas. Cumpriu-se o prazo. Vieram os soldados do Governador e reclamaram o terno. Não estava concluído. Teve que se apresentar diante do Governador e rogar clemência. O Governador aceitou dar-lhe outro prazo.
O alfaiate aos poucos trabalhava e lentamente ia armando o terno, mas faltava-lhe o essencial, aquilo que sem o qual um terno deixa de ser terno. O alfaiate sentia-se culpado, discutia constantemente com sua mulher e queixava-se da comida que era demasiadamente fria para seu paladar ou excessivamente quente. Aproximava-se o término do prazo. O alfaiate desesperado comia e trabalhava ao mesmo tempo. A comida caiu sobre o terno. Pegou a roupa e correu ao rio, para lavá-lo. Se lhe deslizou das mãos e caiu em águas turbulentas. Aterrorizado o alfaiate se jogou na água para recuperar a sua perda, mas não sabia nadar e também se perdeu atrás da roupa.
(Metáfora da vida).

Pensemos como muitas vezes perdemos nosso tempo em coisas banais, vamos de trás de quimeras, perdemos nosso tempo, e não utilizamos o “tecido da vida” para fazer nosso próprio terno.   

Rav Lic. Ruben Najmanovich


quarta-feira, julho 25, 2018

O dia do Amor: Tu BeAv


Tu BeAv: A alegria de unir-nos

A o dia de Tu BeAv (טו באב), alguns chamam-lhe o “feriado do amor, ou o “dia das almas gémeas”. O Talmud chama-lhe “o dia mais alegre do ano”. Embora haja bastantes explicações diferentes em torno do que há de tão especial acerca do Tu BeAv, há uma em particular que considero ser tremendamente profunda: Tu  BeAv, o 15º dia de Av, celebra-se quarenta dias antes da data da Criação, de acordo à tradição oral, que o 25º dia de Elul, o momento em que a Luz do Criador decidiu que a humanidade fosse criada. 
Os Cabalistas ensinam que quarenta dias antes de cada um de nós nascer, é tomada a decisão sobre quem será a nossa alma gémea. Assim, quarenta dias antes da humanidade surgir, em Tu BeAv, foi formada a energia para a unificação das almas gémeas. Mesmo antes da criação do Homem, neste dia foi despertada a Luz de todas as almas gémeas a serem alguma vez criadas. A fonte de energia que será o potencial para nossas vidas. Então, quer pensemos em estar numa relação, ou já a tenhamos, mas desejemos aprofundá-la ou elevá-la, não há melhor dia do ano para beneficiar dessa poderosa energia da alma gémea, que o dia de Tu BeAv.
Em um nível básico, é frequente pensarmos que quando nos unimos à nossa alma gémea, esse é um dia de alegria. Mas é importante entender que o Talmud o considera alegre não por causa do momento inicial da conexão, ou por ser o início de um relacionamento, mas sem porque é o dia que contém a versão aperfeiçoada da própria relação com a alma gémea. E isso sucede quando realizamos o trabalho espiritual durante um período de anos, quando crescemos juntos, que nos tornamos a essa união aperfeiçoada.
Sinceramente com toda honestidade, não existe tarefa mais importante que o exercício, no qual desenrolamos nossos relacionamentos; o Zôhar, o Livro do esplendor, assim como Sefer Yetsirá (Livros fundamentais da Cabaláh) ensinam que a maior bênção do mundo é obter o mérito de se estar com alguém que nos compele para o crescimento, e que também está receptivo a ser empurrado por nós para crescer. 
De acordo aos ensinamentos da Cabaláh, temos a responsabilidade de não só apenas crescermos, de não só apenas conhecermos, senão o propósito - que é ajudar-nos e empurrar-nos – mas também de entendermos que estarmos preparados verdadeiramente a crescer no amor, que este autentico sentimento também influencia no mundo. Então, é importante, no Tu BeAv, ter consciência de que a Luz (criada através do relacionamento com a alma gémea) que estamos a atrair ou a elevar, não é apenas para nós, mas para todo o mundo.
Sabendo que o Tu BeAv é o dia em que foi acordada a nossa relação com a nossa alma gémea, espero que todos possamos tirar partido das vantagens da incrível energia disponível, neste dia tão “alegre”, e que todos possam ficar mais próximos de conseguir a tão desejada relação com a alma gémea.

quinta-feira, julho 19, 2018

Tisha BeAv: "Jerusalém na Consciência Judaica"


Tisha BeAv


Jerusalém na Consciência Judaica


O nono dia do mês hebraico de Av é um dos principais dias de jejum do calendário judaico, quando as pessoas lamentam a data da destruição do Primeiro e do Segundo Templo, com a perda subseqüente de soberania nacional e o exílio da Terra Santa.
Tisha BeAv é a culminação do período de três semanas de luto, do qual os últimos nove dias são particularmente intensos, com observância de muitos costumes semelhante aos praticados durante o luto de uma pessoa íntima da família. As "Três Semanas", como são conhecidas, começam no décimo sétimo do mês de Tamuz, a data em que foram quebradas as paredes externas da cidade de Jerusalém durante o cerco. Esta também é a data na qual Moisés quebrou as primeiras tábuas da Lei quando desceu do Monte Sinai depois de 40 dias - e encontrou o povo adorando o Bezerro Dourado.
O Dia 9 de Av é a data em que o seguro povoado de betar caiu, a data da expulsão dos Judeus da Espanha em 1492, o começo das deportações nazistas dos Judeus do Gueto de Varsóvia, etc.
O dia é publicamente marcado no Estado de Israel pelo fechamento de restaurantes, lugares de entretenimento etc. desde a véspera do dia anterior, com as lojas de comida abrindo apenas durante as horas matutinas. O dia é interpretado por seu significado religioso e/ou por sua importância na conexão com a nacionalidade e soberania nacional - mesmo no caso de os indivíduos optarem por não jejuar.
A observância tradicional inclui a leitura do Livro de Lamentações, o Kinot [vide abaixo], um jejum de 25 horas, privação de conforto e contato físico. Em Jerusalém, há um fluxo de milhares de pessoas para o Kotel, o muro Ocidental e única reminiscência do Segundo Templo, para comemorar a destruição e rezar pela redenção.

AO LONGO DA HISTÓRIA

Abraham foi enviado para sacrificar seu filho, Isaac, em uma colina na terra de "Moriá", o lugar conhecido hoje como o Monte de Templo. A redenção de Isaac está intrinsecamente relacionada com a santidade do local.
A conexão física do povo Judeu para com Jerusalém vem à frente, obviamente, quando o Rei o David a conquista do Jebuseus, pagou pelo local santo no Monte de Templo e fez da cidade sua capital.
Depois da destruição do Primeiro Templo, a maioria da população judia foi levada em exílio na Babilônia, onde juraram lamentar para Tsión, "Se eu esquecer a ti, ó Jerusalém, que minha mão direita esqueça de sua astúcia. Que minha língua fique presa ao céu da minha boca, se eu não me lembrar de ti, se eu não colocar Jerusalém acima de toda minha alegria".
Na era dos Macabeus, a principal essência da briga por Jerusalém era para estabelecer a natureza judaica da cidade e levar para fora as práticas pagãs de ritual de Templo e o Helenismo da vida pública. Sob outras circunstâncias, não teria havido nenhuma insurreição nacional contra subordinação judia perante os gregos.
A importância de Jerusalém como um símbolo nacional cresceu com períodos subseqüentes de dominação estrangeira: durante a Grande Revolta de Bar Kochvá, foram cunhadas moedas em memória de Jerusalém.
E, porém, apenas após a destruição do Segundo Templo que o significado de Jerusalém é transformado no que conhecemos hoje - um foco, ao redor que vida judaica aponta e para o qual são dirigidas as aspirações nacionais e messiânicas do povo Judeu.
Assim, não só encontramos apenas uma conexão espiritual, mas também uma física: todos os interiores de sinagogas espalhadas pelo mundo são construídas voltadas para Jerusalém. Em realidade, as orações diárias e festivas abundam em referências a Jerusalém - em recorrências à cidade e em textos mais prolongados; a liturgia contém cinco bênçãos principais relativas à Jerusalém, enquanto muitos outros rituais comunitários e caseiros também descrevem e celebram a Cidade Santa.
Jerusalém é o tópico principal de poesia hebraica pré-moderna, e o Kinot - a liturgia medieval e a liturgia subseqüênte do luto de Tisha BeAv - focando no período e novamente em Jerusalém, como lamentam os julgamentos do povo Judeu ao longo de sua história de exílio.
Como o inevitável ciclo de vida continua e se repete, inseriu-se tradições relacionadas a Jerusalém, para lembrar-nos que aquela alegria plena não está completa sem Jerusalém:
  • um prato é quebrado na assinatura de um contrato de noivado;
  • um noivo quebra um copo debaixo da chupá após a cerimônia;
  • uma pequena seção de parede em toda casa nova é deixada sem gesso ou sem pintura
Por gerações, era impossível para a maioria dos Judeus sonhar em morar em Jerusalém, mas eles participaram apoiando as comunidades que lá residiam, sendo anfitriões de convidados que voltavam de Jerusalém como mais que uma forma de caridade: traziam Jerusalém para todos e todos para Jerusalém - era um modo de vida.

A vida judaica na Diáspora estaria incompleta sem Jerusalém: a esperança de redenção e do retorno do povo a Eretz Israel sempre se centrou em Jerusalém. É um desejo e uma esperança que são sentidos exacerbadamente e expressos em Tisha BeAv.


Tishá BeAv: ¿Existe la alegria en ese día?