quinta-feira, agosto 16, 2018

O mês de Elul


O mês de Elul

O mês de Elul é o décimo segundo mês do calendário judaico na contagem desde a Criação do mundo (a partir de Tishrê), e o sexto na contagem que se inicia na saída do Egito (a partir de Nissan).
O mês de Elul é mencionado apenas uma vez na Bíblia (Neemias 6:15), e uma vez nos Apócrifos (I Macabeus 14:27).
Elul é conhecido como “o mês do arrependimento” e também como “o mês da compaixão e do perdão”, e nele preparamo-nos para os dias do julgamento –Hayamim Hanoraim, os Dias Temíveis (desde a véspera de Rosh Hashaná até o final do Yom Kipur), nos quais “até os peixes do mar tremem de pavor do dia do julgamento que se aproxima”.
A partir do início de Elul, toca-se o shofar diariamente após a oração matutina (Shacharit), exceto aos sábados e véspera de Rosh Hashaná, conclamando as pessoas ao arrependimento, conforme está escrito: “Tocar-se-á a trombeta [o shofar] na cidade sem que o povo se estremeça?” Inicialmente, o costume era tocar o shofar apenas no Rosh Chodesh Elul, e posteriormente passou-se a tocar durante todo o mês.
Os ashkenazitas costumam dizer “slichot” – oração que contém uma sucessão de pedidos de perdão por faltas e pecados cometidos – bem cedinho de manhã desde o motzaê shabat da última semana do ano; já os sefaraditas começam mais cedo, a partir do dia 1° ou 15 de Elul.
No passado remoto, emissários partiam de Jerusalém às comunidades distantes, a fim de informar o dia exato do início do mês de Elul (Rosh Chodesh Elul), de acordo com a lua nova, para facilitar daí o cálculo das datas importantes, a partir de Rosh Hashaná (Tratado Rosh Hashaná I 3).
O signo do mês
O signo de Elul é Virgem, conforme está escrito: “Regressa [ou: Arrepende-te], ó virgem de Israel” (Jeremias 31:20), pois Elul é o mês do arrependimento.
Durante o mês de Elul, os habitantes de Jerusalém costumam ir orar no túmulo da matriarca Raquel, situado perto de Belém, e os judeus de Tzfat costumam rezar e estudar Torá à beira da sepultura do Rabi Shimon Bar Yochai, em Meron, perto de Tzfat.
Durante o mês de Elul costuma-se terminar as cartas com votos de “um bom ano”. Com o correr dos anos, adotou-se o hábito de enviar cartões de Rosh Hashaná.
Acontecimentos do mês de Elul
1 de Elul
No início do mês de Elul o Todo Poderoso ordenou que Moisés subisse ao monte a fim de receber as Tábuas da Lei; tocou-se então o shofar em todo o acampamento para que não cometessem novamente o pecado da idolatria. Por esse motivo, nossos sábios decidiram que “tocar-se-á anualmente o shofar no mês de Elul” (Pirkê deRabi Eliezer XLVI)
Inauguração do 1° Congresso Sionista na Basiléia (5657 - 1897)
Início da 1ª Guerra Mundial (5699 – 1939)
3 de Elul de 5695 (1935)
Falecimento do Rabino Avraham Itzchak HaCohen Kook, Primeiro Rabino-Chefe e líder dos rabinos de Eretz Israel.
8 de Elul de 5661 (1921)
Fundação do primeiro moshav de Israel.
9 de Elul (1267)
Nachmânides (Rabi Moshé ben Nachman) faz aliá a Eretz Israel e reestrutura a coletividade judaica de Jerusalém.
11 de Elul de 5660 (1920)
Criação do “Gdud Avodá” (Batalhão do Trabalho) com o nome de Yossef Trumpeldor.
17 de Elul
Morte dos espiões que caluniaram a Terra de Israel.
Entram em vigor na Alemanha as “Leis de Nuremberg”, discriminando os judeus (5693 – 1933).
Na época do Segundo Templo este dia foi considerado dia festivo (iom tov), pois terem os habitantes zelotes de Jerusalém conseguido expulsar o exército romano de Jerusalém (Tratado Taanit).
18 de Elul
Shimon, o hasmoneu, foi nomeado Sumo Sacerdote, comandante do exército e presidente (nassi) dos judeus
(I Macabeus 14).
Falecimento do Rabino Judá Loew ben Betzalel, conhecido como o “Maharal de Praga”, um dos maiores rabinos europeus do século XVI (5369 – 1609).
24 de Elul
Falecimento do Rabino Meir HaCohen de Radin, do movimento rabínico Mussar, um dos maiores codificadores das gerações recentes, e autor do livro “Hachafetz Chaim” (cujo tema é a proibição de lashon hará  – calúnia) e de “Mishná Brurá”, que trata das quatro divisões do Shulchan Aruch  (5693 – 1933).
Falecimento do Rabino Ben Tzion Meir Chai Uziel, Rabino-Chefe e “Rishon LeTzion” (5714 – 1954).
25 de Elul
Dia da Criação do mundo. Segundo o Rabi Eliezer, cujos cálculos de descendências e épocas nós aceitamos, o dia no qual foram criados o céu e a terra foi seis dias antes da criação do homem. O homem foi criado em Rosh Hashaná; logo, o primeiro dia da Criação foi 25 de Elul.
Terminou a reconstrução da muralha de Jerusalém por Neemias, filho de Hacalias (Neemias 5)
29 de Elul de 5704 (1944)
O governo do Mandato Britânico permitiu a criação da Unidade Combatente Judaica, que representou um marco importante na organização da força defensiva combatente em Eretz Israel.

ERA UMA VEZ UM ALFAIATE


ERA UMA VEZ UM ALFAIATE...

... que era piedoso, simples e pobre. Um dia foi chamado para ir à casa do governador. O governado, é claro, era muito poderoso e tinha fábricas de tecidos. Chamou o governador ao alfaiate e disse: “pegue este tecido, que é feito nas minhas fábricas, e confeccione com ele um terno”. E lhe deu um prazo para realizar a tarefa.
O alfaiate, todo emocionado, pegou o tecido e voltou para a sua casa. O alfaiate tinha tempo. Trabalhava com o terno do governador e se dedicava também a outros afazeres. Ia diariamente a Sinagoga, demorava-se em discussões em vão e, quando voltava para casa, já era tarde e apenas podia dar algumas costuradinhas. Cumpriu-se o prazo. Vieram os soldados do Governador e reclamaram o terno. Não estava concluído. Teve que se apresentar diante do Governador e rogar clemência. O Governador aceitou dar-lhe outro prazo.
O alfaiate aos poucos trabalhava e lentamente ia armando o terno, mas faltava-lhe o essencial, aquilo que sem o qual um terno deixa de ser terno. O alfaiate sentia-se culpado, discutia constantemente com sua mulher e queixava-se da comida que era demasiadamente fria para seu paladar ou excessivamente quente. Aproximava-se o término do prazo. O alfaiate desesperado comia e trabalhava ao mesmo tempo. A comida caiu sobre o terno. Pegou a roupa e correu ao rio, para lavá-lo. Se lhe deslizou das mãos e caiu em águas turbulentas. Aterrorizado o alfaiate se jogou na água para recuperar a sua perda, mas não sabia nadar e também se perdeu atrás da roupa.
(Metáfora da vida).

Pensemos como muitas vezes perdemos nosso tempo em coisas banais, vamos de trás de quimeras, perdemos nosso tempo, e não utilizamos o “tecido da vida” para fazer nosso próprio terno.   

Rav Lic. Ruben Najmanovich


quarta-feira, julho 25, 2018

O dia do Amor: Tu BeAv


Tu BeAv: A alegria de unir-nos

A o dia de Tu BeAv (טו באב), alguns chamam-lhe o “feriado do amor, ou o “dia das almas gémeas”. O Talmud chama-lhe “o dia mais alegre do ano”. Embora haja bastantes explicações diferentes em torno do que há de tão especial acerca do Tu BeAv, há uma em particular que considero ser tremendamente profunda: Tu  BeAv, o 15º dia de Av, celebra-se quarenta dias antes da data da Criação, de acordo à tradição oral, que o 25º dia de Elul, o momento em que a Luz do Criador decidiu que a humanidade fosse criada. 
Os Cabalistas ensinam que quarenta dias antes de cada um de nós nascer, é tomada a decisão sobre quem será a nossa alma gémea. Assim, quarenta dias antes da humanidade surgir, em Tu BeAv, foi formada a energia para a unificação das almas gémeas. Mesmo antes da criação do Homem, neste dia foi despertada a Luz de todas as almas gémeas a serem alguma vez criadas. A fonte de energia que será o potencial para nossas vidas. Então, quer pensemos em estar numa relação, ou já a tenhamos, mas desejemos aprofundá-la ou elevá-la, não há melhor dia do ano para beneficiar dessa poderosa energia da alma gémea, que o dia de Tu BeAv.
Em um nível básico, é frequente pensarmos que quando nos unimos à nossa alma gémea, esse é um dia de alegria. Mas é importante entender que o Talmud o considera alegre não por causa do momento inicial da conexão, ou por ser o início de um relacionamento, mas sem porque é o dia que contém a versão aperfeiçoada da própria relação com a alma gémea. E isso sucede quando realizamos o trabalho espiritual durante um período de anos, quando crescemos juntos, que nos tornamos a essa união aperfeiçoada.
Sinceramente com toda honestidade, não existe tarefa mais importante que o exercício, no qual desenrolamos nossos relacionamentos; o Zôhar, o Livro do esplendor, assim como Sefer Yetsirá (Livros fundamentais da Cabaláh) ensinam que a maior bênção do mundo é obter o mérito de se estar com alguém que nos compele para o crescimento, e que também está receptivo a ser empurrado por nós para crescer. 
De acordo aos ensinamentos da Cabaláh, temos a responsabilidade de não só apenas crescermos, de não só apenas conhecermos, senão o propósito - que é ajudar-nos e empurrar-nos – mas também de entendermos que estarmos preparados verdadeiramente a crescer no amor, que este autentico sentimento também influencia no mundo. Então, é importante, no Tu BeAv, ter consciência de que a Luz (criada através do relacionamento com a alma gémea) que estamos a atrair ou a elevar, não é apenas para nós, mas para todo o mundo.
Sabendo que o Tu BeAv é o dia em que foi acordada a nossa relação com a nossa alma gémea, espero que todos possamos tirar partido das vantagens da incrível energia disponível, neste dia tão “alegre”, e que todos possam ficar mais próximos de conseguir a tão desejada relação com a alma gémea.